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“É importante preservar a infância”

Foto: Otávio Bueno
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Foto: Otávio Bueno

“Sempre brinquei na rua com meus irmãos. Brincávamos de bete, andar de bicicleta, carrinho de rolimã, pique esconde, mamãe da rua, queimada, stop e de soltar pipa”.

Ela diz que hoje não vê tantas crianças brincando nas ruas da cidade. “Acredito que tanto a violência das cidades quanto o uso de novas tecnologias tem afastado nossas crianças das brincadeiras de rua”.

Fernanda Anunciato fala que não só a violência contribuiu para essa saída das crianças das ruas, mas também, que antigamente os pais ficavam na rua olhando as crianças brincarem.

“Por falta de tempo, os pais tem menos tempo de conversar com os filhos e muito menos de acompanhá-los nas brincadeiras de rua”.

Como professora de História, ela explica que sempre procura mostrar para os seus alunos as mudanças e permanências que acontecem na vida humana ao longo do tempo e de como é importante preservar as histórias orais contadas pelos pais e avós de seus tempos de crianças.

“Alguns ainda brincam nas ruas com os colegas, mas é uma minoria, principalmente aqueles que moram em condomínios onde há mais segurança e todo mundo se conhece. No entanto, a maioria fica mesmo dentro de casa, em frente da TV, do computador ou grudadas no celular”.

Meio termo

“Meus filhos brincam muito pouco na rua, muito menos do que eu gostaria. Andam de bicicleta e de patins e correm demais. Mas também tenho medo da violência das ruas como tantos outros pais”, explica Fernanda Anunciato.

Já dentro de casa, a historiadora incentiva os três filhos a brincarem com brinquedos antigos. “Os brinquedos eram meus quando eu tinha a idade deles. Também incentivo os jogos lógicos e cantigas antigas para que eles não fiquem muito ligados em aparelhos eletrônicos. É importante preservar a memória da história antiga”.

Como as mudanças tem acontecido muito rápido na vida das crianças atuais, a historiadora crê que o uso de computadores e das redes sociais tem tornado as crianças de hoje em ‘mini adultos’.

“Elas se acham crescidas e não querem mais saber das brincadeiras. Ao mesmo tempo percebo pelos meus alunos e, principalmente pelos meus filhos, como eles se sentem fascinados quando apresentados para as brincadeiras de rua ou brincadeiras antigas”.

Preparar para o mundo

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Foto: Lucas Gois

“Na minha época de infância, eu andava de bicicleta pela cidade inteira. Saia da minha casa no centro da cidade e ia para os bairros mais longes que você possa imaginar. Tudo isso, porque antes não tinha tanto perigo de trânsito e violência como hoje em dia”, diz.

O advogado relembra que era possível brincar na rua Chico de Paulo, via na qual ficava a sua casa há mais de 30 anos.

“Eu me lembro de quando foram recapear a Chico de Paula e o motorista do trator me colocou no volante para dirigir com ele, porque essa foi a única maneira de eu parar de brincar na rua. Tempos bons aqueles”.

Seu filho, Felipe Sartori comenta que brinca na rua somente quando vai encontrar com os amigos em condomínios fechados, mas que na maioria das vezes brinca mesmo é dentro de casa no celular.

“Meu pai me explicou que hoje há violência, muitos carros trafegando pelas ruas e um alto índice de crianças que estão consumindo drogas”.

O estudante do 5º ano do ensino fundamental conta que “quando estou com os meus amigos, nós preferimos jogar videogame no celular. Fica cada um no seu canto, mas todos nós jogamos o mesmo jogo” e que “às vezes eu prefiro ficar no celular porque não preciso de ninguém para brincar”.

Questionado se sente um nerd a resposta foi divertida. “Claro que não, porque eu não estudo muito [risos]”.

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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