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Empréstimo, poupança, investimento: são assuntos para conversarmos com as crianças e adolescentes?

O tema Educação Financeira me despertou mais interesse, quando me deparei com um dos livros do autor e administrador Gustavo Cerbasi [2006], cujo título é: ‘Filhos inteligentes enriquecem sozinhos, como preparar seus filhos para lidar com o dinheiro’.

Com tantas preocupações em relação à educação, valores, limites, proteção, estímulos… penso que nem todos têm como objetivo esse tipo de ensinamento ou também porque não possuem o conhecimento necessário, adquirido na família de origem ou na escola, sobre como ensinar as crianças e adolescentes a lidarem com o dinheiro de forma mais consciente.

Recordo-me que o que prevaleceu em minha história sobre finanças, foi nunca gastar mais do que se ganha e que era seguro ter uma poupança. Ensinamentos importantes, dentro de um contexto em que nem todos pais, avós e tios tinham condições de fazer, muito menos ensinar planejamento financeiro, pois a realidade econômica era bastante diferente.

Atualmente, é preciso compreender que a Educação Financeira é um objetivo importante e que pode ajudar nossas crianças e adolescentes a se tornarem adultos financeiramente independentes, adquirindo a partir de atitudes simples e ferramentas interessantes, uma postura bastante saudável em relação as finanças.

O que vimos, em nosso contexto, são crianças e jovens muito consumistas, sem identificar a necessidade de guardar sabiamente recursos para um futuro mais promissor e tranquilo. Gabriel da Costa Rafael, sócio fundador da ÖKÜS Capital Investimentos, tem se preocupado em colaborar na formação de jovens, através de palestras sociais sobre áreas de investimentos e finanças, pois o que se percebe é que a Educação Financeira reflete no futuro das pessoas e que muitas delas, apresentam dificuldades para compreender como investir, quais riscos e benefícios.

Outra questão apontada por Gabriel, é a falta de conscientização de que o dinheiro custa no tempo, ou melhor, que o dinheiro desvaloriza com a inflação e juros. Assim, uma dica importante, seria ensinar as crianças que quando se empresta dinheiro ou se faz uma dívida, se paga mais caro pelo objeto consumido. Ou seja, reservar o dinheiro para comprar à vista, mesmo que demore um pouco mais, seria vantajoso.

Desta forma, também ensinaríamos as crianças a lidarem com frustrações, adiar desejos, se programarem para tal e refletirem sobre a real necessidade da aquisição, valorizando o dinheiro que possuem.

Outro aspecto seria ajudar as crianças e jovens a entenderem o exato valor do que conquistamos, não porque o preço é mais barato ou que vale menos, porque o contrário também não é real.

Cerbasi [2006] faz uma crítica a essa nova classe média que quer satisfazer todos os prazeres de seus filhos, e ainda assim não faz de forma planejada e o pior, sem medir as consequências. É de responsabilidade da família incutir valores na vida dos filhos e ajudá-los a administrar suas capacidades e seus ganhos financeiros, mas o sucesso só será possível se os pais forem capazes de administrar as próprias finanças.

Gabriel destaca que é necessário que a Educação Financeira faça parte da matriz curricular das escolas, e que os conteúdos, deveriam estar relacionados às questões práticas da vida como orçamentos, empréstimos, dívidas, economias, reservas e investimentos. Segundo Gabriel, o Banco Central já tem um projeto junto ao Ministério da Educação para futuramente implantar a Educação Financeira como disciplina.

Ele destaca que é importante compreender que viveremos cada vez mais, portanto, é necessário estipular uma reserva de dinheiro para qualquer emergência ou imprevisto, como por exemplo, em relação à saúde, que não estava no planejamento.

“Os jovens precisam se conscientizar que não podem depender financeiramente do Estado, que afinal, está cada vez mais precário”.

A principal dica que gostaria de deixar neste artigo é que conversem com as crianças e adolescentes sobre dinheiro nas diferentes situações cotidianas e todos devem se envolver como:
Se vamos ao supermercado quanto podemos gastar?
Se queremos presentear alguém, qual a verba para o presente?
Se queremos viajar juntos, quanto devemos reservar por mês?
O que podemos economizar para juntarmos um pouco mais?

Valorize a importância da conquista, do trabalho, da colaboração, da honestidade e da dignidade. Enfim, como bem disse Cerbasi [2006]:

“Nossas crianças são nossas sucessoras e precisamos ajudá-las a construir um futuro mais digno e próspero, herdando não só nossos bens, mas também nossos valores morais. Deixar uma herança para os filhos não é deixar um monte de dinheiro, mas ensiná-los a competência para cuidarem de seus próprios recursos. Desta forma teremos adultos mais responsáveis, conscientes e independentes!”.

Espero que o artigo tenha colaborado para que reflitam sobre o tema e acompanhem nossa página no Facebook. Em breve mais dicas sobre o tema.

Grande abraço.

Adriana Pereira Rosa Silva – CRP 06-76446 Psicóloga Clínica, terapeuta infantil e familiar, pós-graduada em Psicopedagogia [Puccamp], pós-graduada PUC/SP em Terapia Familiar e de Casal [Puc/SP] e graduanda no curso de Neuropsicologia do Instituto de Neurologia do HC/USP.  Ministra palestras e cursos para pais, educadores e psicólogos.

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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