Sexta-feira , 20 Outubro 2017
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Felipe Nohra chefia a seção de análise de operações espaciais na França

Guaçuano é Major da FAB e tem 20 anos de experiência na área militar de aviação

Luis Felipe de Moura Nohra, 40, é Oficial Aviador da AFA [Academia da Força Aérea]. Casado com a pedagoga Daniela Rebouças Brandão Nohra, 38, e pai de três filhos: Gabriel, 11, Isabel, 8, e Rafaela, 6, mudou-se para Mandelieu la Napoule [França], há dois anos, para chefiar a seção de Análise de Órbita do SGDC [Programa de Absorção de Tecnologia do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações]. Por e-mail, o Major concedeu entrevista para a O Pólo e contou sobre as experiências dos 20 anos de carreira, além de comentar como será a sua colaboração como colunista da Revista.

1) Em que universidades você se graduou?

Me formei Oficial Aviador na AFA [Academia da Força Aérea], na cidade de Pirassununga, em 1999, onde aprendi a voar com aeronaves militares. Após, fui designado para o curso de Piloto de Ataque em Natal [RN]. Me formei Piloto Operacional na Aviação de Ataque. No ano seguinte, fui transferido para Salvador [BA], no litoral nordestino, onde tive a felicidade de localizar e coordenar o salvamento de pescadores náufragos. Em 2007, me mudei para São José dos Campos para realizar o curso de Especialização e Mestrado em Ciências no ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica] na área de Guerra Eletrônica, onde permaneci até 2010.

2) Como foi o processo de sua formação profissional?

Minha formação toda foi na FAB [Força Aérea Brasileira], na área de Emprego do Poder Aéreo, com duas passagens pelo ITA para me especializar em Guerra Eletrônica. Sou piloto e instrutor na Aviação de Patrulha. Além de pilotar, todo o Piloto de Patrulha deve operar um moderno ‘radar’ abordo da aeronave, que permite localizar os alvos e náufragos no mar. Dessa forma, comecei me aprofundar em ciências de detecção de alvos, visando aprimorar meu desempenho profissional, resultando em uma Especialização e um Mestrado. Com o conhecimento adquirido, fui convidado para assessorar o Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, servindo na seção de Comando e Controle da área. Após quatro anos como assessor no nível estratégico da Força, convidaram-me para compor o grupo dos engenheiros do SGDC. Este programa começou na França, com à confecção do projeto e construção do satélite e será finalizado com a implantação de um Centro de Operações Espaciais, totalmente autônomo no Brasil.

3) No Brasil, em que locais trabalhou?

Tive a oportunidade de servir em Pirassununga e São José dos Campo [SP], Natal [RN], Salvador [BA], Rio de Janeiro [RJ] e Brasília [DF].

4) Há quanto tempo e por que reside na França?

No ano de 2014, fui convidado para participar do SGDC e, imediatamente, fui transferido para a França, para aprender como controlar o satélite, visando mantê-lo apontado para o território nacional e na posição correta 24 horas por dia os sete dias da semana. O SGDC atenderá às necessidades do PNBL [Programa Nacional de Banda Larga], da Telebras,  com a distribuição de internet de alto desempenho, gratuitamente, e para um amplo espectro de comunicações estratégicas brasileiras nos âmbitos civil e militar. Atualmente, sou o COPE [Chefe da Seção de Análise de órbita do Centro de Operações Espaciais].

5) Como é o trabalho de COPE?

Sou o responsável por manter o satélite na posição correta no espaço, para garantir o seu emprego, bem como de monitorar outros satélites e objetos na órbita da Terra que representem quaisquer perigos de colisão. Para manter o satélite em segurança, são calculadas, diariamente, manobras para correção de órbita e desvio de objetos.

6) Pretende vir para Mogi Guaçu?

Minha missão será finalizada no mês de outubro e a primeira cidade que visitarei no Brasil será Mogi Guaçu. Tenho uma sobrinha Isadora Borges Nohra, que nasceu em 2014, que eu só conheço por meio da tela do computador. Eu, minha esposa e meus filhos estamos ansiosos para retornar ao Brasil e à Mogi Guaçu, cidade natal de dois deles.

7) Tem programada alguma viagem para um país que você ainda não conheceu?

Minha próxima viagem será pelo Brasil. Quero retornar ao meu país, retornar a minha família, aos meus amigos e ao meu trabalho, pois sinto muita falta de me comunicar em português. Sinto muita falta da cordialidade, do sorriso e do abraço brasileiro.

8) Que países você conheceu, independentemente, de ser a trabalho?

Tive a oportunidade de conhecer na Europa, além da França, a Inglaterra, a Espanha e à Itália. Também estive nos Estados Unidos [América do Norte] e no Paraguai e Bolívia [América do Sul].

9) No lazer, o que você e sua família costumam e gostam de fazer?

Moramos na cidade de Mandelieu la Napoule, Riviera Francesa. Durante o verão, costumamos ir à praia, aos parques da cidade e praticar esportes ao ar livre. No Brasil, estes costumes são triviais, porém, na Europa não são. O inverno restringe as atividades fora de casa, pois todo deslocamento requer meias, luvas, casacos, gorros, cachecóis, cremes para a pele, para à boca e outros acessórios desconfortáveis. A melancolia invade os ambientes e a sensação é que todos estão aguardando o próximo verão. Ou seja, no verão nos divertimos muito e, no inverno, esperamos o próximo verão.

10) Conte para os leitores como será o seu trabalho como colunista da O Pólo.

Faz alguns anos que estou angustiado com a quantidade de experiências incomuns que tive e como elas são inúteis em minhas memórias. Para se ter uma ideia, muitos pilotos e passageiros passam a vida inteira sem saber o que ‘é um acidente aéreo’, e eu tive a chance de experimentar quatro acidentes. Acho legal contar isto para a minha filha mais nova, pois, no final da história, ela sempre me pergunta : -“Você morreu?”. A oportunidade de compartilhar minha experiência como militar, piloto, controlador de satélites e instrutor de Guerra Eletrônica me deu a alegria de poder retribuir a minha nação todo o esforço que demandou minha formação. Todos meus cursos acadêmicos foram em Organizações Militares e meu aprendizado, na França, é fruto de um programa da AEB [Agência Espacial Brasileira. Em janeiro, comecei um canal no youtube para divulgar tecnologias do Campo de Batalha Moderno. O canal se chama ‘Na Hora da Guerra’ e apresento vídeos novos a cada domingo. Dessa forma, posso cumprir com o meu dever de divulgar os ensinamentos apreendidos no Brasil e fora dele, com qualidade técnica e humor e com o objetivo de construir uma nação forte, independente e soberana.

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Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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