ColunistasComportamento

Dia Internacional da Mulher … Dia de comemorar e refletir!

Todo dia 08 de março, nós mulheres, recebemos cumprimentos e felicitações pelo nosso dia! Talvez sejamos presenteadas com mimos e flores e ouçamos discursos sobre as dores e delícias de ser mulher. Porém, não podemos esquecer que esse dia tem muita história.

Tudo se iniciou no século XX, quando as mulheres se uniram e foram às ruas exigir os direitos de votar e de trabalhar em condições dignas. Comemora-se então, nesse dia de hoje, as conquistas sociais, políticas e culturais das mulheres e destacamos a importância e a necessidade de darmos continuidade aos movimentos em relação a igualdade de direitos e condições para as mulheres.

Diante de toda história, sabemos da luta de muitas mulheres para que pudéssemos hoje ter direitos como: frequentar a escola, trabalhar, votar, dirigir, a opção de ter filhos e, até mesmo, a escolha de se casar ou não.

Compreendemos que ao longo do tempo, as mulheres foram construindo um enredo de batalhas e conquistas. No entanto, percebemos que mesmo depois de tanta luta a mulher ainda se encontra muitas vezes ‘presa’ a padrões impostos por uma sociedade consumista, separatista, preconceituosa e opressora.

Vemos ao longo dos anos as mulheres lutando por liberdade de expressão e independência financeira, tomadas por um padrão de beleza único e inatingível e sofrendo por cobranças que fazem a si mesmas para atingir um ‘ideal’ imposto e estereotipado nos comerciais, novelas, capas de revista e redes sociais.

Sofremos atualmente a opressão da mulher perfeita! As cobranças são inúmeras, uma dupla ou tripla jornada de trabalho, cuidar da casa, do marido, das crianças, do emprego, da carreira, além de estar linda, sarada e com os cabelos e unhas impecáveis.

Segundo os especialistas, são muitos os problemas emocionais relacionados a beleza, que surgem, inclusive, na infância e adolescência e, inclusive, cresce cada vez mais o número de casos de anorexia e bulimia e outros casos de distúrbio de imagem em mulheres acima dos 40 anos. Essa faixa etária é o principal alvo de excesso de procedimentos estéticos, incluindo plásticas capazes de levar à deformação dos traços originais.

De acordo com uma pesquisa da SBCP [Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica], o número de cirurgias plásticas realizadas em adolescentes entre 14 e 18 anos subiu muito significativamente ao longo dos últimos três anos.

O que precisamos refletir é o porquê de exaltarmos tanto o conceito de beleza ideal, afinal, cada mulher é de um jeito, tem seu tipo de corpo, cabelo, rosto…sua beleza. É claro que hoje, contamos com muitos recursos para nos sentirmos melhor com nossa autoestima, mas isso deve ser uma opção e não uma obrigação para ficarmos mais próximas de um padrão que não combine com o nosso.

O que nós mulheres precisamos nos perguntar frequentemente é se:
“Estamos felizes com nosso corpo, nossa aparência e se realmente precisamos mudar?”.

Somos invadidas constantemente com ‘dicas de beleza’, mas precisamos nos questionarmos se realmente precisamos disso. Somos cobradas a uma insistente melhora para sermos mais e mais bonitas… Esse aspecto, se não cuidado, pode nos levar ao adoecimento físico e emocional.

Que nesse dia de hoje, nós mulheres possamos ser livres para sermos lindas e independentes exatamente como somos! Que dessa forma, possamos homenagear as inúmeras mulheres que lutaram pelos nossos direitos e não se deixaram intimidar por um padrão imposto, não permitindo assim que tenhamos valores e direitos violados por outro padrão opressor.

Para encerrar deixo uma frase de uma das mulheres mais admiráveis e sensacionais dos últimos tempos, Simone de Beauvoir [1949]:
Que nada nos defina, que nada nos sujeite.
Que a liberdade seja a nossa própria substância, já que viver é ser livre”

Bibliografia:
BOHM, Camila Camacho. Um peso, uma medida. O padrão de beleza feminina apresentado por três revistas brasileiras. São Paulo: Uniban, 2004. 100p.CURY, Augusto Jorge. A ditadura da beleza e a revolução das mulheres. Rio de Janeiro: Sextante, 2005. 120p.

Flávia A. Lima – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual.  É coordenadora de grupo de apoio para religiosos. Ministra palestras e cursos para pais e educadores. Formada pelo Programa Internacional em Práticas Colaborativas e Dialógicas/Houston Gabeston Institute [Texas] e Taos Institute [Novo México].

Tags
Mostrar mais

Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Verifique também

Close
Close