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A avaliação do desenvolvimento, já nos anos iniciais

Sabemos que os anos iniciais representam o alicerce para que as crianças se desenvolvam satisfatoriamente nos aspectos cognitivos, comportamentais e socioemocionais. Sendo assim, todos os esforços dos familiares, cuidadores, professores e outros profissionais envolvidos nessa fase servirão para potencializar as competências que essas crianças terão no decorrer de sua história de vida.

É importante destacar que os marcos do desenvolvimento podem ocorrer aquém do que seria esperado, devido a condições não favoráveis, como a baixa estimulação social ou transtornos específicos do neurodesenvolvimento. Exemplo: Por que aos dois anos uma criança ainda não fala? Foi estimulada? Tem um ambiente que favorece o desenvolvimento da linguagem? Ou apresenta algum transtorno?

Assim a identificação precoce de condições adversas e déficits nos aspectos cognitivos, comportamentais e socioemocionais é de extrema importância, pois desta forma, será possível, elaborar planos de intervenção, estimulação e reabilitação precoce, indispensáveis ao bom desenvolvimento da criança.

A psicopedagoga e coordenadora pedagógica Elaine Luvezuti Sagiorato ressalta que a Neurologia vem afirmando e confirmando que nosso cérebro é dotado de capacidade plástica, ou seja, ele pode se transformar e alterar sua própria estrutura pela exposição a novos estímulos. A diferença entre a plasticidade que acontece nos anos iniciais de vida e a plasticidade adulta é que na infância, em especial nos primeiros anos, os mapas cerebrais podem ser alterados pela simples exposição ao mundo externo, porque o sistema neuronal de uma criança está amplamente ativo.

Deste modo, mesmo considerando que o desenvolvimento humano não se completa até a sua morte, os primeiros anos de vida podem ser importantes na determinação do que seremos pelo resto de nossa vida. Já, na fase adulta, embora a neuroplasticidade continue ativa, ela não tem a mesma potência e velocidade que na infância, visto que o organismo adulto já completou seu processo de maturação.

A Neuropsicologia e outras áreas como a Medicina, a Fonoaudiologia, a Psicopedagogia, têm um papel importante no processo de avaliação e intervenção precoce para auxiliar crianças com dificuldades e seus familiares.  A Neuropsicologia especificamente dispõe de um vasto arcabouço teórico e metodológico para a concretização desse objetivo.

Claro que, a avaliação nesse período, coloca aos profissionais que trabalham com essa faixa etária em vários desafios. Segundo Dias e Seabra [2018], esses profissionais, indiscutivelmente, precisam ter o conhecimento sobre neurodesenvolvimento, sobre os principais transtornos, quais as dificuldades que podem surgir em cada faixa etária e saber sobre as habilidades básicas, que são pré-requisitos importantes ao desenvolvimento cognitivo, acadêmico e socioemocional.

Além disso, é preciso dispor de instrumentos validados cientificamente, adequados a cada faixa etária e que possam embasar as decisões e ações, seja num contexto clínico ou escolar.

Outro aspecto importante é que ao avaliar o desenvolvimento infantil há a necessidade de compreender que os diferentes domínios ou habilidades não se desenvolvem separadamente e nem de forma linear, mas sim, como uma complexa rede de características interdependentes e, que, como já mencionado, dependem da interação de um ambiente favorável. Assim, os profissionais devem direcionar o olhar para os diferentes contextos, identificar desvios e planejar intervenções para que as crianças desenvolvam seu pleno potencial.

Assim como destaca Elaine Luvezuti Sagiorato, não se pode perder tempo quando o assunto é o desenvolvimento infantil.  Perdido esse tempo em que a criança está especialmente apta para se desenvolver, perde-se também as chances de um trabalho mais eficaz. Esperar alcançar uma certa idade para procurar um especialista e realizar uma avaliação é deixar passar o tempo mais determinante na vida de uma criança reduzindo as possibilidades de resolver problemas que estão apenas começando.

Com esse objetivo, nos próximos artigos escreverei mais detalhadamente sobre as diferentes fases do desenvolvimento e como podemos estimular e ajudar nossas crianças e adolescentes a desenvolverem seu pleno potencial e superar suas dificuldades.

Até lá! Grande abraço.


Bibliografia
DIAS, N.M. SEABRA, A.G.  Neuropsicologia com pré-escolares: Avaliação e intervenção. São Paulo: Person Clínical Brasi, 2018.

Adriana Pereira Rosa Silva – CRP 06-76446 Psicóloga Clínica, terapeuta infantil e familiar, pós-graduada em Psicopedagogia [Puccamp], pós-graduada PUC/SP em Terapia Familiar e de Casal [Puc/SP] e graduada em Neuropsicologia pelo Instituto de Neurologia do HC/USP.  Ministra palestras e cursos para pais, educadores e psicólogos.

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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