Quarta-feira , 18 Outubro 2017
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Ansiedade, você já sentiu?

É interessante observar como a palavra ansiedade foi incorporada em nosso vocabulário cotidiano. O termo ansiedade significa: sofrimento de quem espera o que é certo vir ou impaciência.

Neste artigo pretendo expor o assunto para que possamos refletir sobre o significado deste tema e o desdobramento dessa emoção em nossa vida.

Frequentemente ouvimos: “Estou muito ansioso com esta viagem!” ou então “ Sou muito ansioso…gosto de resolver tudo muito rápido!”.  Mas também muitos mencionam com significado de dificuldade, de mal-estar e até mesmo de forma patológica, como por exemplo: “Fico tão ansioso que não consigo dormir ou comer!” ou “Minha ansiedade me impede de resolver meus problemas!”.

O que vemos atualmente é que esperar, na maioria das vezes, por algo se tornou algo sofrido e angustiante e a impaciência faz parte de nosso comportamento como sendo algo natural. Será que estamos impacientes na vida?

A vida moderna possui muitos estímulos e está sempre nos exigindo respostas ou decisões rápidas que muitas vezes nos leva a ficarmos mais ansiosos. Pressão no trabalho, conflitos familiares, cobranças sociais, instabilidade econômica e violência são alguns dos principais fatores do aumento de ansiedade na sociedade moderna.

A ansiedade parece algo quase inevitável nos dias de hoje, pois somos exigidos constantemente para buscar novos desafios e, isso, muitas vezes, nos causa a impressão de falta de tempo constante.

Não podemos desconsiderar que em alguns momentos somos tomados por uma ansiedade que nos motiva e que traz possibilidades, afinal, estar ansioso para uma entrevista de emprego, para uma viagem ou uma prova… faz parte do nosso cotidiano. Este tipo de ansiedade surge quando há uma razão, um evento importante, porém nestes casos, deve ser uma emoção administrável, passageira e controlável.

Mas, é importante sabermos diferenciar que estar ansioso na iminência de um acontecimento novo, importante ou motivador é normal, porém, quando esse sentimento se torna muito frequente e intenso, ocasionando um sofrimento constante e incontrolável, pode se caracterizar num transtorno.

Quando o nível de ansiedade é muito elevado, a compreensão do termo se torna algo muito mais complexo e desafiador. Nestes casos, o nível de tensão, angústia e medo é desproporcional e incontrolável e a pessoa tem a percepção de que está em perigo ou que está sendo ameaçada, de forma física, mental ou social.

A ansiedade é considerada por SILVA [2011] como o ‘mal dos tempos moderno’, reconhecida em muitos casos como um transtorno mental que pode dificultar e até inviabilizar a vida social e profissional de muitas pessoas.

Segundo estudos do Hospital das Clínicas de São Paulo, estima-se que 23% da população terá algum tipo de distúrbio ansioso ao longo da vida. Levantamentos da

Previdência Social [2016] mostram que os Transtornos Mentais já são a terceira razão de afastamentos do trabalho no Brasil. Neste contexto, a ansiedade e a depressão são um dos males que mais afetam as pessoas.

De acordo com a DSM-V [Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais], os principais sintomas dos estados ansiosos são o batimento cardíaco acelerado, a respiração ofegante, supervalorização no foco de medo, tensão muscular e insônia. No entanto, muitas pessoas podem manifestar outros sintomas mais ou menos evidentes, como suores, tremores e confusão mental.

Em casos graves a ansiedade pode evoluir para um quadro de Transtorno de Pânico. Os ataques de pânico são súbitos, e esses sintomas citados acima, são tão fortes que a pessoa tem a sensação de morte iminente.

Nestes casos, as pessoas evitam lugares comuns como lojas e supermercados. Na maioria das vezes, deixam  de frequentar esses lugares porque acreditam que com isso evitarão as crises, já que lugares muito movimentados podem ser desencadeadores das mesmas.

Quando a ansiedade é elevada ou intensa e a pessoa não mais controla os sintomas é necessário tratamento psicoterapêutico e muitas vezes medicamentoso. A psicoterapia, nesses casos, funciona como um espaço de compreensão das causas, ajudando a prevenir e controlar sintomas, assim como melhorar e restabelecer a qualidade de vida. A medicação por meio de seus componentes químicos, pode em um primeiro momento minimizar o sofrimento psíquico e favorecer a diminuição dos sintomas.

Superar a ansiedade como um transtorno é um processo… leva tempo, exige paciência, determinação e tratamento adequado. Contudo, esses quadros são tratados e na maioria das vezes obtemos controle e cura.

Entender o limite de cada um, lidar com os medos e preocupações, viver cada coisa a seu tempo pode ajudar com que lidemos melhor com nossa ansiedade! A prática de atividade física, exercícios que melhorem a respiração, lazer e hobbies também podem contribuir para a diminuição do quadro.

Assim, considero importante que as pessoas possam estar atentas às manifestações de comportamentos ansiosos e avaliar a necessidade de ajuda profissional, compreendendo que quando o tratamento correto se inicia logo nos primeiros sintomas, melhor será os resultados positivos de enfrentamento.

Desejo que este artigo possa ajudar na compreensão desta emoção e na possibilidade de buscar ajuda profissional, se necessário.

BIBLIOGRAFIA:

FERREIRA, A.B.H. Mini Aurélio: o minidicionário da Língua Portuguesa. Curitiba: Positivo, 2004.

SILVA, A.B.B. Mentes Ansiosas: medo e ansiedade além dos limites. Rio de Janeiro: Editora Fontanar, 2011.

Associação Americana de Psiquiatria (2013).Manual de Diagnóstico e Estatístico de transtornos Mentais (5 ed.).Arlington, VA:. American Psychiatric Publishing.

HUECH,C. Sobre a ansiedade.

Disponível em: https://www.google.com.br/amp/super.abril.com.br/saude/sobre-a-ansiedade/amp/.

Acesso em 31 de outubro 2016.

Artigo assinado, de revista.

Flávia A. Lima – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual.  É coordenadora de grupo de apoio para religiosos. Ministra palestras e cursos para pais e educadores. Formada pelo Programa Internacional em Práticas Colaborativas e Dialógicas/Houston Gabeston Institute [Texas] e Taos Institute [Novo México].

Sobre Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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