Quinta-feira , 14 Dezembro 2017
Últimas Publicações
Home / Cidade / Epicentro do maior terremoto da região Sudeste aconteceu em Mogi Guaçu

Epicentro do maior terremoto da região Sudeste aconteceu em Mogi Guaçu

Foto: Arquivo Pessoal

“O ‘sismo de Mogi-Guaçu’, como o chamamos, foi o mais importante e conhecido na região Sudeste, com magnitude na escala Richter de 5.1. Estudamos bem este sismo em 1979, através de pesquisas em arquivos de jornais nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro”, explica o geofísico da USP [Universidade de São Paulo], Marcelo Assunção.

Considerado um dos melhores especialistas do assunto no Brasil, diz que “na época tirávamos xérox dos jornais antigos guardados em coleções de bibliotecas públicas ou mesmo dos próprios jornais. Infelizmente, este material antigo [xérox] ficou indisponível”.

A pesquisa do geofísico está relatada no trabalho: ASSUMPÇÃO, M. O Terremoto de São Paulo de 1922. In: II SIMPOSIO REGIONAL DE GEOLOGIA, 1979. RIO CLARO, SP.

O Observatório de São Paulo registrou que o fenômeno ocorreu na madrugada de sexta-feira, 27 de janeiro de 1922, às 3h50.

De acordo com arquivos digitalizados do jornal Correio Paulistano que veiculou no sábado, 28 de janeiro de 1922, o terremoto foi sentido nas cidades de Mogi Mirim, Jundiaí, Amparo, Campinas, Casa Branca, Ribeirão Preto, Piracicaba, Jaú e nas litorâneas de Iguape e Santos.

O tremor também foi percebido nas cidades mineiras de Guaranesia, Guaxupé, Monte Santo, Pouso Alegre, Poços de Caldas e São Sebastião do Paraíso, ambas cidades mineiras.

Na capital paulista, muros e paredes desabaram, incluindo uma estátua que existia na fachada do antigo Banco do Comércio e Indústria de São Paulo.

Imprevisível

Outro especialista no assunto, o professor do Departamento de Geociências da UFMG [Universidade Federal de Minas Gerais], Allaoua Saadi, diz que o sismo foi registrado pela estação do Rio de Janeiro e seu epicentro, com erro provável declarado de 40 km, foi determinado a partir da análise de dados macrossísmicos.

“Esses macrossísmicos podem ser caracterizados com observações feitas pelo homem dos efeitos causados pela passagem das ondas produzidas por um sismo e correspondem principalmente a sensações nas pessoas e animais, ruídos, deslocamento e queda de objetos e mobília”, explica o especialista.

Também que “a efeitos e danos em residências e outras obras construídas pelo homem e a mudanças no terreno e em outras feições naturais. Os dados macrossísmicos definem o valor da intensidade sísmica no lugar de observação por comparação com escalas de intensidade”.

Segundo Saadi, o que mede melhor a importância de um sismo não é a intensidade, mas sim, a magnitude [Escala Richter). Entre os maiores do país estão:

  • Serra do Tombador [MT] – 31/01/1955 – MM 6.6;
  • Vitória [ES] – 28/02/1955 – MM 6.3;
  • Divisa Acre/Amazonas – 21/07/2007, MM 6.1;

Japão

Saadi informa que é precipitada a informação que no Japão, há centros de informações geológicas que conseguem prever com antecedência os terremotos.

“Isto não é verdade, a menos que tenham sido casos circunstanciais em que pequenos tremores alertaram para a possível ocorrência de algo maior”, esclarece.

Apesar dos ocorridos, o Brasil possui pouca incidência em terremotos e isso se deve a sua localização no mapa geológico. O país está em posição que chamamos de ‘intraplaca’, ou seja, em situação afastada de limite de placa tectônica.

“A crosta terrestre é formada por diversas placas tectônicas e quando ocorre uma tensão entre duas dessas placas, a energia concentrada é liberada em forma de abalos sísmicos”.

Diz ainda que ocorrem com certeza em território nacional abalos sísmicos que não percebemos todos os dias, no entanto, faz uma ressalva.

“A localização em situação de ‘intraplaca’ não exime o país da ocorrência de algum sismo de alta magnitude, porém, com probabilidade baixa. Mesmo assim, uma rede de monitoramento mais densa e eficiente, é necessária para dar mais conforto à viabilização segura de obras de grande porte como hidrelétricas, usinas nucleares e implantações minerárias”, conclui.

 

ALLAOUA NOVA
Foto: Arquivo Pessoal

Ficha Técnica

Nome completo: Allaoua Saadi

Idade: 64 anos

Formação Acadêmica: Doutor em Geografia Física [Especialista em Geomorfologia]

Livros publicados: Não, mas na produção de dois


 

 

Arquivo vivo

O historiador Augusto César Bueno Legaspe, 66, é um dos ‘arquivos vivos’ do sismo que ocorreu na madrugada histórica de Mogi Guaçu em 27 de janeiro de 1922, às 3h50.

Os relatos de sua memória foram transmitidos por seu pai Samuel Andrade Legaspe, que na época tinha dez anos de idade.

“Pelo fato de Mogi Guaçu ser uma pequena cidade apenas registraram-se rachaduras de proporções diminutas das paredes de algumas casas”, conta ele.

Conta também que seu pai residia na cidade de Aguaí, mas estava passando férias escolares na Fazenda Córrego Fundo, que pertencia a seu tio Christiano Rehder.

“Na ocasião, o Observatório de São Paulo registrou um abalo sísmico de 5 segundos na região leste do estado de São Paulo. Estudos mais recentes determinaram que o epicentro do terremoto de 1922, foi na área rural de Mogi Guaçu, hoje, região das Chácaras Alvorada, próximo ao Itaqui”.

A mãe do historiador, Nilza Bueno Legaspe, que na década do evento estava com cinco anos, embora fosse de Mogi Guaçu, estava morando em Jacutinga [MG], onde o avô materno de Legaspe possuía uma casa de comércio.

“Ela lembrava-se do evento, pois todas as garrafas de bebidas do comércio de meu avô, começaram a trepidar e meu avô levantou-se armado de revólver, supondo, a princípio, tratar-se de ladrões invadindo o seu comércio”.

De acordo com ele, o terremoto de 1922 foi um fato histórico muito significativo para nossa cidade, região e até mesmo para os vizinhos estados de Minas Gerais e

“Este evento provavelmente, nunca foi registrado por aqui. E, segundo os especialistas na área, embora tenha ocorrido este fato há quase cem anos, não significa que o município voltará a sofrer novos abalos no futuro. Para eles, estes eventos são imprevisíveis. Como não sou especialista no assunto, não tenho condições de abordar os desdobramentos científicos do evento registrado em nossa região”, comenta.

Dica:

“Hoje é possível consultar coleções de jornais digitalizados, como as coleções da Biblioteca Nacional [uma das mais completas], a do estado de São Paulo e outras”, Marcelo Assunção

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

Confira Também

Adriana e Alline apostam que o melhor caminho seja surpreender

Design, elegância e sabor

Doces finos são bombons e guloseimas diferenciadas, com decorações refinadas e formatos que variam. Costumam ...

Um comentário

  1. Gostaria de abraçar a cada um de vcs pelo maravilhoso trabalho…gostaria de mais informações de como ser integrante desse grupo…bjos a todos e que Deus os Abençoe

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *