Quarta-feira , 22 Novembro 2017
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Esperança, fé e atitude. Vamos aproveitar o ano novo e ter uma vida nova!

Iniciou-se o ano e com ele nasce à esperança de tempos melhores. É saudável e necessário termos planos, expectativas, projetos e sonhos para o ano novo.

No mês anterior, a psicóloga Ana Lúcia Costa Rafael, escreveu sobre a importância dos sonhos e a realização dos mesmos. Desta forma, considerei oportuno escrever sobre a esperança, a fé e as atitudes, elementos indispensáveis para a concretização dos sonhos.

Em 2016, ouvimos inúmeras vezes a palavra ‘crise’. Realmente, passamos por momentos delicados no nosso país, na política e na economia, e por momentos de insegurança, de dor, de perdas individuais e coletivas, que comoveram o país e o mundo.

Os momentos de tristeza e de crise fazem parte da vida do ser humano. Minuchin [1995] descreve que o processo de mudança normalmente envolve certo nível de crise. De modo que, o que diferencia o sucesso ou o fracasso, ao lidar com essas crises, é a maneira como o indivíduo enfrenta, enxerga e direciona o que está vivenciando. Mesmo que esses momentos possam representar perigo, muitas vezes, é possível alcançar mudanças, reflexões, novos posicionamentos e oportunidades.

Assim, gostaria de propor uma breve reflexão sobre os temas crise e esperança, que num primeiro momento, parecem contraditórios. Acredito que a esperança é vital, lembro-me de uma frase de Frei Betto [2012] que diz: “(…) a esperança é o que nos sustenta na vida, é uma virtude” (p.8 ).

Cortella [2012], em um de seus livros, quando escreve sobre a esperança, menciona algumas frases do querido Paulo Freire que dizem: “(…) a esperança é a capacidade de olhar e reagir àquilo que parece não ter saída (p.19 ). Ainda acrescenta: “(…) é preciso ter esperança, mas esperança do verbo esperançar, uma vez que esperança remete a uma ação, ir atrás, se juntar, não desistir…” (p.27 ).

Em outro livro, Cortella [2011], assim como Frei Beto, também afirma sobre o princípio vital da esperança e ressalta:

“A esperança é um principio vital, expresso na sábia e verdadeira constatação comum de que “enquanto há vida há esperança”; mesmo face as mais (aparentemente) intransponíveis circunstâncias achamos possível ser de outro modo, inventamos e reinventamos alternativas, recusamos a possibilidade de as realidades nos dominarem, e, sem cessar, sonhamos com o mais e o melhor” (p. 67 ).

Assim, compreendemos que mesmo com ‘as crises’ não podemos perder a esperança, mas acreditarmos que para a semente da esperança dar bons frutos, precisamos também nos aliar e andarmos acompanhados da semente da fé.

E o que é fé?

Existem diversas definições, porém, vou citar uma que me agrada, e que muitos cristãos conhecem que diz: “(…) a fé é a certeza das coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem….” (Hb 11:1a).

Mas será que somente acreditar e ter fé promove mudanças?

Entendo que mudanças podem ocorrer após uma crise, contudo, é consequência de nossas atitudes, esforços e perseveranças. Sendo assim, para seguir rumo aos projetos é necessário também compromisso consigo, com o outro e se conhecer.

Acredito que existem pessoas de sucesso que compreendem a fé e a esperança como virtudes, mas o que as tornam também merecedoras são suas próprias atitudes.

Enquanto escrevia sobre o tema, lembrei-me de uma fábula de minha infância, ‘A lebre e a tartaruga’ que retrata o exemplo de otimismo, esperança, mas acima de tudo, de determinação. Nesta, a lebre convencida convida a tartaruga para uma corrida, já se dando por vencedora, uma vez que era mais rápida, achou que a tartaruga jamais venceria a competição.

A tartaruga começou a treinar, já a lebre nada fazia. No dia da competição, ambas se posicionaram na largada, e assim que soou o sinal, iniciaram. A tartaruga corria o mais rápido possível, mas a lebre a ultrapassou, quando percebeu que estava com vantagem, bem a frente de sua concorrente a lebre deitou-se e dormiu. Enquanto isso, a tartaruga mesmo exausta, continuou correndo, e quando a lebre acordou se deu conta que a tartaruga estava próxima da linha de chegada. Perplexa, correu o mais depressa que pode, mas não conseguiu. A tartaruga determinada foi a vencedora, pois com fé, acreditou, treinou, se esforçou, superou seus limites e venceu.

Destaco que retratei a fábula, por compreender a importância de não desistir, mesmo quando as situações nos parecem contrárias.

Karnal [2016], em uma de suas palestras falou sobre autoconhecimento e mencionou que as conquistas são resultados de escolhas feitas durante a vida. O autor não acredita em sinas. Ele menciona a importância de conhecer os próprios limites e desejos. Ainda ressalta a necessidade do esforço para o sucesso, justifica que o esforço é uma opção, e muitas vezes para fazer escolhas, precisamos abrir mão de algo.

No entanto, algumas pessoas quando vivenciam momentos de dificuldades se sentem fracassadas, inseguras e desorientadas. Neste caso, a busca de apoio na família, nos amigos, na terapia ou em diferentes redes, é importante!

É válido ressaltar que a psicoterapia é uma possibilidade de apoio, pois o psicólogo é o profissional que pode ajudá-lo na busca deste processo de autoconhecimento, levá-lo a refletir sobre o que deseja, sobre quais os valores em que realmente acredita e descobrir seus recursos, em busca da concretização de seus ideais.

Contudo, ainda que existam intempéries, é preciso acreditar, não desistir, insistir, mas é de suma importância ter atitudes.

Nós seres humanos possuímos a capacidade de nos recuperarmos de situações de crises, através de novos aprendizados, com fé de que tudo dará certo. Vivências que possibilitam nos tornarmos mais resilientes, capacidade muitas vezes desconhecida.

Gostaria com este artigo de encorajá-los a caminhar com esperança, fé e atitude e, também, propor uma reflexão de como podem se preparar para que esta caminhada seja bem sucedida.

Patrícia Galo Firmino – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual. Especialista em violência doméstica contra criança e adolescente e é pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior. Ministra palestras e cursos para pais e educadores.

Referências:

BETTO, F; CORTELLA M. Sobre a esperança diálogo. 5ª Edição- Campinas: Papirus 7 Mares, 2012.

CORTELLA, M. Não nascemos prontos! Provocações filosóficas. 11ª Edição – Petrópolis: Vozes, 2011.

KARNAL,L. Conhece te a ti mesmo.25/01/2016.Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=WXYggxTLIMw. Acesso 12/12/2016.

MINUCHIN, M; NICHOLS, M. A cura da família. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

OMARTIAN, S. Bíblia da mulher que ora. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.

Sobre Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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