Comportamento

Fé e confiança

“Ok. E agora, o que eu posso fazer para continuar vivendo como sempre vivi? Porque eu não vou deixar de ser linda e muito menos de fazer as coisas que eu gosto”, disse a advogada Luciane Lealdini, 45, para a médica quando recebeu o resultado de exame que confirmava um câncer maligno.

A biopsia revelou que eram dois tumores primários em sua mama direita, com a axila e gânglios linfáticos comprometidos.

Luciane constatou que poderia estar com a doença fazendo o autoexame de rotina. “Apalpando minha mama, senti dois nódulos grandes. Isso foi em agosto de 2008. Chorei por 15 minutos consecutivos. Ergui a cabeça e falei: o que eu tenho que fazer?”. Há seis anos curada, Luciane Lealdini diz que faz questão de contar a sua história para o maior número de pessoas e sempre pede que as mulheres façam o autoexame. Hoje, ela trabalha como policial civil na retaguarda do IIRGD [Instituto de Identificação ‘Ricardo Gumbleton Daunt’].

Relembrando a fase difícil fala que a batalha era diária e o sofrimento com os efeitos colaterais das quimioterapias insuportáveis. “Sempre pensava: isso vai passar. Amanhã eu estarei melhor e assim eu ia conduzindo um dia de cada vez, mas sempre com o pensamento positivo”.

Óbvio que algumas vezes os pensamentos não eram tão bons porque os efeitos eram pesados. “Nossa, será que eu vou conseguir vencer. Mas aí na sequência já dizia que se tivesse 1% de chance, eu vou fazer parte deste 1%”.

 

Devoção

O período mais crítico e doloroso para Luciane Lealdini aconteceu quando sua médica lhe disse que sua situação de saúde estava delicada. “Não desisti de viver. Como havia uma chance de cura, me agarrei nela”.

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Entre novembro de 2008 e março de 2010, a advogada fez os tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Durante um dos exames de rotina em março de 2012, apareceram nódulos em seu pulmão esquerdo.

“Monitoramos por três meses e os nódulos aumentaram. Então, optou se por uma cirurgia para poder fazer a biopsia. A cirurgia estava marcada para uma data e eu estava triste porque não daria para ir à missa da cura da Paróquia de Santa Edwirges”.

Católica fervorosa e devota de Nossa Senhora Aparecida, emociona-se lembrando do que aconteceu.

“Recebi uma ligação na semana que a missa seria realizada me informando que a cirurgia seria remarcada para a próxima, ou seja, eu poderia ir à missa. E fui. Era julho, estava frio e eu com uma blusa de gola alta ajustada ao meu pescoço. Quando o padre aspergiu a água benta perto de mim, a água entrou pela blusa e escorreu pelo lado do meu pulmão esquerdo, aonde seria feita a cirurgia. Me arrepiei na hora e lágrimas escorreram pelo meu rosto. Ali eu já senti que não seria nada de grave.”

A cirurgia foi realizada e resultado como o esperado. “Com a graça de Deus, não eram nódulos cancerígenos. Eram granulomas que mesmo após terem sido feitos inúmeros exames não foram descobertos a sua origem”.

 

“Deus sempre foi e estará presente em minha vida. Ele me sustenta e me move”

 

Senhora

Diz-se que a fé é inabalável e capaz de mover montanhas. O relato de Luciane Lealdini faz jus ao ditado popular.

“Quando eu estava fazendo quimioterapia, tive um sonho em que havia uma procissão que eu acompanhava. De repente, a Santa que estava no andor virou seu rosto e me disse: você esta curada”.

A advogada conta que o sonho aconteceu logo nas primeiras sessões de tratamento e que ela não sabia qual era aquela Santa. No dia seguinte após descrever a imagem para uma tia, a mesma lhe disse tratar-se de Nossa Senhora de Fátima.

“Ela me mostrou uma imagem que tinha na casa dela [tia]. Naquele momento, eu ajoelhei e agradeci a minha cura porque eu estava certa de que ela viria”.

Ajoelhada ainda prometeu que “quando chegasse 2015 e a médica me dissesse que estava curada, eu iria até o santuário de Nossa Senhora de Fátima em Portugal e passaria o dia do meu aniversário lá, relatando a outras pessoas o milagre que eu havia recebido. No ano passado, juntamente com minha irmã, que hoje é Oncologista, fomos  a Fátima e cumpri a minha promessa”.

 

Espiritualidade

Para ela, a fé trata-se da incrível confiança que você deve ter mesmo diante das maiores dificuldades e saber que nos piores momentos Deus está contigo.

“É enxergar a lição que podemos tirar de tudo, como usar isso para ajudar outras pessoas e é o que eu tento fazer. A oração é o seu momento íntimo com Deus, com Jesus, com os anjos, com os meus santos de devoção. Não importa a forma com que ela é realizada. O que importa é o seu coração”.

 

Futuro

Quando aposentar-se, Luciane pretende voltar a advogar e com isso ajudar as pessoas que não têm acesso aos seus direitos no tocante de medicamentos, suplementos e próteses que não são viabilizados pelo governo, que na maioria das vezes são de extrema necessidade para o tratamento da pessoa.

“Eu sempre me disponho a conversar, mostrar meu álbum de fotos de quando estava doente para outras pessoas que estejam em tratamento, seja pessoalmente ou por redes sociais, relatando o que passei, o quanto sofri, mas que nunca me deixei abater, de sorrir, de ter fé, que me curaria e de perseverar”.

“A vida me deu limões e eu estou fazendo limonada suíça e com leite condensando do bom [muitos risos]. É a maneira de encararmos os problemas que nos fazem transpassa-los e não o tamanho do seu problema”.

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Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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