Mercado

Compra, venda e locação de imóveis

São necessários anos de paciência para obter sucesso

“É um ramo lucrativo, mas é necessário ter paciência no que se refere ao mercado de locação e administração de imóveis. São muitos anos para que se estabeleça e para formar uma carteira de imóveis de aluguel. Já o mercado de compra e venda de imóveis tem um fluxo mais rápido e é bastante lucrativo”, comenta a advogada e corretora de imóveis Fernanda Marques Lima Vendramini, 38.

A empresária dirige a imobiliária da família que tem 37 anos de atuação em Mogi Guaçu e Região. “Ambos são lucrativos porque todos precisam de imóveis, seja para morar ou para montar seu próprio negócio. Mas, além disso, é certo que o mercado brasileiro é muito tradicional ainda, e quem não ouviu de pessoas mais velhas dizendo que o imóvel é um investimento seguro?”, explica.

Segundo ela, é mesmo um dos mais seguros que existem. “Vale lembrar que é uma personalidade do mercado brasileiro este investimento, tendo em vista a história econômica do Brasil com inflação alta e mercado econômico instável”, diz.

Confira as dicas deste mercado na entrevista concedida pela corretora de imóveis.

Qual a sua formação profissional?

Sou advogada e corretora de imóveis. Cursei a faculdade de Direito na Puccamp [Pontifícia Universidade Católica de Campinas] há 16 anos. Sou pós-graduada em Gestão Empresarial pela FGV [Fundação Getúlio Vargas] e Especialista em Contratos pela PUC-SP. Finalizando, me pós-graduei em Direito Processual Civil pela Faculdade de Direito Damásio de Jesus.

Há quantos anos a sua empresa está no mercado local e regional?

Estamos no mercado de Mogi Guaçu e região há 37 anos.

Em média, quantos imóveis a empresa administra?

Cerca de dois mil imóveis entre residenciais, comerciais e industriais.

Quantos funcionários colaboram com a empresa?

Temos 38 funcionários.

Qual foi a pior fase que a empresa passou?E como se superou dela?

Tivemos muitas fases difíceis, muitas das quais não presenciei, pois estou na empresa há 16 anos. Antes deste período, meu pai [Gildo Vendramini] era quem estava à frente da empresa. Mas a fase de inflação galopante foi a pior fase, com certeza, com remarcação de mercadorias em todo momento, aplicação de índices quase que semanais para reajustes de aluguéis, por conta da inflação e economia instável.

Atualmente, o mercado imobiliário está em uma fase difícil, mas por reflexo da crise política e econômica, que esperamos que melhore com a estabilidade do governo.

Como está para a empresa o ano de 2016?

No que se refere às locações de imóveis está em declínio. É certo que todos precisam morar, então, a locação de imóveis em termos de quantidade de imóveis alugados nem sempre se altera muito. Mas, há diversos casos em que a família vai morar com os pais ou muda-se para imóveis com aluguéis mais baixos, visando à redução de custos.

Em relação aos imóveis comerciais, temos visto há mais de um ano que tem aumentado a quantidade de empresas que fecham seus comércios por não conseguirem arcar com os custos de uma empresa aberta sem terem lucro. Reflexo da economia brasileira.

E, em referência a compra e venda de imóveis, estávamos com o mercado muito aquecido quando o crédito estava aberto e bastante favorável para a aquisição de imóveis. Com o aumento de juros e taxas pelos bancos nos financiamentos para compra de imóveis, é certo que houve uma queda, sem contar que muitas pessoas foram demitidas, impedindo a aprovação de financiamentos. Hoje, compra imóvel quem realmente tem dinheiro reservado.

E, 2016 em comparação aos anos de 2014 e 2015?

Sem dúvida o ano de 2015 foi pior do que 2014. Em 2014, o mercado estava bastante aquecido, o mercado de locação de imóveis estava em alta, muitos imóveis comerciais sendo locados e com o crédito aberto, possibilitando que a venda e imóveis também estivesse em alta.

Tudo começou a mudar no final do segundo semestre de 2014, com acentuadas quedas na desocupação de imóveis, especialmente comerciais, não ainda por falência, mas tendo em vista que os comerciantes já estavam sentindo a impossibilidade de continuar com suas atividades em pleno funcionamento.

O início de 2015 não foi diferente. As desocupações se acentuaram e os locatários de imóveis residenciais começaram a migrar para imóveis de aluguéis mais baratos. O ano passado todo foi muito difícil, com renegociações constantes de valores de aluguéis, solicitação dos locatários de se manter e muitas vezes reduzir os valores para continuarem cumprindo com suas obrigações.

Em termos de compra e venda de imóveis também houve uma grande redução em 2015, tendo em vista que com o aumento de juros bancários para o financiamento de aquisição de imóveis, o crédito se tornou reduzido, e houve cortes de programas como ‘Minha Casa Minha Vida’, e a venda caiu.

Que números atingiram em 2016 em comparação aos anos de 2014 e 2015?

Em 2016, a dificuldade permanece. As vendas se encontram aquém do esperado. A redução em compra e venda de imóveis em 2015 teve uma redução de 14% em relação a 2014, e de 2016 em relação a 2015, a redução foi de 38%.

A locação é mais estável. É certo, no entanto, que percebemos uma mudança de comportamento da população, que decide morar junto com outros membros da família para reduzir custos ou alugar imóveis mais baratos.

Com mudança do cenário político, que perspectiva a empresa tem para o futuro?

Somos uma empresa otimista sempre! Acredito que com a mudança de governo e ministérios, a estabilidade voltará a reinar sobre o Brasil, reconquistando a confiança da população e dos empresários no mercado brasileiro.

Muitos lançamentos de imóveis estão sendo feitos em nossa região, o que nos faz crer que, realmente, o otimismo não é apenas nosso, é de todos.

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Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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