Sexta-feira , 20 Outubro 2017
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Constituição sociológica

Foto: Otávio Bueno

A vida social é um padrão do individuo com a sociedade que ocorre por meio de suas relações. Estar em contato com os amigos, criar novos relacionamentos e interagir com as pessoas, faz com que os seres humanos saibam conviver em sociedade com responsabilidade e cumprir os seus compromissos.

Quando falamos sociologicamente de qualquer conceito referente a uma questão social, devemos analisar o contexto histórico e cultural do qual queremos nos aprofundar.

“Se formos analisar a importância da vida comparando as perspectivas orientais e ocidentais, percebemos muitas diferenças”, diz a socióloga Carolina Lavinas, 32, que é Bacharel e Licenciada em Sociologia pela Puccamp [Pontifícia Universidade Católica de Campinas] e graduada em Pedagogia pela Fapi [Faculdade de Pinhais].

Segundo ela, um ótimo exemplo deste contexto é o princípio da impermanência da filosofia budista que faz parte do cotidiano de muitos países orientais.

“Este princípio consiste em que tudo é passageiro: momentos, fatos, situações, sendo estes bons ou ruins, enquanto que, na maior parte da sociedade ocidental somos apegados nos resultados positivos e não sabemos lidar muito bem com as frustrações”.

Então, focando no nosso contexto ocidental, latino americano, brasileiro, paulista e cristão, desde o momento da gestação somos condicionados a celebrar ‘aquela’ nova vida que está por vir.

“A partir disto, os pais e responsáveis fazem o possível para que a criança seja bem sucedida dentro dos padrões da nossa cultura. Quando atinge-se certo grau de independência passa a ser responsabilidade de cada um continuar investindo no seu desenvolvimento pessoal e/ou profissional”.

Carolina Lavinas menciona que a vida social encontra seu espaço desde a infância, quando os pais começam ensinando em casa os primeiros passos e que “aprendendo a convivência com os demais, ainda quando os pais procuram socializar seus filhos na escola, no relacionamento com os colegas, professores, ensinar regras de boa conduta, dar bons exemplos, mostrar a disparidade entre o bem e o mal, a fim de que os relacionamentos aconteçam de forma harmônica e responsável”.

Contexto social

O processo de constituição da vida social como qualidade de vida tem como centro, o processo do indivíduo de transformar a si mesmo, a sua natureza interior instintiva humanizada e histórico-social. Isso inclui passar pelos desafios sociais como: violência, desigualdade social e insegurança. Alguns desses itens impactam diretamente na qualidade de vida social.

A falta de segurança impacta no isolamento como afirma Carolina Lavinas: “Vários estudiosos avaliam como as pessoas estão cada vez mais enclausuradas em seus lares por conta da crescente criminalidade e violência. As opções por viver em condomínios, morar em prédios, investir em cercas elétricas e câmeras de vigilância, só têm aumentado, principalmente, nos grandes centros urbanos e isso contribui para o isolamento. Se fazemos dos nossos lares protótipos de fortalezas, também não conseguimos confiar com facilidade no próximo. É fato que hoje dificilmente conhecemos nossos vizinhos, como era comum há algumas décadas”.

A socióloga explica que a carência de convívio social impacta na condição psicológica do homem. “O ser humano é uma espécie que vive em grupo e completamente social. Os bebês da nossa espécie, ao contrário de outras, precisam do contato e proteção em um ser maior, caso contrário, não há sobrevivência”.

De acordo com ela, essa situação perdurará por toda a vida e vamos aprendendo e nos desenvolvendo por meio de estímulos, exemplos, imitações, mas sempre, por mais que não queiramos, ou não percebamos, estaremos em contatos com os semelhantes.

“Quando ocorre um isolamento maior é bem provável que esteja acontecendo algum distúrbio psicológico ou psiquiátrico como a depressão e os transtornos de ansiedade, o que acaba indo contra a proposta inicial da nossa espécie: de vivermos coletivamente. Por isso, para a Psiquiatria o fator isolamento caracteriza um sintoma patológico”.

Carolina Lavinas esclarece que a ausência de diálogo impacta diretamente nas relações familiares. “Como os maiores grupos refletem nos menores dentro de qualquer sociedade, é nítida a percepção do isolamento dentro do ambiente familiar, onde cada membro da família fica em um cômodo, trabalhando ou mesmo nas horas de lazer”.

Diz ainda que no atual momento, há um adicional: a tecnologia.

“Acredito que de certa forma, reproduzimos esse isolamento inconsciente dentro de nossos lares, mas os adventos tecnológicos contribuem muito também. Isso é perceptível em todas as faixas etárias e, principalmente, na infância. Hoje em dia, desde o momento do nascimento, os bebês são expostos a diversas tecnologias, em especial as que se referem à aprendizagem e brincadeiras infantis, o que acaba formando gerações que são condicionadas a não terem contato com os outros”.

Políticas públicas

A desigualdade social implica na falta de qualidade de vida do país. Direitos sociais como: saúde, educação, moradia, alimentação, trabalho e lazer, são os responsáveis em oferecer uma melhor qualidade de vida ao cidadão e deveriam ser estendidos a todas as pessoas, de forma a atender suas necessidades básicas. No entanto, são privilégios apenas de uma minoria da população.

“Esta é uma questão muito relativa. É impossível falar em qualidade de vida no nosso país de maneira uniforme. Digo isso porque nossa diversidade socioeconômica é imensa. Enquanto para uma família com uma boa renda mensal a qualidade de vida possa ser considerada a prática diária de atividades físicas, uma alimentação balanceada de alimentos orgânicos, encontros ocasionais com amigos e familiares, viagens a lazer, por outro lado, temos famílias com condições precárias, em que pagar para ter alimentação já é muito difícil, pagar para fazer uma atividade física ou ter apoio psicológico, é praticamente impossível”.

Saúde social

Finalizando, comenta que sociologicamente, o autoconhecimento como forma de qualidade de vida aliado aos cuidados com a saúde, facilitam na busca dos objetivos individuais, mas que “temos sempre que ter em mente que os fatores sociais influenciam na vida de cada indivíduo, assim como, cada indivíduo também vai contribuir para formação da comunidade a seu redor. Logo somos corresponsáveis pela realidade que nos encontramos. A construção da sociedade e de cada pessoa é uma via de mão dupla, ambos contribuem e vão construindo um ao outro”.

Carolina Lavinas

Desde 2010, é professora de Sociologia, História e Geografia da rede estadual de São Paulo. Atuou como voluntária na antiga Casa Abrigo Alexandre Gusman e ICA-Mogi Mirim [Instituto da Criança e Adolescente]. Foi educadora de ações pedagógicas na Brinquedoteca Municipal de Mogi Mirim e fez parte do Projeto Ser, também em Mogi Mirim, voltado para crianças em situação de vulnerabilidade social.

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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