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A família e seus desafios

No dia 15 de maio, é comemorado o ‘Dia Internacional da Família’. Essa data foi proclamada pela Assembleia Geral da ONU [Organização das Nações Unidas], em 1993, e reflete a importância que a comunidade internacional atribui a família.

A família é uma instituição onde há diversos relacionamentos, acertos e erros, afetos e desafetos, encontros e desencontros, enfim, é um lugar de muito aprendizado e de inúmeros desafios. Neste artigo pretendo refletir sobre a tarefa de educar os filhos, a necessidade de equilibrar limite e afeto e também sobre a importância do ‘estar junto’.

A psicóloga Lídia Weber [2014], ressalta que para educar é necessário disciplinar, estar presente, participar e acrescenta que é preciso o equilíbrio entre o amor e o limite.

O amor é um pilar importante, que une as pessoas e, assim, as crianças precisam compreender que são amadas, saber seu valor e o quanto são importantes. Alguns pais podem achar que expressar amor em demasia prejudicará o desenvolvimento emocional e social dos filhos, pois estarão mimando-os, porém, ser afetivo e/ou carinhoso é diferente de ser permissivo ou de ser superprotetor.

A tarefa dos pais é amar seus filhos, mas também disciplinar, ensinar limites e regras, pois esses fundamentos dão segurança e confiança e os preparam para a vida, já a ausência dessas atitudes gera insegurança.

Outro aspecto é atentar-se para a relação com os filhos, afinal está comprovado cientificamente que um dos fatores de proteção para um bom desenvolvimento psicológico na infância é o nível de envolvimento dos pais em sua vida.

‘Estar junto’ é se conectar com o outro, ou estar engajado em uma  mesma atividade e se mostrar interessado no que gostam e fazem, por exemplo, se interessar pelo filme que seu filho assistiu, saber o nome dos amigos, quais matérias ele mais gosta, qual tem mais dificuldade e suas outras preferências.

Mesmo com o tempo escasso, é possível investir tempo e estar envolvido na relação com os filhos, por meio de ações simples, como nas refeições em família, que pode ser compreendido como um ritual importante e eficaz para todos se unirem.

Estudos da Universidade de Harvard [2018], comprovam a importância das refeições familiares, afirmando que crianças e adolescentes que jantam regularmente em família costumam ter benefícios nos aspectos da saúde, acadêmicos e emocionais. Foram observados índices menores de obesidade, de uso de drogas e de doenças como a depressão. Este estudo atesta ainda que grande parte desses benefícios se devem aos laços criados durante as refeições.

Proponho que as famílias que não tem este hábito, que o experimentem, e comecem organizando uma refeição em família no final de semana, um café da manhã, almoço ou jantar.

Se você já realiza ao menos uma refeição em família, ótimo! Entenda que é um momento de estar junto, socializar-se e regar os vínculos familiares. Para não haver distração ou distanciamento, evite os celulares ou qualquer outra tecnologia à mesa. Separe esse tempo para conversar, dê preferência a assuntos leves, estimule as crianças e adolescentes a expressarem seus pontos de vista, bem como aprender a respeitar e ouvir as opiniões alheias.

Acredito na força da família e que rituais simples como as refeições em família são sementes, que no futuro darão frutos.

Que Deus abençoe cada família.

Um forte abraço.

Referências
WEBER, L.  Eduque com carinho. 5 edição. Curitiba: Juruá, 2014.
IDOETA P. Refeições em família: como as crianças se beneficiam do contato com os pais a mesa Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/geral-45424589. Acesso em 21/04/2019.

Patrícia Galo Firmino – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual. Pós-Graduanda em Terapia Familiar e de Casal pela UNIFESP, Especialista em Aconselhamento Cristão e Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior. Ministra palestras e cursos para pais, educadores e profissionais.

 

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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