Quarta-feira , 18 Outubro 2017
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Enchente de 1970, a maior da história de Mogi Guaçu

Basicamente, nos últimos 90 anos, há registros de três grandes enchentes do rio Mogi Guaçu que afetaram sobremaneira a cidade: as de 1929,1947 e 1970 – considerada a maior e mais trágica -. Em tempo, destaca-se que ocorreu a de 1983 e também outras, porém, de menores intensidades durante este período, mas que provocaram danos ao município.

As causas principais destas enchentes em Mogi Guaçu são atribuídas à antiga represa da Cachoeira de Cima que por ser antiga e deteriorada, já não exercia mais a sua função de represar as águas do rio que por ela passavam facilmente e a existência de uma ilha na Cachoeira de Baixo que represava bastante o rio naquele trecho, impedindo a passagem plena das águas.

No início da década de 1990, algumas obras foram realizadas junto ao rio Mogi Guaçu, com a finalidade de solucionar estes graves problemas existentes. Foi construída a nova represa da Cachoeira de Cima, dentro dos mais modernos padrões de engenharia da época e foi dinamitada a ilha da Cachoeira de Baixo.

A construção da represa da Cachoeira de Cima, propiciou um maior monitoramento da vazão das águas do rio, particularmente em épocas de cheias, o que veio a diminuir consideravelmente as enchentes do rio em nossa cidade, tornando-as menos intensas.

Já a eliminação da ilha da Cachoeira de Baixo, aumentou a vazão do rio naquela área, fazendo com que o nível médio do rio Mogi Guaçu no espaço compreendido pela ponte de ferro vermelha e a antiga ilha dinamitada, baixasse aproximadamente meio metro, o que representou um alívio para as áreas ribeirinhas de nossa cidade em época de cheias.

Protagonista

Anna Emília Chiarelli Bueno, 89, é a ‘atriz principal’ das histórias pitorescas das grandes enchentes do século passado do rio Mogi Guaçu. Dona Anete, como é conhecida em Mogi Guaçu, contou que “além das enchentes mais famosas, tiveram muitas mais. Eu brincava nas águas nas ruas Nicolau Falsetti, José Pedrini e Antonio Gonçalves Teixeira”.

E, brincou: “houve recentemente, no sábado, 16 de janeiro deste ano, uma pré-enchente. Também estive lá para registrar mais um capítulo dessa história”.

Nascida em 25 de junho de 1926, e com excelente memória, dona Anete citou e relembrou os fatos marcantes deste período de quase 100 anos.

Sábado, 19 de janeiro 1929

“Eu tinha três anos na ocasião desta enchente. Fui testemunha ocular. Meu pai me contava que foi a maior de todas até vir a de 1970. Ele me levou nos braços para ver como tinha ficado as ruas da cidade. Em 1929, aqui era muito pequeno e era coberto de vegetação. Não tenho notícias de jornais recortadas para mostrar. Os únicos registros são as poucas fotos que tiramos”.

1947 – Não recordou a data

“Essa enchente não foi tão grande, mas atingiu o centro da cidade e durou dois dias. Lembro-me que a praça Padre Armani sempre era a primeira que enchia de água e, que, a enchente não invadiu a praça Rui Barbosa [Recanto]. Nesse ano, já tinha o Clube Recreativo. Então, eu saia descalça e levava os sapatos nas mãos até chegar na calçada que não tinha água e colocava nos pés para ir aos bailes”.

Domingo, 22 de fevereiro de 1970

“Durou de quatro a cinco dias de cheias e demorou de seis a sete dias para baixar. Já morava nessa casa – rua José de Godoy -. Eu acreditava que a água não chegaria aqui. De repente olhei, e meu quintal estava cheio de água. Até os bueiros da rua soltaram água. Ficamos sem energia. Foi decretado estado de calamidade pública. Juntei lanternas, os itens necessários e tive que atravessar de bote para me hospedar em casa de parentes. Tinha muita água pela cidade toda. As cerâmicas São José e Mogi Guaçu ficaram inundadas. Também já tinha a ponte de concreto [Gutierrez], e a água batia abaixo do concreto e voltava. Também lembro que o padre Longino foi o último a deixar sua residência ao lado da igreja do centro. Ah, é importante eu contar que nunca entrou o mínimo de água na Matriz”.

Quarta-feira, 09 de março de 1983

“Foi de menor proporção, mas deixou a cidade sem energia novamente. Alagou os bairros da Bertioga e Vila Maria. Eu estava no Sul do Brasil quando aconteceu a última enchente de Mogi Guaçu”.

 

*Com colaboração do historiador Augusto César Bueno Legaspe

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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3 comentários

  1. Claudia Cornachioni

    Parabéns pela matéria. Adorei. Bjs Gibi

  2. UMA OUTRA ENCHENTE DE GRANDE PROPORÇÃO ACONTECEU NO DIA 10 DE FEVEREIRO DE 1929 , NÃO CITADA POR DONA ANNA E FICA ENTRE AS 3 MAIORES JÁ REGISTRADAS .

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