Quinta-feira , 21 Setembro 2017
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DIÁRIO DE INTERCÂMBIO

Amsterdam

Minha última semana foi a chamada ‘reading week’, período em que parte dos cursos das faculdades britânicas têm uma pausa e na qual, geralmente, os professores pedem trabalhos, que podem ou não compor a nota final de um aluno. Como meus professores haviam pedido os ditos trabalhos com prazo de entrega anterior ao da semana, aproveitei para viajar por quatro dias ao continente.

Decidi meu roteiro com base em algumas dicas de amigos e consulta em blogs especializados, e escolhi passar três dias em Amsterdam e um dia em Bruxelas[Bélgica]. Resolvi também experimentar uma forma pouco explorada [e substancialmente econômica] de transporte na Europa: o bom e velho ônibus.

Saí de Londres com destino a Paris [França], que tinha horários mais convenientes e conexão fácil com Bruxelas através do trem na noite de quarta-feira, 25 de fevereiro, e cheguei à capital francesa na quinta-feira, 26 de fevereiro pela manhã. Particularmente, achei cansativo ter de fazer a travessia do Canal da Mancha de ferryboat, mas vale a experiência.

Em Paris, uma passadinha para ver a Torre Eiffel e rumar a Bruxelas. O trajeto, feito de trem rápido da Thalys, dura cerca de uma hora e meia. E, com certeza, tive uma das surpresas mais agradáveis até agora.

Bruxelas não me pareceu exatamente bem preparada para receber turistas. Apesar de falar francês, achei falta de placas de sinalização mais bem confeccionadas e de guichês de informação nas estações de metrô. O que mais me encantou, contudo, foi a sensação de uma cidade saída de um conto de fadas.

Sua arquitetura é única e de jeitos diferentes. Há prédios neogóticos encantadores na Grand-Place, a estonteante Praça Principal, alguns prédios de art-nuveau espalhados pelo centro e outros tantos de arquitetura moderna e arrojada, como o próprio Parlamento Europeu e o Atomium, da Exposição Universal de 1958.

Algumas horas na cidade renderam a vontade de voltar para explorá-la com mais calma algum dia e também boas experiências gastronômicas, como um waffle feito na hora e coberto com chocolate meio amargo [belga, é claro].

A viagem entre Bruxelas e Amsterdam, também de Thalys, é um pouco mais longa. Cerca de duas horas, com algumas paradas entre as duas [Rotterdam e o Aeroporto de Schiphol, por exemplo]. Amsterdam por sua vez, não foi amor à primeira vista. Mas, pouco a pouco, em cada um dos dias, foi se tornando mais e mais agradável.

Li em algum lugar que a melhor definição para Amsterdam é a de uma cidade ‘de boa’. Não só pela regulamentação de algumas drogas, como a maconha, e da prostituição, mas principalmente por um povo que parece ser naturalmente de boa. Que acha igualmente válido sentar a beira de um canal para tomar um cappuccino, uma cerveja, um vinho ou fumar um cigarro.

Mais do que isso, a própria maneira como os canais são organizados é belíssima, a onipresença das bicicletas, a facilidade dos bondes que ligam toda a parte turística [e não só turística] da cidade, certo romantismo comportado e um ar de boêmia na dose certa parecem tomar conta dela. Sabe-se aproveitar a vida, qualquer que seja a concepção que um indivíduo tenha disto.

Para a Holanda ainda mais presente no nosso imaginário – e da época, por exemplo, dos colonizadores de Holambra – vale a visita a Zaanse Schans, uma pequena vila nos arredores de Amsterdam que preserva uma série de moinhos e casas características do século XIX, numa versão holandesa do Caminho de Pedra de Bento Gonçalves, dos colonizadores italianos no sul de Brasil.

Finalmente, não podem ser esquecidos os museus. Amsterdam tem uma concentração enorme deles [ao contrário de Londres, todos pagos], sendo que, a maior fila se forma à frente da casa que serviu de esconderijo para a judia Anne Frank, durante a Segunda Guerra Mundial.

Tive sorte e peguei apenas 45 minutos de fila. Valeu cada segundo. A casa serve como uma lembrança de que discursos aparentemente bem-intencionados que podem ser extremamente prejudiciais, especialmente para minorias. Algo que não deve ser, jamais, esquecido.

Vale também uma menção ao Museu Van Gogh, muitíssimo bem organizado e com um excelente acervo [o maior do mundo] do pintor holandês que se desenvolveu especialmente no sul da França, mas só fez fama depois da morte. Ainda, às sextas-feiras à noite, o hall do museu recebe um DJ e um bar para uma pequena festa, algo bastante inusitado para nós.

 

Um abraço e até a próximo capítulo

Sobre Matheus Marchiori dos Santos

Matheus Marchiori dos Santos, 20, cursa o terceiro ano de Direito da USP [Universidade de São Paulo] – Largo São Francisco e está Londres [Inglaterra], fazendo um intercâmbio de seis meses na King’s College London – The Dickinson Poon School of Law. Neste período, fará estudos de LL.B [Bacharelado em Direito] e também será correspondente da O Pólo, relatando quinzenalmente em diário online com artigos e vídeos temas como atualidades e acontecimentos em Londres, calendário cultural, estilo de vida, dicas de viagem, curiosidades e burocracia para estudar fora do Brasil.

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