Quinta-feira , 14 Dezembro 2017
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Escolhas e valores, uma conexão importante

Psicóloga: Ana Lúcia Rafael

Nesse texto pretendo colaborar para que o leitor pense um pouco sobre os seus valores e as escolhas do dia a dia.
É impossível, no meu ponto de vista, pensar sobre os valores e não refletir sobre a ética, uma vez que nossas escolhas e decisões envolvem regras, princípios e valores.
Cortella destaca que a ética é um conjunto de princípios e valores que devemos usar para responder as três perguntas da vida humana: Eu quero? Devo? Posso?
No decorrer da minha carreira, observo que o grau de satisfação pessoal tem uma relação muito clara e óbvia com o estar vivendo de acordo com os valores que fazem parte da história cultural, social e familiar.
Convido o leitor a fazer um exercício prático.
1 – Faça uma lista de valores que são importantes para você.
Segue abaixo, a relação de alguns:
– companheirismo, amor, união, honestidade, empatia, resiliência, autocuidado, fidelidade, compaixão, evolução pessoal e/ou espiritual, organização financeira, independência, sucesso, gratidão, solidariedade, justiça, tolerância, felicidade, respeito, trabalho, educação….
2 – Pense e escreva a respeito de uma atitude ou escolha que precise fazer ou refletir.
3 – Observe e anote que valores estão envolvidos na sua  pergunta/questão/atitude.
4 – Tente agora responder a pergunta número dois. Conseguiu? Pense um pouco mais.
Caso não tenha conseguido responder podemos pensar em algumas coisas que podem ter dificultado, como por exemplo:
– questões relacionais, uma vez que algumas decisões envolvem outras pessoas com valores diferentes;
– conflitos inconscientes que podem ter origem na infância e/ou educação;
– questões sociais importantes;
– dificuldades pessoais pontuais;
–  entre outros.
Quero clarear ao leitor que os valores são os mesmos no decorrer do tempo e, que, eles não mudam. A mudança está relacionada às prioridades de valores morais e contexto histórico em que estão inseridos, ou seja, o mesmo fato é visto e cuidado de forma diferente, conforme o exemplo:
Vamos pensar que há 30 anos, uma adolescente que engravidasse era facilmente colocada para fora de casa. O valor priorizado na época para essa atitude era principalmente de respeito ao pai e a mãe. A situação era vista como um desrespeito aos pais e as regras de educação.

Atualmente, outros valores são considerados, colaborando para melhor compreensão do fato, sendo eles: autocuidado, empatia, tolerância, lealdade, compaixão e outros.

Sendo assim, de maneira geral na atualidade as jovens são cuidadas para que esse evento não as impeçam de seguir a vida adiante com dignidade e respeito. Os valores pessoais interagem com o social o tempo todo.
Pondé [2016] em seu texto sobre valores diz… “Valores só existem quando existem condutas bem marcadas por expectativas sociais que herdamos para além de nossa vontade”.
Observamos que atualmente a competência, sucesso e felicidade são valores muito importantes, porém, o fato de poderem existir em detrimento do respeito, compaixão, solidariedade, prudência e gratidão pode gerar atitudes com ética muito individualista ocasionando prejuízos para outras pessoas.
Prof. Celso Vasconcellos formulou uma frase que achei muito bonita, que diz: . “…Valor é um fim, algo para qual a ação humana pode e deve se dirigir, aquilo que ‘vale a pena’: valor é o que dá sentido a atividade e, no limite, a vida”.
Aproveito a oportunidade para convidar  o leitor a cultivar valores para a paz e a união, tais como: amor ao próximo, respeito, empatia, solidariedade e outros, de modo que  possamos cada vez mais fazer parte de uma sociedade menos consumista, mais amorosa, empática e que respeite as diferenças.
Um abraço carinhoso para todos vocês.

Bibliografia
Cortella, Mario Sergio. Não nascemos prontos!: Provocações filosóficas.-11.ed.- Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.
Cortella, Mario Sergio. Qual é tua obra?: inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética.-24.ed.-Petropólis, RJ: Vozes 2015.
Garcia Morente, Manuel. Fundamentos de filosofia. – 8.ed. – São Paulo: Mestre Jou, 1980.
Pacheco, José. Dicionário de valores.-1.ed. – São Paulo: Edições SM,2012
Pondé, Luiz Felipe. Filosofia para corajosos. – 1.ed. – São Paulo: Planeta, 2016.

 

Ana Lúcia da Costa Rafael – Coordenadora, é Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual. Especialista em Psicologia Clínica pelo CRP/SP, pós-graduada pela PUC/SP em terapia familiar, casal e individual. Ministra palestras e cursos para pais, educadores e psicólogos. Articuladora da APTF [Associação Paulista de Terapia]. Formada pelo Programa Internacional em Práticas Colaborativas e Dialógicas/Houston Galbeston Institute [Texas] e Taos Institute [Novo México].

 

Foto: Otávio Bueno

Sobre Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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