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Empresária de sucesso

Rafaela Moreira acredita no poder das mulheres para mudar o mundo

A participação das mulheres na vida econômica brasileira aumenta consideravelmente todos os anos. Cada vez mais mulheres buscam empreender, pois muitas delas querem uma atividade rentável que possa ser construída de forma autônoma e independente.

“Penso que ainda estou me descobrindo como empresária. Acabei de sair de 10 anos trabalhando em empresas tradicionais, com horários fixos, dress code, batendo ponto e me vi em um mundo completamente oposto”, conta Rafaela Galhardoni Moreira, 30.

Graduada em Engenharia de Produção há seis anos, trabalhou no ramo automotivo como engenheira de compras e gerente de projetos. “Há pouco mais de dois anos, tive a oportunidade de mudar totalmente de área de atuação, migrando para o mercado de marketing digital”.

Hoje, ela é uma das sócias da Hedgehog Digital [SP], desempenhando a função de Gerente de Projetos de SEO [Seach Engine Optimisation] e desenvolvimento para clientes do Brasil e da Inglaterra.

“A empresa foi criada em sociedade com meu marido, Felipe Bazon, 36, que tem mais de 10 anos de experiência em SEO, em setembro de 2017 e a partir de uma oportunidade que identificamos no mercado digital brasileiro”

Além da agência no Brasil, o casal é proprietário de uma filial na Inglaterra. “Constatamos uma tendência das agências de fora que estão se especializando em áreas do marketing digital. Com isso, decidimos criar a Hedgehog Digital, uma agência especializada em SEO”.

A responsabilidade dentro da empresa é na definição das tarefas mensais baseadas em KPI’s [Key Performance Indicator] de cada cliente. “Faço a priorização, acompanhamento, relatório mensal com os resultados e, também, sou a ponte de comunicação entre o cliente e a equipe designada para cada projeto”.

Hedgehog Digital
“O diferencial da empresa é que fazemos só uma coisa: SEO. Contamos com um time de especialistas capazes de atuar em projetos de empresas de todos os tamanhos e em diferentes segmentos”

A Hedgehog Digital ajuda as empresas a serem encontradas online mediante a implementação de um conjunto de ações de otimização, que auxiliam o seu site a ser melhor posicionado nos resultados de pesquisa dos mecanismos de busca, como por exemplo, o Google.

“Nosso processo engloba pesquisa, análises de mercado e empatia. Criamos soluções únicas para ajudar nossos clientes a atingirem seus objetivos de negócio com o SEO”.

Outro identificador está na atuação em mercados mais evoluídos digitalmente como no Reino Unido. “Temos uma vantagem competitiva, pois aplicamos o que há de mais atualizado em termos de estratégias na Europa para os nossos clientes aqui no Brasil. E para 2020, nosso plano é expandir para a América Latina e nos consolidar na Península Ibérica [Espanha e Portugal]”.

“Precisamos cada vez mais de conscientização
de todos e não de polarização e fanatismo”

Mulher
De acordo com a pesquisa GEM Brasil 2015 [Global Entrepreneurship Monitor], o público feminino é mais expressivo do que o masculino, quando o assunto é a abertura de novos empreendimentos.

“Os desafios como empresária, ainda mais no Brasil, são muito grandes. Tem momentos que penso em desistir e voltar para a minha carreira anterior. Mas, paro e penso em tudo que estou construindo, aprendendo e desenvolvendo nesses últimos anos e me sinto muito orgulhosa de mim mesma”.

O empoderamento feminino, basicamente, se refere a dar poder para outras mulheres e cada uma assumir seu poder individual. Com isso, há crescimento e fortalecimento do papel de todas na sociedade.

“Eu acredito que o empoderamento feminino é a liberdade das mulheres serem o que elas quiserem. Mas em um mundo machista, que infelizmente ainda vivemos, temos que nos apoiar e ajudar umas às outras, assim facilita o nosso crescimento e desenvolvimento. Se eu cheguei até aqui, minha função é abrir o caminho para as próximas e mostrar que podemos ser e fazer qualquer coisa que quisermos”.

A jovem empresária comenta que definitivamente aprendeu a se empoderar muito antes deste tema estar em destaque por causa de sua mãe Maria Alice Galhardoni Moreira.

“Ela ensinou a me empoderar desde pequena, me incentivando a estudar, a ter uma carreira de sucesso e não depender de ninguém. Essa é a minha filosofia de vida e o que eu passo para as outras mulheres, incentivando-as a darem o melhor de si e procurarem se desafiar a cada dia”.

Sororidade
O empoderamento feminino começa quando as mulheres se respeitam umas às outras e é aqui que entra a sororidade [união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum].

“A sororidade busca deixar de lado a rivalidade entre as mulheres. O suporte vindo do mesmo gênero nos fortalece. Temos que nos conscientizar e procurar a evolução no dia a dia, como evitar fazer julgamentos sobre comportamento, vestuário e não entrar em discussões motivadas por rivalidade. Agora como gestora, busco sempre apoiar, elogiar, encorajar e divulgar as conquistas e o trabalho delas”.

Empoderar é um verbo de ação e um meio para diminuir desigualdades que ainda existem nos campos da política e da economia no que diz respeito às mulheres.

“Acredito que o queremos realmente é igualdade de condições, de oportunidades, de direitos e deveres, principalmente no ambiente de trabalho. Hoje temos em torno de 40% dos cargos de direção e gerência ocupados por mulheres, quando falamos em cargos executivos, esse número cai para em torno de 10%”.

Segundo ela, isso acontece muito por conta da própria autocensura feminina, porque as mulheres acreditam que não serão capazes de conciliar o trabalho com os afazeres domésticos.

“Fora o preconceito e pouco caso com a suas conquistas, a injustiça e o preconceito em relação à mulher na sociedade são infelizmente uma realidade que temos que combater. Mas acredito que mesmo com tantos obstáculos, estamos cada vez mais ocupando posições de liderança e provando a nossa grande capacidade”.

Direitos
As mulheres estão mais ousadas e sem medo de investirem em uma nova carreira. Podemos ver essa mudança nos dados do último relatório GEM de 2017 do Sebrae. Ele mostra que já existe uma ligeira prevalência do empreendedorismo feminino no Brasil. “São mulheres jovens que estão buscando independência financeira com uma mentalidade nova, analisando o mercado, buscando oportunidade de novos negócios e sem medo de fracassarem. Vamos provar que as mulheres podem e vão mudar essa mentalidade retrógrada, mas com muito trabalho e perseverança”.

Fato é que só entende de mulher quem é mulher, e o mesmo se aplica à comunidade LGBT que também se vê descendo degraus por falta de representatividade – e por falta de representatividade não há empoderamento.

“Não podemos generalizar. Colocar todos os homens como o grande vilão da falta de representatividade. Acredito não ser a melhor forma de tratar o tema. A polarização, como aconteceu nas últimas eleições, entre o bom e o mal, o de direita e o de esquerda, só nos diminui e gera ódio”.

Rafaela Moreira diz que existem muitos homens que ajudam as mulheres, tentando dar voz para elas. “Tenho grandes exemplos na minha própria vida como meu marido que sempre me apoiou e está ao meu lado nessa nova empreitada. Os homens da minha família que têm muito orgulho da minha carreira de engenheira e, agora, de empresária, bem como meu ex-chefe, que quando decidi empreender, foi uma das pessoas que mais me apoiou e me guiou”.

Hedgehog Digital
(11) 99608.7192
Contato: rafa@hedgehogdigital.co.uk

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Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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