Quinta-feira , 14 Dezembro 2017
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Aos professores, o nosso afeto!

Foto: Otávio Bueno

‘Por que fazemos o que fazemos?’. Este é o título de um livro de Mario Sergio Cortella que recentemente ganhei de meu esposo. O nome da obra me chamou atenção e antes mesmo de iniciar a leitura, dúvidas e respostas começaram aparecer.

Indagações sobre nossos propósitos e valores são necessárias para compreendermos nossos objetivos e razões pelas quais fazemos ou deixamos de fazer determinadas coisas em nossa vida. Eu acredito que toda vez que nos voltamos para essa análise lembramo-nos dos personagens que compõem nossa história e que contribuíram para o enredo da mesma, por exemplo, nossos professores.

Estamos em outubro, mês em que se comemora o ‘DIA DO PROFESSOR’, uma data importante para simbolicamente homenagearmos aqueles que admiramos, aqueles que nos acolheram, ensinaram, amaram, que temos guardado com carinho em nossa memória e a quem devemos todo nosso respeito.

O primeiro professor, o alfabetizador, o sábio, o engraçado, o elegante, o exigente, o carinhoso, o humilde, o solidário, o revolucionário, o louco … são alguns dos adjetivos que tornaram-se substantivos próprios na lembrança da  tia Carmem, Dona Nilza, Fina, Suzette, Edson, Alba, Rui, Suely, Peli, Marilene, José, Maria… e outros mais que com certeza estão em um dos capítulos de nossa  formação.

São os professores que fazem ou fizeram a diferença na vida de muitas crianças e adolescentes que homenageio neste artigo e em especial a professora Helley Abreu Batista que deixou seu nome honradamente marcado após salvar várias crianças numa tragédia recente em Janaúba [MG], mostrando a todos que a tarefa do professor é muito mais que ensinar conteúdos, neste caso específico, lembraremos como a professora heroína e que com seu gesto, demonstrou todo o amor por seus alunos.

Já dizia, de forma poética e política, o nosso grande mestre Paulo Freire, que para ensinar exige querer bem os educandos, que a coragem de querer bem aos alunos é a própria prática educativa, o que não significa que o professor vai querer bem a todos os alunos de maneira igual, mas que afetividade deve estar presente na ação, porque sem ela, não há um compromisso efetivo na relação docente e discente, uma prática específica do ser humano.

Eu concordo quando o autor afirma que é preciso descartar como falsa a separação radical entre seriedade docente e afetividade, compreendendo também que não se deve permitir que a afetividade interfira no cumprimento ético do dever do professor, no exercício de sua autoridade, ou seja, não basta ser professor bonzinho para ser um bom professor, mas não podemos separar o afeto do processo de ensinagem.

Assim:

Ensinar e aprender não podem se dar fora da procura, da boniteza e da alegria”. [Paulo Freire, 1996].

Pesquisas realizadas com jovens vencedores, mesmo vivendo num contexto social, econômico e afetivo precário que poderiam ter suas histórias marcadas por fracassos, trazem em seus depoimentos a lembrança de professores que com ações e afeto ressignificaram suas histórias, transformando-os em pessoas resilientes e capazes de mudar a realidade na qual estavam inseridos.

Para Freire [1996], talvez a vocação seja uma força misteriosa que explica a quase devoção com que a grande maioria do Magistério permanece cumprindo com seu dever, apesar da imoralidade dos salários e a desvalorização da categoria. Também ressalta que mesmo permanecendo amorosamente cumprindo o seu dever o professor não pode, assim como toda comunidade, deixar de lutar politicamente por seus direitos e pelo respeito à dignidade de sua tarefa.

Outro aspecto destacado pelo autor, é que a prática educativa vivida com afetividade e alegria deve estar ao lado da formação científica séria e da clareza política dos educadores. Sendo assim, essa linda missão ou vocação é uma prática que contém afetividade, alegria, conhecimento, técnica, responsabilidade, consciência política, persistência e, acima de tudo, esperança.

É … não podemos perder a esperança.

Em minha história, sempre me orgulhei de poder ter escolhido ser professora e mesmo após buscar novos sonhos e me tornar psicóloga, carrego comigo a certeza da importância desse papel. Podemos sim fazer a diferença na vida de muitos alunos, inspirar e ressignificar suas narrativas.

Meu agradecimento a todos os meus queridos professores, aos do meu filho, aos amigos e parceiros de trabalho e aos que hoje me acolhem para juntos auxiliarmos nossas crianças e adolescentes a superarem suas dificuldades.

Deus os abençoe e os proteja para que sua vocação seja exercida com muito afeto, sabedoria, determinação, esperança e reconhecimento.

FELIZ DIA DOS PROFESSORES !!!!

Bibliografia:

CORTELLA M.S. Por que fazemos o que fazemos: aflições vitais sobre trabalho, carreira e realização. 1 ed. – São Paulo: Planeta, 2016.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

Adriana Pereira Rosa Silva – Psicóloga Clínica, terapeuta infantil e familiar. É pós-graduada Psicopedagogia [Puccamp] e em Terapia Familiar e de Casal [Puc/SP].  Ministra palestras e cursos para pais e educadores.

Sobre Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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