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Autismo: você conhece?

Foto: Otávio Bueno

Em 2007, as Nações Unidas instituiu que o dia 02 de abril é a data oficial de comemoração do Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Desde então, há dez anos, várias manifestações foram realizadas como forma de mostrar que o transtorno precisa ser pensado com muita seriedade e, que, o mesmo não escolhe raça, cor, condição social e religião.

“O autismo é considerado um transtorno comportamental com etiologias múltiplas e parte de um distúrbio de desenvolvimento. Ele é caracterizado por um déficit social visualizado pela inabilidade em relacionar-se com o outro, usualmente combinado com déficits de linguagem e alterações de comportamento”, cita a psicóloga Cassiana Amaral de Oliveira, 33.

Graduada pela Fundação Hermínio Ometto, instituição que fez também a sua Especialização na Abordagem Comportamental Cognitiva, a guaçuana é a psicóloga responsável pelo programa Campo dos Girassóis da Associação Fonte Viva.

O foco de desenvolvimento da Fonte Viva é promover a qualidade de vida aos indivíduos que apresentam esse transtorno. Além disso, visam todo acolhimento familiar e capacitação dos mesmos para melhor condução de manejos necessários para melhorias na convivência.

Desde 2003, a entidade atua em Mogi Guaçu e região capacitando os indivíduos com as características do espectro do Autismo. O atendimento é gratuito e de forma integral, graças aos convênios municipais.

“Por meio dessa verba, oriunda das prefeituras de Mogi Guaçu, Mogi Mirim e Itapira, conseguimos o subsídio de uma parte dos custos para o atendimento. A outra metade, nós conseguimos com os recursos próprios como eventos e doações”.

Autismo

O transtorno é decorrente de uma vasta gama de condições pré, peri e pós-natais. As principais áreas afetadas pelo quadro diz respeito ao que chamamos de tríade, já que, segundo estudos, é possível perceber aspectos bastante deficientes na comunicação, na interação social e no comportamento, aspecto este que rege a maioria das problemáticas envolvendo o transtorno.

“Do ponto de vista da Medicina, se conseguiu distinguir o Autismo de outros problemas mentais. Vários cientistas, profissionais envolvidos com a causa, médicos, familiares de modo geral, lutam perante o Poder Público e Jurídico pelo reconhecimento do transtorno para que leis possam ser criadas para respaldar o atendimento humanizado”.

Como fatores determinantes que envolvem o transtorno, o mais importante é que os autistas possam ter acessos a atendimentos multidisciplinares. “Não basta que uma equipe tenha o mesmo objetivo. É necessário que dependam uma das outras para que o objetivo seja alcançado e requer o compartilhamento de informações”.

Segundo ela, para a família muito mais que aceitar, necessita participar de maneira efetiva e se envolver com as terapêuticas para que o prognóstico seja o melhor. “Parceria entre a equipe multidisciplinar e a família precisa existir para que o trabalho ocorra com bons resultados”. 

Entidade regional

Cassiana Amaral de Oliveira conta que os atendimentos da Fonte Viva são organizados de acordo com a necessidade das áreas defasadas do comportamento, interação social e a comunicação.

“Dentro dessas áreas, buscamos as atividades de estímulos necessários, visando às adequações que os indivíduos com autismo não conseguem realizar por si só”.

Sendo assim, há atendimentos com fonoaudióloga, terapeuta ocupacional [integração sensorial], psicóloga, pedagoga e educador físico. Cada técnico executa intervenções visando aquisições dentro de sua respectiva área.

“A equipe sempre busca discutir os quadros clínicos com o objetivo de esquematizar os planejamentos necessários perante a conduta das atividades”.

Entre às terapias da entidade existe a sala de integração sensorial que concentra as atividades relacionadas às dificuldades sensoriais. “Dentro dessa proposta, apresentamos as possibilidades de autoregulação dos sentidos a partir da permanência do indivíduo nos aparelhos e atividades terapêuticas executadas. Em caráter voluntário, para os autistas, somos o único local que disponibilizamos esse tipo de abordagem”.

Direitos

Em 27/12/2012 foi sancionada a Lei Berenice Piana – 12.764 -, que dispõe que todo indivíduo que apresente as características do espectro autista têm seus direitos assegurados no que diz respeito ao atendimento necessário, em quaisquer espaços.

Desta forma, na escola quando um autista apresenta condições de frequentá-la, ele tem direito a um profissional de apoio ou auxiliar de sala. “A pessoa que desempenha esse papel é considerada uma peça fundamental no processo de construção e organização para esses indivíduos inseridos no ensino regula”.

Espectro

“Falamos em espectro, porque justamente quando lidamos com o autismo nos deparamos com uma analogia bastante fácil de entender tamanha complexidade”, explica Cassiana Amaral.

E exemplifica: “quando vamos pintar nossa casa e nos dirigimos até a loja de tintas para comprar a cor escolhida, sempre nos é apresentado uma cartela com vários tons de cores, do mais claro ao mais escuro. É exatamente dessa forma que enxergamos as diferenças dentro do espectro do autismo, como um leque de possibilidades, que vai do quadro com características bastante sutis até os quadros bem agravados”.

Por conta, desses fatores que o atendimento na Fonte Viva necessita ser pensado de maneira individual, sendo preciso analisar as capacidades de limitações de cada um.

“Temos que considerar a importância do trabalho em rede e sem o apoio público, não seria possível o oferecimento das condições mínimas de atendimento. Mas ainda hoje, percebemos pouco engajamento e envolvimento da sociedade de modo geral, na compreensão das necessidades dos autistas”.

Tratamento

O trabalho da Associação Fonte Viva é elaborado com os programas de acordo com as faixas etárias, sendo assim:

*Crianças a partir de dois anos, permanecem na estimulação precoce recebendo estímulos para possíveis correlações no desenvolvimento. Nesse período, as visitas escolares são regulares, visto que a maioria está inserida nesse ambiente, além das orientações aos familiares. As crianças permanecem 3h em esquema de revezamento, analisando a quantidade e a necessidade da atenção individual;

*Após os seis anos, as crianças passam a ser atendidas no programa Nesa II, no qual as necessidades conforme vão havendo as aquisições se alteram, até por conta da idade. Algumas ainda permanecem no ensino regular. Os assistidos no programa frequentam de segundas às sextas-feiras durante todo o período vespertino;

*Com 12 anos, os assistidos migram para o programa Campo de Girassóis, que se localiza na Chácara São Marcelo, Mogi Mirim. Lá a permanência é garantida até a idade adulta, já que o autismo não tem cura e o prognóstico dessa faixa etária para alguns casos são mais agravados, levando-se em consideração a presença da deficiência mental. No período, os atendidos  permanecem na Fonte Viva em todas as sextas-feiras à tarde.

*Há também o Programa Um Novo Tempo, que oferece aos indivíduos que apresentam características mais sutis do transtorno: Síndrome de Asperges. Eles frequentam o atendimento em esquema de revezamento durante a semana inteira. Uns no período matutino e outros no vespertino, mas sempre respeitando o contra turno das escolas.

 

Dados

Segundo a OMS [Organização Mundial de Saúde], sabe-se que a população autista pode chegar a 70 milhões em todo mundo.

Desta parcela mundial, dois milhões de indivíduos são do Brasil. A estimativa gira em torno de 1 para 68 nascimentos. “Não há nenhum estudo científico que comprove os números. Os dados são provenientes do site da ONG Autismo e Realidade. Prevalência de quatro meninos para uma menina, inclusive por essa questão, é que a cor escolhida para representar a causa do Autismo é a azul”.

Sem apoio

Mesmo diante de tantas manifestações, o assunto é pouco discutido no dia-a-dia da sociedade brasileira. De modo geral quando a questão é lutar pelos direitos dos autistas, a causa sempre depara com divergências e muita falta de informações, o que acarreta em resoluções ou tomada de atitudes, sem caráter humanizado.

“Infelizmente, a nossa sociedade carrega inúmeros ‘pré-conceitos’ para com os deficientes. As pessoas precisam ter em seus pensamentos e corações, o sentimento de que a condição das deficiências pode acontecer em qualquer família. Se solidarizar com o problema do próximo, nos faz melhor. Sabemos que somente assim teremos uma sociedade mais justa e humana”.

02 de abril

Para conscientizar a população, em pontos turísticos  do Brasil como o Cristo Redentor [RJ] será iluminado com a cor azul, para participar da celebração mundial.

Amanhã, a Associação Fonte Viva realizará em Mogi Mirim o ‘Sábado Azul’, com a intenção de divulgar ainda mais o Autismo. Haverá caminhada com os assistidos e seus familiares e panfletagem pelo centro de Mogi Guaçu, como tentativa de promover informação sobre o transtorno.

Contribuição

A Associação Fonte Viva necessita em caráter de urgência de muitas doações e de quaisquer gêneros.

As doações podem ser realizadas na sede da entidade localizada na rua Dr. Luiz Anhaia

Melo, 25, Centro, Mogi Guaçu ou por depósito bancário:

Santander

Agência: 0181

C/C: (13) 01973-8

Para entrar em contato:

Telefone: (19) 3891.8636

E-mai: associacaofonteviva@hotmail.com

Facebook: Associação Fonte Viva

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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