Sábado , 19 Agosto 2017
Últimas Publicações
Home / Social / Aos mestres com carinho

Aos mestres com carinho

Ser professor é um dom, uma profissão ou dedicar-se sem medir esforços?

E para comentar da nobre carreira, O Pólo reuniu no sábado, 20 de agosto de 2016, professores de várias gerações para um bate-papo no intuito de analisar e discutir de forma abrangente as diferenças e evolução do sistema educacional ao longo do tempo até hoje, fazendo um paralelo de como a educação se modificou da escrita do giz no quadro negro com a era da informática.

Participaram do encontro os professores Pedro Lúcio da Silva, Lucinda Andrea Gourlat de Oliveira, Maria de Lourdes Ribeiro, Regina Lavra Sanvido, Sonia Fernandes Bueno, Therezinha Perez e Vera Lúcia Godói Bueno, que por cerca de uma hora e meia, trocaram informações e contaram histórias que fizeram valer cada ensinamento transmitido com amor e carinho ao próximo.

Dom ou profissão

De acordo com os professores, os dois caminham juntos porque todos estudaram e foram preparados para serem profissionais. Porém, é necessário o dom que permite se doar de coração para cada aluno.  Para o grupo, ser professor é ter responsabilidade, compromisso e valorizar-se acima de tudo dentro da sala de aula.

“O professor não para de aprender nunca na busca de novas informações para estar especializado sempre com o seu tempo. Aí entra o dom. Se não gostarmos e amarmos o que fazemos, fica mais difícil pelos obstáculos que encontramos pelo caminho. Mas a cada conquista, a força se renova e conseguimos recomeçar”.

Respeito

Comparando o relacionamento professor x aluno com os dias atuais, dizem que antes era uma relação formal e muito respeitosa e no presente o comportamento se perdeu.

“O aluno que se levantava quando o professor entrava na sala não existe mais. O contexto é outro e temos que lidar com cada situação. Temos que ter autoridade, sem autoritarismo. Mas o professor tem que definir as regras e a forma de trabalho”.

Segundo eles, isso se deve as mudanças sociais como os pais trabalharem o dia inteiro e sentirem-se ‘culpados’ em não dedicarem a atenção devida aos filhos.

“Antes, o relacionamento dos professores era distante. Era passar a matéria e pronto. Nesse tempo, estamos mais presentes, tentando ajudar em todos os aspectos. Hoje, a relação é mais afetiva”.

Era da informática

É nítido que a modernização está acessível no dia-a-dia das crianças e fato que a informática entrou nas salas de aula.

“A tecnologia está presente. Como professores, tivemos que adequar isso e usar o potencial dela para o aprimoramento dos nossos alunos. A multimídia é uma ferramenta e temos que usar os recursos como cinema, teatro e jogos para que o aluno evolua”.

No entanto, a maioria ainda utiliza o giz e o quadro negro. “Não são todos os alunos que tem facilidade com a informática e o aprendizado. Por isso, o giz e quadro negro são úteis. É esse aluno que precisa muito de nós, os professores”.

Valorização

A página triste do magistério é o valor que se perdeu pela categoria por parte dos alunos e da sociedade. “Os alunos sabem seus direitos, mas esqueceram dos seus deveres”.

Entre os exemplos da desvalorização, citam que hoje, os pais não sabem o nome do professor, a sala que o filho estuda e nem série de aprendizado da criança. Comentam da importância do resgate da sociedade em relação aos professores, sendo necessário um olhar de carinho e solidariedade com cada profissional.

“Há muita desvalorização. Para mudar essa estrutura, é preciso o respeito do governo e da postura das pessoas verem que os professores são para ensinar e não para fazer milagres. As famílias precisam ser mais comprometidas com a educação dos filhos”. 

ESPECIAL APAE

Alunos especiais: Dedicação permanente

WhatsApp Image 2016-08-30 at 14.58.42“São 25 anos dedicados e doados como professora da Apae [Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais]. Porém, são duas décadas e meia de realizações maravilhosas”, conta a professora Sonia Fernandes Bueno.

Para ela, o desafio como mestre de alunos especiais é todo dia. “O desafio ainda maior é torná-los mais independentes, prontos para conviver bem, com a família, vida social e inseri-los por onde passam”.

No início da carreira, Sonia Fernandes Bueno diz que chorou diversas vezes porque foram muitos os obstáculos e relembra uma história do pai já falecido, Nelson Fernandes.

“Um dia cheguei em casa chorando e triste. Meu pai me falou se realmente era isso que eu queria para a minha vida. Respondi que foi a profissão que escolhi e tinha que honrar o dom que Deus me deu”.

Hoje, mais experiente comenta que “o trabalho consiste em tratá-los como pessoas e educá-los para a vida, ensinando habilidades compatíveis com a idade de cada um, a se comunicarem com o mundo externo e fazê-los mostrarem seus desejos e interesses para que possam ter um comportamento adequado”.

Segundo a professora, dois fatores importantes contribuíram para que o trabalho educacional da Apae alcance as metas traçadas pela equipe educacional da associação: a chegada da informática às salas de aulas e o apoio da família.

“Utilizo materiais, jogos e atividades com mais funções cotidianas para torná-los mais independentes. A informática tem ajudado na busca de mais informações, facilita nas pesquisas e na minha atuação em sala”.

A professora também não usa mais o quadro negro e, sim, painéis com figuras para comunicação alternativa, nos quais, os alunos entendem o que vão fazer durante o período de aula, ficando assim, mais organizados.

Em relação à participação da família no processo de ensino fala que o professor não consegue fazer tudo sozinho e a colaboração dos pais e familiares é primordial, assim como, da equipe pedagógica, multidisciplinar e dos médicos especialistas para que tudo funcione bem e obtenha sucesso.

Mesmo com os desafios diários, para Sonia Fernandes Bueno os frutos colhidos com 25 anos de carreira compensam tudo.

“As concretizações são constantes. Aprendi a valorizar cada sorriso e gestos que os alunos demonstram, até quando chegam em sala, se sentam e sabem esperar sua vez é uma conquista. Através da comunicação alternativa, o aluno consegue passar aquilo que deseja e realizar uma pequena tarefa para eles é muito gratificante”.

 “Hoje, nós professores conseguimos conquistar e efetuar melhor nosso papel com os alunos especiais”, diz Sonia Fernandes Bueno

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *