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De mãe para filha

Que trabalheira é cozinhar, né? Não, de jeito nenhum.

Uma das coisas mais importantes que aprendi com a minha mãe é que cozinhar não dá trabalho. Cozinhar é uma expressão de amor. Nem sei se ela sabe que me ensinou isso, mas as nossas reuniões de domingo para reunir a família à sua volta sempre me mostraram que ela cozinhava para expressar o seu amor por nós, desde pequenos.

Hoje em dia é a mesma coisa com os netos. A primeira coisa que ela pergunta para todos quando chegam em sua casa é: Tá com fome? A vovó faz alguma coisa para você comer.

Ai deles se não estão com fome!

A pergunta não se encerra até que eles comam alguma coisa.

E a diversidade de refeições que aparecem? Quer arroz com feijão? Macarrão? Misto quente? Tomate com sal? Pãozinho com ovo? Tem bolo!  A vovó faz uma sopa se vocês quiserem.

Fazer sopa!!!

É como se ela dissesse, vou ali fazer uma sopa e já volto.

Pensa bem? Nem dá trabalho fazer uma sopa…

E enquanto não aceitarmos alguma coisa, ela não sossega. É que fazer comida não dá trabalho, é expressão de amor, alimenta, aquece, abraça.

Adivinha quem ficou igual? A filha!

Eu me lembro até de brigar algumas vezes com a minha mãe porque achava cansativa tanta oferta de comida. Eu simplesmente não estava com fome.

Mas fiquei igualzinha. Tenho o mesmo sentimento. Comida é expressão de amor e não dá trabalho.

Sim, foi ela que me ensinou a ter este sentimento, de que cozinhar não é somente ascender um fogão, colocar ingredientes numa panela e esperar as coisas acontecerem.

Hoje em dia, enquanto descasco cebolas e dentes de alho, penso que estar ali, na cozinha, faca numa mão e tábua na outra, é um tremendo prazer, é uma paixão. Dali a pouco todo mundo sentará em volta da minha mesa e aquilo tudo fará sentido para mim. Aprendi com a minha mãe. De mãe para filha…

Este texto é uma homenagem para ela neste mês de maio de 2019, no qual, celebraremos no domingo, 12, mais um Dia das Mães.

Obrigada mamãe, pelas aulas de culinária que sempre me deu, pelas experiência gastronômicas que sempre me contou de forma muito divertida, pelas muitas vezes que cozinhamos juntas e, hoje, especialmente, pelo incentivo que me dá neste início de jornada culinária que está acontecendo na minha vida.

Eu te amo muito!

E para marcar esta homenagem, segue a receita de memória da minha mãe:

Cassoulet – A Feijoada Francesa

Ingredientes
1 kg de feijão branco pré-cozido com louro sem sal [al dente];
*Não pode deixar muito mole. Minha mãe deixa de molho de um dia para o outro e cozinha no dia seguinte, sem ser na panela de pressão. O cozimento do feijão branco é mais rápido do que o do feijão normal. Cuidado com o ponto.

Duas (02) linguiças calabresas aferventadas e sem pele [cortadas em rodelas];
Dois (02) paios  aferventados e sem pele [cortados em rodelas];
200g de bacon ou lombinho defumado [cortados em cubinhos];
1 kg de sobrecoxa picada ao meio  já temperada com limão, sal e alho [deixar por, no mínimo, 1 hora para pegar o tempero];
1 kg de costelinha de porco já temperada com limão, sal e alho [deixar por, no mínimo, 1 hora para pegar o tempero];
10 tomates [italianos] maduros sem pele e sem sementes [picados];
Duas (02) cebolas;
Quatro (04) dentes de alho grandes amassados;
Uma (01) pimenta dedo de moça picadinha, sem sementes;
Duas (02) folhas de louro.

Modo de preparo:
Primeiramente, refogar o bacon numa panela grande e de borda alta. Junte o alho, a cebola e a pimenta dedo de moça. Na sequência, e na mesma panela, refogar a costelinha por cerca de 06 a 10 minutos.

Acrescentar as sobrecoxas de frango. Refogar cerca de 06-08 minutos (acrescente água quente se tiver tudo muito seco). 

Na sequência, acrescentar o paio e a calabresa. Refogar tudo junto para apurar todos os sabores. 

Acrescente em seguida os tomates picados e as folhas de louro. Se precisar, acrescente mais um pouco de água quente. Ajuste o sal.

Tudo apuradinho? Acrescente o feijão com a água do cozimento. 

Mexa tudo muito bem e deixe ferver até engrossar um pouco. Experimente. Ajuste mais os temperos se necessário. Acrescente cheiro verde para servir.

O Cassoulet fica mais gostoso se descansar por cerca de duas horas antes de servir.

Eu sinto até o cheiro da casa da minha mãe…

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Maria Gabriela C. de Carvalho Franco de Almeida

Graduada em Direito pela USF [Universidade São Francisco] – Bragança Paulista –, e Pós-Graduada em Direito do Trabalho Empresarial pelas Faculdades Integradas de Curitiba [PR]. Exerce a advocacia em seu dia a dia e, mesmo assim, tem outra área de atuação de muito sucesso: a Gastronomia. Por isso, desenvolveu um espaço dedicado para os amantes da culinária, com um estúdio gourmet com capacidade para receber até 12 alunos, além de realizar pequenos eventos.

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