Quarta-feira , 18 Outubro 2017
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Após 25 anos envolvido com drogas, homem supera vício

Quando criança, ele ficou bêbado pela primeira vez. Hoje, realiza trabalho para recuperar outros dependentes químicos

“Eu conto a minha história, de como consegui enfrentar esse processo e como foi bom para mim. Não dou receitas”, relata Flávio Humberto Diaz, 44, cidadão que se livrou da dependência química há quatro anos.

“Venho de uma condição que perdi o controle da minha vida. Usei álcool, maconha, cocaína, crack e chá de cogumelo. Só não usei drogas injetáveis”.

Em 2011, Diaz não agüentou a situação que vivia, pediu ajuda familiar e se internou para desintoxicar. Desde então, se tornou um novo homem e, atualmente, trabalha na comunidade terapêutica Santa Carlota do Instituto Bairral [Itapira], ajudando outros dependentes na superação do vício.

No instituto, o guaçuano convive com 100 residentes na faixa etária entre 18 a 70 anos. Segundo ele, a metodologia do trabalho tem como base a reorganização ‘bio-psico-sócio-espiritual’. “Como o nome diz, trabalhamos as quatro áreas fundamentais para a sobrevivência humana: biológica, psicológica, social e espiritual”, comenta.

Explica que o perfil dos internos em sua maioria é de dependência do crack. “São pessoas que usaram múltiplas drogas. Muitos vêm das áreas de cracolândia de São Paulo, mas têm também, muitos que vieram de outras regiões do Brasil”.

Diz que para trabalhar com dependentes químicos ninguém melhor do que um ex-viciado. “A linguagem é direta porque um entende o outro, assim como, a situação em que cada um se encontra”.

O Bairral faz atendimentos específicos direcionados para a área de psiquiatria e a comunidade terapêutica Santa Carlota é um ‘braço’ desta clínica hospitalar que realiza o trabalho com usuários de drogas.

A comunidade terapêutica itapirense é mantida pelo SUS [Sistema Único de Saúde] e os internos não têm custo com a estada.

Dando continuidade a sua própria recuperação, Flávio Humberto Diaz estudará a partir de 2016, o curso de Psicologia na Faculdade Municipal Franco Montoro.

 

As drogas

O vício de Flávio Humberto Diaz começou com nove anos de idade, quando tomou o primeiro ‘porre’ de sua vida e menciona que na ocasião acreditou ser a coisa mais linda e maravilhosa que já tinha feito.

“Tomei dois copos de cerveja e chapei, a ponto de ir para casa e avisar meu pai que estava bêbado. Meu pai me deixou constrangido e quase me agrediu”, relembra.

Conta que o motivo de se embriagar tão criança era porque via em festas da família ou eventos sociais, que as pessoas ficavam muito descontraídas depois de consumirem álcool e tinha certeza que essa era a razão de tanta alegria e felicidade alheia.

“Veja que inocência achar que a bebida podia transformar alguém em legal e contente”.

Depois de ser repreendido pelo pai, passou a beber escondido e sempre aumentava as doses de bebida. “Comecei a ter uma sensação de liberdade e buscava a alteração da mente para me sentir livre”.

Com 15 anos, percebeu que o álcool não era mais tão eficiente e resolveu fumar o seu primeiro ‘baseado’. Da maconha passou para a cocaína, chá de cogumelo até chegar ao crack. E, nesse processo, foram 25 anos consumindo drogas pesadas.

O ápice da dependência química aconteceu durante oito anos quando parou de trabalhar, namorar e de ter convívio familiar e social.

“Passei a ficar até 15 dias na rua e não sentia fome, sede ou cansaço. Quando eu lembrava, bebia um pouco de água. Até as necessidades fisiológicas ficavam em segundo plano. Só queria drogas cada vez mais”.

No período, conta que sobreviveu graças aos ‘companheiros’. “Quem tinha drogas era meu melhor amigo. Se não tinha nada, a pessoa não servia para mim. Eram egocentrismo e dupla personalidade da minha parte”.

Quando se ateve que estava sem o controle de sua vida e relacionamento social com mais ninguém, enxergou que estava no fundo poço e pediu ajuda.

“Se o drogado não aceita a sua condição, não conseguirá sair da dependência. Graças a Deus, eu vi isso a tempo”.

Ele passou nove meses internado e ao sair nunca mais sequer tomou um copo de cerveja. “Se eu fizer isso, estou me traindo, porque nunca a gente para no primeiro.”

Flavio Humberto Diaz aceitou conceder entrevista a O Pólo para mostrar a sociedade que é possível se recuperar e ser uma pessoa honrada e digna.

“Que a minha superação sirva de exemplo para os cidadãos acreditarem no futuro e ter fé e esperança que o ano de 2016 será muito melhor para todos”, conclui.

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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