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Contato com a realidade

Andréa Pappa trabalha com projetos que incentivam ações voluntárias nos alunos

O termo educação social é de difícil definição, pois não existe concordância entre os especialistas acerca da delimitação deste conceito e da sua área de intervenção específica. Existe, no entanto, uma dificuldade em definir quais os tipos de educação.

“A educação social é a prática da área de conhecimento da Pedagogia Social que faz parte da Pedagogia Geral e surgiu para trabalhar principalmente, com grupos de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Todos os processos educativos que acontecem fora do ambiente escolar são práticas de educação social”, explica a pedagoga Andréa Carla Bimbati Pappa, 51.

Graduada em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia, ela diz que a educação social tenta capacitar o indivíduo com conhecimento, em geral na ação, sobre grupos e atividades nas comunidades como uma forma de reconhecimento dessas possibilidades para a integração social consciente.

“Estas abordagens têm como objetivo reforçar a participação ativa nestes grupos, práticas comunitárias e ações socioeducativas que o levem a percebê-las como motivadoras e benéficas para o seu desenvolvimento. Assim, o indivíduo torna-se capaz de apropriar-se e usar esses recursos como atividades de cidadania”.

Segundo a pedagoga, o conhecimento destas ações é como um vetor de mudanças pessoais, ampliando a visão do mundo que nos cerca, gerando novas possibilidades de atuação neste contexto e contribuindo diretamente nas relações interpessoais.

“O sentir-se capaz de participar, escolher, opinar e produzir transformam o ser humano”.

Execução
Psicopedagoga do Colégio Objetivo de Mogi Guaçu, Andréa Bimbati Pappa trabalha com a interação social entre a escola, os alunos, os pais e a sociedade em geral, com projetos que têm como propósitos: incentivar ações voluntárias; promover a afetividade entre gerações [troca de experiências]; despertar nos alunos o desejo de melhorar a sociedade; lutar pela valorização do idoso na sociedade; resgatar e vivenciar ‘valores’ esquecidos pelos jovens atualmente.

“Os nossos projetos de interação social tem como finalidade promover ações voluntárias e solidárias e levar nossos alunos a terem contato com a realidade das ações sociais que são praticadas em Mogi Guaçu e que beneficiam tantas pessoas”.

A proposta subdivide-se em três linhas de atuação: crianças, idosos e trabalho manual. E, como exemplo de atuação, considera o trabalho com os idosos a mais ilustrativa.

“Levamos o jovem a doar o seu tempo para conversar, ouvir as histórias de vida de um idoso, saber sobre suas conquistas, angústias e famílias. Proporcionamos dinâmicas de atuação direta de entretenimento, com bingos, apresentações artísticas, roda de música e um café da tarde para uma conversa de forma mais descontraída. A atividade termina com cada aluno redigindo uma carta para o idoso que conversou, falando desta experiência, deixando um texto que retrata a sua atenção e uma lembrança do dia gostoso que passaram”.

O retorno positivo da proposta se dá na roda de conversa de fechamento da atividade só com os alunos, onde os jovens colocam suas percepções iniciais e dificuldades em desenvolver a atividade, a troca de experiência que aconteceu durante a conversa, e as sensações positivas e negativas.

“Relações que fazem sobre suas próprias famílias e angústias vividas, como por exemplo, com uma avó falecida ou outra com Alzheimer e que não consegue se aproximar e conversar como fez durante a ação desenvolvida. Todos, de uma forma geral, pontuam os aspectos positivos desta proposta e alteram a sua percepção sobre o valor do idoso e o seu papel neste contexto da sua vida familiar e na sociedade”.

“O sentir-se capaz de participar, escolher, opinar e produzir, transformam o ser humano”

Não-formal
A educação social como uma educação ‘não formal’, liga-nos diretamente com os indivíduos que se encontram nos contextos sociais.

Então, podemos comparar esta educação ‘não formal’ com a educação escolar, porque neste caso, a base é fundamentalmente pedagógica, isto é, a ‘não formal’ segue alguns critérios da educação formal?

“A educação ‘não formal’, basicamente, é complementar e segue alguns critérios da educação formal como os critérios organizacionais, planejamento e estratégias com objetivos específicos para cada prática e os recursos pedagógicos variados que serão utilizados”.

De acordo com a pedagoga, o enfoque é a “valorização do cidadão na busca e conquista de recursos para a vida, seja em atividades socioculturais, reforço escolar, participação nos grupos psicoeducativos, entre outros, ampliando sua atuação direta de vida”.

Contemporâneo
Andréa Pappa acredita que a prática educacional exige uma atualização constante. “Temos que nos apropriarmos do mundo digital, falarmos esse dialeto e traçarmos diretrizes de atuação neste contexto, estimulando em nossos alunos o valor pedagógico da utilização da tecnologia”.

Conta que toda a equipe do Colégio Objetivo procura conciliar a busca contínua pelo conhecimento com atitudes inovadoras, tendo como base as relações interpessoais e, para isto, há uma atenção especial em cada área de atuação.

“Para a educação curricular, são realizadas capacitações constantes, onde os professores ampliam o conhecimento da aplicação do material didático e curso direcionado para os professores do projeto Semear [Saúde Emocional Motivacional e Educativa Ampliando a Resiliência, Cuidando de quem Cuida]”.

Em termos de avanços tecnológicos, cita o site do Colégio Objetivo. “O site onde os pais e alunos tem total acesso, aulas com data show e lousas digitais. E, ainda, temos aplicativos de contato com os pais e alunos de última geração”.

Outra estratégia na busca pelo conhecimento constante da equipe, são as reuniões pedagógicas semanais com vários setores da escola que conferem as ações em andamento e os objetivos alcançados, como uma forma de ouvir e ajustar planejamentos, práticas e atividades extracurriculares.

“Pais [em reuniões mensais] e alunos [em aulas semanais da grade curricular] participam do programa do Dr. Augusto Cury [psiquiatra e escritor], com material didático específico, da Escola da Inteligência e da Educação Socioemocional onde são desenvolvidas habilidades tão necessárias hoje, na era da ansiedade. Além de receberem todas as orientações e atendimentos que solicitam ou necessitam”.

Diz que o Colégio Objetivo planeja suas ações pensando na sociedade em geral e acolhendo de uma forma mais efetiva as famílias e suas necessidades. “Seja estendendo o horário de atendimento para os pais ou remanejando as aulas extracurriculares para o final da jornada do dia, pensando nos alunos que não podem participar no período contrário a aula, dentre outras práticas”.

Finalizando, fala que considera uma conquista pedagógica, e acima de tudo social, de todo esse trabalho desenvolvido, quando recebem visitas, que é uma constância, de ex-alunos falando da saudade das ações solidárias.

“Alguns relatam que tornaram a prática de ações sociais constantes em suas vidas”.

“É uma satisfação pessoal poder ajudar a desenvolver o ‘ser’ e agregar princípios humanitários”.

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Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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