Quinta-feira , 21 Setembro 2017
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Adaptação escolar um processo de troca, afeto e conquistas

Inicio mais um artigo acreditando que todo discurso, mesmo apoiado em abordagens teóricas, às vezes distintas, deve ser apenas disparador de conversações e assim proporcionar significados particulares. E essa será novamente minha proposta: gerar possibilidade de novas reflexões.

Quando fui coordenadora da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, pude vivenciar por diversas vezes, o período de adaptação escolar e a manifestação de diferentes comportamentos e sentimentos nas crianças, nos pais, familiares e até mesmo na equipe pedagógica.

Compreendo que o processo de adaptação se inicia quando o desejo dos pais ou a necessidade de buscar uma escola para seu/sua filho[a] se torna algo viável e importante. O início da vida escolar é um acontecimento significativo para toda a família, gerando desafios que podem estar acompanhados por sentimentos como: medo, desconfiança, culpa, insegurança, mas também de alegria e entusiasmo.

São muitas as perguntas que emergem neste período, tais como:

*E se a criança chorar?

*Posso ficar com meu filho? Até quando?

*O que fazer para que a criança não sofra com a separação dos pais?

*Minha filha chupa chupeta, e às vezes dorme à tarde, como deve ser feito para se adaptar melhor?

Em primeiro lugar, para que esse processo se torne um momento satisfatório é preciso a preparação de todos os envolvidos, começando pelos profissionais da escola que devem conversar, planejar estratégias para atrair o interesse das crianças, ter o apoio de toda equipe e assim se sentirem seguros para então, acolherem bem.

A família também precisa se preparar, pois permitir que a criança saia para o mundo é um processo que primeiro precisa ser assimilado pelos pais. As reações à separação são comuns, complexas e variáveis. É necessário, que os pais confiem na criança, que será capaz de superar esse desafio e assim adquirir recursos para lidar com situações parecidas.

É indispensável que a família sinta segurança no ambiente escolar em que deixará seu filho. Outro aspecto é considerar a singularidade de cada criança. É muito comum comparações com as reações de outras crianças com as de seu filho, o que não contribui para a permanência do mesmo ali.  Por exemplo, a criança que tem irmãos em idade escolar, pode se adaptar mais rapidamente, dos que não têm, mas isto também não é uma regra para todas as crianças com irmãos mais velhos.

Neste período, elas podem chorar e se assustarem, pois estarão num ambiente povoado por pessoas desconhecidas, onde as relações, regras e limites são diferentes das que estão acostumadas.

Desta forma, é importante destacar que o diálogo entre os envolvidos marca o processo, por isso, os ‘combinados’ precisam ser feitos e cumpridos. A mentira não deve ser um recurso utilizado, portanto, não minta para a criança, porque isso pode propiciar ainda mais insegurança. Apenas tranquilize-a afirmando que tudo ficará bem, aceite e compreenda os sentimentos manifestados.

Outro aspecto a ser considerando é que o período de adaptação escolar pode acontecer em tempo e maneira diferentes da rotina escolar e gradualmente. Então, organizar para que algum familiar ou pessoa que a criança confie possa ficar um pouco na escola até que ela se sinta mais segura e forme novos vínculos.

Também é importante visitar a escola para conhecer o espaço, se possível,  em época de aulas para ver as outras crianças brincando e interagindo com os professores.

Outra dica é que no início, não há necessidade de quebrar hábitos e costumes que faz parte de sua rotina, assim os famosos ‘objetos transicionais’ como: paninhos, chupetas, brinquedos… com significado especial para elas, podem ser levados para a escola, para proporcionar maior conforto emocional.

Considero importante ainda deixar que a criança mantenha seu jeito de ser e seus rituais para aos poucos se ajustar as regras do grupo, de forma que as ações possam proporcionar suavidade ao processo de adaptação, sem rupturas bruscas e desnecessárias.

Outro aspecto, até engraçado, era quando familiares saíam frustrados porque a criança não chorava ou nem ‘ligava’ para a sua ausência, o que contrariava a regra. O consolo era explicar que muitos, por não terem muito contato com crianças e/ou espaços maiores, podiam ver na escola oportunidades de exploração e relacionamentos diferentes, o que não significava falta de amor e afeto por seus entes queridos.

Bom, minha experiência, assim como tudo que li sobre adaptação escolar, mostra que o sucesso desse processo está relacionado a afetividade e confiança  presente nessa relação pais/filhos/educadores.

Como mencionei no início deste artigo, aqui temos uma parcela de muitos outros aspectos que poderiam ser explorados e, assim, convido outros profissionais, pais e educadores a colaborarem para que a reflexão se torne mais rica, perguntas e colocações podem ser direcionadas à Revista O Pólo.  Será um prazer poder continuar refletindo e aprendendo sobre essa temática.

Um grande abraço para todos os leitores. Desejo um ano letivo repleto de muitas conquistas e realizações e que esse período de adaptação seja apenas o marco para que se consolide uma excelente parceria entre família e escola e lembrem-se: acreditem no potencial das crianças e na capacidade de superação de todos os envolvidos. Sucesso!!!

Adriana Pereira Rosa Silva – Psicóloga Clínica, terapeuta infantil e familiar. É pós-graduada Psicopedagogia [Puccamp] e em Terapia Familiar e de Casal [Puc/SP].  Ministra palestras e cursos para pais e educadores.

Referências

Ortiz C. Entre adaptar-se e ser acolhido. In Revista: Avisa Lá, nº 2. Janeiro/2000.

Sartori. C.H.G. Entrada da criança na escola e período de adaptação. Campinas, SP: Editora Alínea, 2001.

Sobre Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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