CidadeGeralSaúde

Coronavírus: Mogi Guaçu tem 18 pacientes recuperados

No Brasil, são mais de 23 mil pessoas curadas com taxa de 57%, muito superior à mundial, de 25%; no momento, Mogi Guaçu registra 24 casos positivos

A maioria das pessoas diagnosticadas com Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, apresenta sintomas leves, a ponto de muitas vezes nem conseguirem identificar o problema. Isso acontece porque o nosso corpo percebe a entrada do patógeno [agente infeccioso] e contra-ataca, produzindo anticorpos.

Entretanto, quem apresenta sintomas mais graves, relata incômodos como falta de ar, cansaço, fraqueza, febre, tosse, dores de cabeça e no corpo antes de se recuperar totalmente da doença.

Dos que testam positivo para a Covid-19, alguns precisam ser internados por vezes até precisando de cuidados nas UTI’s [Unidades de Terapias Intensivas] dos hospitais e outros, com sintomas mais leves, recuperam-se em casa, em quarentena por 14 dias.

Denise Bulgarelli teve a Covid-19 por 17 dias / Foto: Arquivo Pessoal

O Polo conversou com a médica Denise Vanzella Bulgarelli Rito, 47, que teve a Covid-19. Ela é graduada pela Faculdade de Ciências Médicas ‘Dr. José Antonio Garcia Coutinho, hoje, Univas [Universidade do Vale do Sapucaí], Pouso Alegre [MG], na qual fez residência em Clínica Médica.

“Atuo na área de Clínica Médica e UTI [Unidade de Terapia Intensiva] do Hospital Municipal de Mogi Guaçu – ‘Dr. Tabajara Ramos’, faço auditoria médica para o SUS [Sistema Único de Saúde] para prefeitura de Mogi Mirim e também como clínica médica em consultório”, conta.

“Não é um ‘resfriadinho’ e nem uma ‘gripezinha’.
Essa doença é séria, muito séria!”

Nessa entrevista, Dra. Denise Bulgarelli explica como é de fato enfrentar a Covid-19, doença em que ficou sintomática por 17 dias.

Ficou internada ou em quarentena domiciliar?
Desde o início de notificação de casos em Mogi Guaçu, já iniciei com o isolamento um pouco mais brando em casa, pois estava ciente que sendo uma profissional da linha de frente neste combate a pandemia, corria mais risco de adquirir a doença.
Quando suspeitei da doença, intensifiquei as medidas de isolamento em casa para proteger meus familiares, em quarentena domiciliar. Fiquei em quarto isolado da casa, com distância dos familiares, onde recebia a alimentação e água sem contato com ninguém. Tive que me preocupar também com a possibilidade de agravamento da doença e ter que me dirigir ao hospital. Tudo tinha mudado. Não poderia por este período ter a convivência com meus entes queridos, filho, marido e meus pais. Acompanhava somente de longe.

Como percebeu que podia estar com a doença?
Conversando com alguns colegas, fui alertada e resolvi investigar melhor, visto a intensidade dos sintomas que com os dias ainda pioraram. Iniciei com dor no corpo e de cabeça, que no segundo dia se intensificou e apareceu também forte dor de ouvido; depois veio cansaço, perda do olfato e paladar.

Quais foram os piores dias e momentos de ter sido infectada pela Covid-19?
Com certeza, a tristeza de isolar-me da convivência dos meus familiares, o temor de complicações próprias da doença e ter que lidar com tudo isso sozinha desde o início não é fácil. Mas sempre mantive a fé e a esperança que não seria nada.
Mas aí, o resultado do exame foi positivo para Covid-19 e a preocupação aumentou. Veio a angustia sem saber como meu corpo reagiria a esta nova doença, que pouco ainda se sabe. A cada dia aparecia um sintoma novo e as dores no corpo e na cabeça persistiam, assim como, a perda do olfato e do paladar. Um duro momento, foi quando senti um peso no tórax para respirar e isso me fez ficar em alerta total. Para minha sorte, a doença ficou somente nisso.

“Parecia um pesadelo! Mas com tudo isso,
a minha fé em Deus me ajudou muito”

 

A médica diz ser muito triste isolar-se da convivência com os familiares / Foto: Arquivo Pessoal

É uma ‘gripezinha’ ou ‘resfriadinho’, como muitos gostam de dizer?
Esta doença é séria, muito séria. Apesar da grande maioria das pessoas serem assintomáticas ou apresentarem casos leves, um número considerável delas pode desenvolver formas graves da doença e precisar de atendimento em enfermaria ou UTI, visto o vírus ser muito contagioso. Não sabemos como cada pessoa vai reagir a esta doença. Por este motivo, o melhor é se prevenir e seguir as recomendações dos órgãos competentes.

Mexe muito com o psicológico e com o físico?
Demais! Em alguns momentos a ansiedade e depressão tomavam conta de mim. É muito difícil receber a notícia de uma doença que mal se conhece e ter que ficar em isolamento social. As condições físicas durante o período da doença ficam debilitadas. O cansaço não te deixa fazer exercícios. Houve dias que estava melhor e depois do nada, piorava. E, assim, o psicológico também é muito atingido.

A noção de morte passou pela sua cabeça?
Sim, a noção de morte passou pela minha cabeça. Iniciei a doença de uma maneira consideravelmente leve e sabia que podia se agravar com o decorrer dos dias e isso é muito angustiante. O limite entre a vida e a morte é tênue. Na minha profissão lido com vida e morte diariamente e lutamos para preservar a vida. Há momentos de grande tristeza e outros de alegria quando vemos um paciente se recuperar. E senti na pele que de uma hora para outra, tudo pode mudar.

Os efeitos colaterais dos remédios fizeram mal?
Fiz uso somente de medicamento analgésico para alívio da dor, me hidratei e me alimentei de maneira saudável. Estou retomando as atividades físicas paulatinamente.

Existe vida após o vírus?
Quando a gente sente a melhora dá um certo alívio, mas também, não podemos falar em imunidade definitiva, pois não conhecemos se há o risco de reinfecção. Ainda não temos respostas para isso. A vida continua com a manutenção de todos os cuidados de higiene e isolamento social. Temos que ter a consciência que a pandemia continua e as medidas de precaução são necessárias, inclusive, para as pessoas que precisam trabalhar.

É um momento para pensarmos em nós e nos outros?
Exatamente. É um momento importante para pensarmos no próximo. Com esta pandemia a tristeza aparece desde a suspeita, pois o isolamento é sofrido. Se há o agravamento da doença e necessidade de hospitalização, mais distante você fica dos seus, não recebe visitas e se for a óbito, as recomendações para o enterro são penosas.
Temos que ter consciência de tomar todos os cuidados recomendados e as pessoas que têm que trabalhar devem seguir as orientações à risca dos órgãos de saúde.
As pessoas devem evitar aglomerações e lugares fechados, manter condições de higiene, principalmente, lavar as mãos com frequência e usar máscaras, entre outras. Seguindo essas recomendações, podemos minimizar a contaminação do novo coronavírus e salvar vidas, salvar quem amamos.

A pandemia desacelerou o mundo e trouxe de volta para casa a família?
A pandemia desacelerou o mundo e nos fez voltar ao convívio familiar. Acredito que este seja o lado benéfico desta pandemia. A nossa rotina muitas vezes toma proporções tão grande que não percebemos que ficamos pouco com a família, quase nem conversamos. Este isolamento nos forçou a ficar em casa e resgatar valores inestimáveis junto à família.

“Temos que salvar vidas, salvar quem amamos”, comenta. / Foto: Arquivo Pessoal

“É um momento para refletir no modo que estamos agindo, pois, a correria do dia a dia
pode nos tornar insensíveis à necessidade do outro e à nossa também”

Que mensagem gostaria de deixar para a sociedade brasileira?
Mais uma vez que essa doença é séria e que a angustia, preocupação e isolamento também foram sentidos pela minha família. A fé e a crença em Deus nos fortaleceram ainda mais nesses momentos difíceis. Existem passagens na vida que Deus nos mostra a importância real das nossas atitudes e nos servem de aprendizado. Alguns valores estavam perdendo sua importância. Nada é por acaso. Sem sonhos a vida não tem brilho, temos que analisar nossas prioridades e traçar nossas metas.
Um dia você vai olhar para o passado e perceber que o que julgava um problema, não tinha tanta importância assim, e percebe que a vida sim, é muito importante.

Tags
Mostrar mais

Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close