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Do amor romântico a responsabilidade relacional!

Inspirei-me no Dia dos Namorados para escrever sobre relacionamentos amorosos, um tema que gosto muito e que foi mudando a sua configuração ao longo dos anos.

Se relacionar afetivamente faz parte do desenvolvimento humano e pode ser uma experiência muito interessante, desde que, traga bons sentimentos e permita o crescimento pessoal e emocional dos envolvidos.

Mas, para que isso ocorra há um caminho a percorrer com afeto, tempo, paciência, dedicação, flexibilidade e admiração. Na verdade, bons relacionamentos deveriam se iniciar com pessoas felizes que se unem para compartilhar vivências, sonhos e sentimentos.

Até final do século XX o modelo de relacionamento era baseado no ideal de amor romântico, que se refere a amores predestinados, sem limites e de completude onde havia a crença de que precisávamos de um outro alguém para sermos felizes, inclusive, esse modelo é inspirado nos relacionamentos de ‘Contos de Fadas’ onde os amantes são ‘felizes para sempre!’.

Na atualidade, as pessoas se permitem experimentar relacionamentos diversos, têm a oportunidade de conhecer várias pessoas e escolher seu parceiro, onde o ideal de eternidade não se faz mais presente, porém, se faz necessária uma reflexão sobre o que se espera de um relacionamento e o que cada um pode fazer para que o mesmo seja bom para ambos.

Gosto muito da expressão responsabilidade relacional que se refere a um processo que convida os envolvidos a se responsabilizarem continuamente por suas ações sobre a outra pessoa, compreendendo e refletindo o impacto dessas ações e suas consequências.

Esse processo não é somente o de se colocar no lugar do outro, mas de entender o quanto cada um é responsável para que a relação seja de sucesso, feliz e duradoura e que cada um tem que fazer a sua parte, afinal, não é possível e saudável que apenas um tome conta de algo que é para ser vivido e cuidado pelos dois.

O relacionamento amoroso torna-se então um processo de cooperação, e para que isso aconteça, cada um precisa estar atento ao modo como se comporta e nutri a relação. Em um convívio onde há responsabilidade relacional o compartilhamento de ideias e metas é fundamental para que todos se beneficiem. Há respeito mútuo, não prevalece os comportamentos competitivos, ninguém ganha e nem perde e todos vencem.

Encerro esse artigo com um trecho de nosso querido e saudoso Rubem Alves, que na minha opinião define o relacionamento e a importância de entendê-lo como um processo de construção mútua:

“Será possível, então, um triunfo no amor?
Sim, mas ele não se encontra no final do caminho, não na partida, não na chegada, mas na travessia”.

Bibliografia:
Grandesso, M. [2000]. Para uma epistemologia da Pós-Modernidade. In Grandesso, M. Sobre a Reconstrução do Significado: uma análise epistemológica e hermenêutica da prática clínica. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Site: www.izito.com.br/Pesquise

Flávia A. Lima – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual.  É coordenadora de grupo de apoio para religiosos. Ministra palestras e cursos para pais e educadores. Formada pelo Programa Internacional em Práticas Colaborativas e Dialógicas/Houston Gabeston Institute [Texas] e Taos Institute [Novo México].

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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