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A imperfeição nos faz únicos

Você conhece a filosofia Wabi-Sabi?

Conheci essa filosofia faz pouco tempo, há cerca de quatro anos, e confesso que na época, não fez muito sentido para mim na questão pessoal. Mas hoje, vendo mais sobre essa filosofia, fiquei perplexa de, como sem perceber, justamente de quatro anos para cá, tenho vivido a filosofia Wabi-Sabi.

Vou explicar.

Wabi-Sabi é a arte da imperfeição. Imperfeição em tudo. E isso é muito intrigante, porque vivemos num mundo que tem uma filosofia totalmente contrária a essa, a filosofia da perfeição.

O Wabi-Sabi nos faz ver beleza nas coisas imperfeitas, incompletas e transitórias. Significa aceitar a imperfeição e a irregularidade como atributos de beleza.

 

Wabi – simplicidade, elegância, rústico;

Sabi – beleza da idade, do tempo, do desgaste;

 

Podemos viver essa filosofia quando nos desapegamos de todo esse conceito do que hoje significa o belo e o necessário.

Quando paramos para pensar que todas as pessoas são imperfeitas, nos certificamos que a imperfeição faz parte do nosso ser, da nossa existência.

E, chegando nos meus 40 anos, percebo que, além de imperfeito, tudo é transitório, desde as coisas materiais até nós mesmos.

Viver o Wabi-Sabi é aceitar a transitoriedade e a imperfeição.

Observando essa filosofia maravilhosa, percebi que a imperfeição nos faz únicos. A beleza da vida é aceitar sua imperfeição, suas mudanças e entender a beleza dentro disso tudo. Um rosto que não esconde expressões e um corpo que não disfarça marcas do tempo, tem belezas indescritíveis e que nos fazem perceber que temos uma história, que vivemos momentos, e, que, todos esses momentos nos deixaram lembranças e marcas diferentes de outras pessoas, que têm suas próprias marcas das suas próprias lembranças.

Isso se mostra numa coisa simples, como a caneca de chá que seguro agora em minhas mãos. Ela tem uma ‘lasquinha’ na sua lateral. E essa é a minha caneca. Quando alguém pega essa caneca, sabe que ela é minha, porque, mesmo sendo da cor e formato de todas as outras que estão no armário, ela, em especial, tem uma ‘lasquinha’ que a torna única e inconfundível!

Fiquei mais uma vez pasma com tudo isso!

Há pouco mais de um ano, aceitei meus cabelos brancos. E hoje, meus fios grisalhos são lindos para mim! A cor é imperfeita, fazendo que meu cabelo seja exclusivamente meu! Recebo diariamente fotos de pessoas que resolveram assumir seus brancos também, e, nenhum cabelo é igual. Cada uma tem sua cor, o seu grisalho.

E, o mais importante de tudo é que, quando me vejo diariamente no espelho, fica evidente para mim que tudo nessa vida é transitório e me faz aceitar esse ciclo do tempo, sabendo que essas marcas e transitoriedades no meu corpo resultam do fato de que eu existo, de que eu vivo e que eu vivo.

Dentro dessa transitoriedade da vida, automaticamente passamos a nos desapegar de tudo o que não nos é necessário, em todos os aspectos, tanto no material como no espiritual. Faz todo o sentido, não é mesmo?

Quando você aceita que tudo tem seu ciclo, inclusive nós mesmos, passamos a viver com o que nos faz bem, nos acrescenta e nos realmente é necessário.

Minha mesa de jantar hoje, foi feita pelo meu marido com uma madeira rústica, para que fiquemos livres para colocar o que quisermos em cima dela. Panelas quentes e um líquido que cai não me causa preocupação. Gosto das marcas que nela estão ficando, a deixando com história, com as marcas do tempo. A deixando imperfeita. A deixando cada vez mais nossa.

E as cadeiras usadas que compramos para acompanhá-la, que já vieram carregadas de história [para nós desconhecida], nos faz perceber que, na maioria das vezes, vamos primeiro e as coisas materiais ficam.

Para praticar essa filosofia é primordial que você se desligue do mundo lá fora e de todos os conceitos que nos foram impostos. Acalmando a alma, poderemos conseguir ver beleza nas coisas mais simples e que estão bem à nossa frente, no dia-a-dia, na simplicidade da vida.

É um processo diário e constante, afinal, tudo está no seu movimento.

Você vai perceber como o simples te preenche em absoluto e o quanto te surpreende constantemente. E mais que tudo, se sentir feliz por ser imperfeito e exclusivamente único.

 

Wabi-Sabi –  arte de encontrar beleza na imperfeição e profundidade da natureza, aceitando o ciclo natural da vida. Reverencia a autenticidade acima de tudo. Admira todas as marcas que o tempo, o clima e o uso deixaram para trás. Isso nos relembra que todos somos transitórios nesse planeta, que nossos corpos, bem como o mundo material à nossa volta, estão no processo de retornar de onde tudo e todos nós viemos.

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Rubia Wakizaka

Rúbia Mara Andrade Felisberto Wakizaka é guaçuana e há três anos mora em Lake Mary [Flórida]. É casada com o empreendedor Fabio Wakizaka e mãe de dois filhos, Ichiro e Kenzo. Fala inglês fluente, é artesã e culinarista. Nos Estados Unidos, trabalha na área digital como bloguer e youtuber, trazendo experiências do setor de craft, abrangendo técnicas de costura, bordado e crochê, por meio do seu canal ‘Faça-Você-Mesmo’.

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3 thoughts on “A imperfeição nos faz únicos”

  1. Oi, Rubita!
    Maravilhoso texto!
    Encontrar a beleza na imperfeição.
    O texto de hoje mostra realmente com é você!
    Sempre te seguindo!
    Bjs!
    Alba Antonia

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