Quinta-feira , 14 Dezembro 2017
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Fazer o bem sem olhar a quem

Flávio Ribeiro / Letícia Guimarães

A chama da solidariedade, mais comum na época do Natal, é mantida acesa por pessoas que promovem o bem durante o ano todo. Não interessa o produto. Mas sim, a atitude de ajudar o próximo, seja com doações de alimentos, itens de higiene, brinquedos e de tempo, com brincadeiras e bate papo. Inspire-se nesses exemplos.

365 dias

“As ações solidárias para ajudar o próximo têm que ser feitas o ano inteiro e não somente na época do final de ano”, comenta Luis Gustavo Gonçalves, 25.

Graduado em Administração de Empresa, o guaçuano é responsável pela campanha Natal Solidário dos ‘Zamigos.

“No ano passado conseguimos mais de 500 brinquedos para doar para crianças das regiões mais humildes de Mogi Guaçu. A distribuição aconteceu uma semana antes do Natal. Foi muito gratificante”, conta.

A ideia de Gustavo Gonçalves surgiu pelo fato de muitas famílias não poderem comprar presentes para os filhos na época do Natal, devido a situações de extremas dificuldades.

“É algo natural de cada criança seja ela pobre, rica, negra, branca, menino ou menina esperar um presente de Natal”.

E seu amor ao próximo vai além do mês de dezembro de cada ano. Durante o período de inverno, Gustavo Gonçalves arrecada chá, café, leite e pão para distribuir aos moradores de rua e organiza ainda o sopão solidário para doar as mesmas pessoas necessitadas na noite mais fria de estação.

“Muitas pessoas me criticam por ajudar os moradores de rua. Mas aprendi que temos que fazer o bem, sem olhar a quem”, desabafa.

Para o Natal 2016, a campanha dos ‘Zamigos’ já iniciou. O grupo aceita brinquedos novos, seminovos e usados em estado considerável e arrecada balas, doces e livros infantis.

Quem deseja contribuir e fazer de 2017 um ano melhor e feliz, deve entrar em contato pelas fanpages https://www.facebook.com/luis.gustavo ou https://www.facebook.com/Ação-Solidária-Dos-Zamigos

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Gustavo Gonçalves realiza campanhas sociais o ano inteiro

Ações de todo o tipo

A microempresária Pamela Carolina de Oliveira Luiz Marchezini, 27, que já fez parte de um grupo de voluntários, hoje busca causas menores para contribuir durante todo o ano. Tudo começou ainda criança, quando ela doou boa parte dos ursinhos de pelúcia que colecionava.

“Sou de família espírita, que está acostumada com ações solidárias. Um dia fui à casa da minha avó, onde ficava minha coleção de mais de 200 ursinhos e havia um senhor pintando as paredes que me disse que não tinha dinheiro para comprar presentes para os filhos. Minha mãe deu a ideia de doar os brinquedos e eu dei praticamente a coleção toda, ficando apenas com os dez que eu era mais apegada”, relata.

A partir de então, este sentimento foi crescendo e Pamela Marchezini começou a realizar ações em todas as semanas, com arrecadação de alimentos, roupas, brinquedos, móveis e divulgação de campanhas feitas por outros grupos.

“Hoje faço menos. Antes eu doava o que a pessoa precisava. Porém, algumas delas passaram a me pedir para pagar conta de celular, água e parcela de carro”, conta. “Acabei ficando mais chata depois disso e ajudando menos, doando apenas para amigas que fazem campanhas. Eu acabava me envolvendo demais com as famílias e sofria”.

A primeira campanha em grupo que Pamela participou foi no Natal de 2011, quando passou a integrar o grupo Corrente do Bem, formado no Facebook por amigos que têm um objetivo em comum: ajudar o próximo.

“As campanhas agora ganharam tom plural e vão desde a causa animal, retirando animais das ruas até pessoas da melhor idade, com a arrecadação e doação de produtos de primeira necessidade para asilos. Os pequeninos também são ajudados o ano todo, mas recebem atenção especial na época do Natal, com doação de brinquedos e doces para alegrar o festejo”.

Segundo a microempresária, é preciso encarar as ações solidárias como sua missão na Terra. “Não consigo explicar a sensação, é algo incrível, uma paz e uma sensação de dever cumprido”.

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Pamela Marquezini diz que solidariedade faz parte de sua vida

Mais cor, por favor!

As animadas meninas da Assembleia Luzes da Sabedoria, da Ordem Arco Íris, em Mogi Mirim, começam cedo a aprender o que é solidariedade. O grupo, ligado à Maçonaria e, que, em 2016 completou 10 anos, é integrado por meninas de 11 a 21 anos que promovem campanhas de arrecadação de produtos para entidades e dedicam parte do próprio tempo para dar atenção a idosos institucionalizados e crianças.

Mariana Choqueta Sabino, 13, diz que o interesse em participar de ações solidárias veio com o incentivo de amigas e do pai, que é maçom, assim como, Isabella Massini, 14.

“Além de fazer a diferença na vida de outras pessoas, sentimos em nós mesmos o benefício de participar do grupo e ajudar o próximo”, conta Isabella.

Maria Luiza Mota Fraga, 11, diz que ganhou mais confiança para falar em público e que a percepção da realidade à sua volta mudou, assim como Isabella, que conta que a campanha de alimentos “abriu seu olhar para o mundo”.

Entre os trabalhos filantrópicos, o que Maria Clara Silva, 16, mais gosta de fazer é a visita aos idosos do Lar Emanuel, no qual o grupo entrega alimentos arrecadados e passa o tempo entretendo os internos.

“É muito triste ver idosos que não recebem visitas da família, e quando chegamos lá eles ficam felizes demais”, explica.

Já a mais falante da turma, Mariana, prefere participar das atividades na Brinquedoteca Municipal, mas também gosta de arrecadar e entregar donativos.

“Gosto muito de ir lá brincar com as crianças porque às vezes elas têm alguma dificuldade em casa, mas enquanto estão brincando, aquela pressão e aqueles problemas são esquecidos. As boas ações não são só presentes, mas também a dedicação do nosso tempo”, completa.

Uma das integrantes mais novas do grupo, Laís Choqueta Sabino, 7, é uma garota Arco Íris desde bebê. “Adoro visitar os idosos para entregar alimentos, conversar e brincar com eles”, fala.

Recém-integrada a Ordem, Iris Maria Carvalho Rogatto, 14, fala que “entrei na Ordem e fui bem acolhida pelas meninas. Acho legal praticar o bem no dia-a-dia”.

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O grupo de garotas da Ordem Arco Íris

Humanidade

O clínico geral Denis Camilo de Carvalho, 62, tem 40 anos de profissão e trabalha na rede pública de saúde. “A minha unidade atende cerca de 4mil pessoas”, diz ele.

Denis Carvalho sempre esteve envolvido em causas humanitárias e, por isso, o médico promove há sete anos a campanha Natal das Crianças e Idosos.

A campanha começou em outubro. “Arrecadamos brinquedos, brindes para os idosos, cestas básicas para as famílias carentes e outra parte em dinheiro. A campanha é direcionada para crianças na faixa etária entre zero e cinco anos e para adultos com mais de 65 anos”, explica.

Carvalho não está sozinho na empreitada, pois os funcionários da unidade de saúde colaboram e participam do trabalho. De acordo com ele, a proposta da equipe não é ser mais um corpo estranho no bairro, mas, parte integrante do mesmo.

“Nosso objetivo é mostrar com atos concretos que não somos somente mais uma unidade de saúde. E sim, agentes da humanidade. Aqui, nós conhecemos as pessoas e o cotidiano de cada um”.

Conta que “muitas pessoas só têm o postinho como porta aberta para se sentirem seguras. Elas nos falam dos problemas de sua rua, da conta de água e de luz. Desta forma, sempre sabemos de tudo das famílias. Somos uma comunidade unida”.

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Denis Carvalho sempre participou de ações humanitárias

Para acompanhar clinicamente os pacientes acamados e apoiá-los com atenção e carinho, o médico faz visitas domiciliares pelo bairro uma vez por semana. “Hoje, temos cerca de 80 pessoas com a saúde debilitada que não podem comparecer ao posto. Por isso, nosso trabalho de envolvimento com a comunidade é importante”.

Os interessados em colaborar, devem procurar a unidade de saúde no endereço rua Benedito Maia Figueiredo, 520, Jardim São Pedro ou entrar em contato pelo número de telefone (19) 3818.3686.

E-mail: psf.state@yahoo.com.br

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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