Quarta-feira , 22 Novembro 2017
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Férias escolares… oportunidade para estar mais perto da família, brincando e ressaltando valores importantes

Estamos próximos de finalizar mais um semestre escolar e ansiosamente os alunos aguardam pelas deliciosas férias de julho. Lembro-me com saudade de como esse período era almejado porque vislumbrávamos poder passar mais tempo brincando. Brincadeiras que nos permitiam sentir diferentes emoções, pois vivíamos entre a dor e a delícia de sermos encontrados em esconderijos, por muitas vezes, considerados impossíveis de serem descobertos.

Nas brincadeiras, herdávamos dos veteranos ensinamentos que não aprendíamos na sala de aula, descobríamos palavras e gestos que nem sempre faziam parte de nosso ambiente familiar, desenvolvíamos habilidades ainda não adquiridas e tentávamos lidar com diversas situações. E, tudo isso, a partir dessa deliciosa forma de relacionar-se.

Atualmente nossas crianças e adolescentes estão inseridos num contexto diferente de nossa infância. Refiro-me especialmente a aqueles que nasceram antes de 1980.

Em tempos de tecnologia, informações rápidas e comunicação instantânea… as brincadeiras, da forma como aconteciam, na maioria, não  fazem parte da rotina de nossos filhos, alunos, pacientes, sobrinhos e netos… o que não significa que não estão brincando ou interagindo, porém de forma diferente, utilizando-se de novos recursos.

Ao escrever esse artigo, gostaria de expor o desejo de ressaltar a importância da família encontrar espaços para estar junta, brincando e essencialmente ressaltando os valores presentes nessas interações. Valores que são essenciais à ética, um código de conduta que visa um bem comum, atitudes que respeitam o outro e a si mesmo.

É na infância que se antecipa um bom futuro. É na convivência com seus pares e na diversidade que lançamos sementes de bondade, humildade, perdão, generosidade… valores indispensáveis, diante de tantas atrocidades no mundo, que nos resgatam a esperança de dias melhores.

Ressalto uma lenda africana, conhecida como Ubuntu*, onde crianças provocadas por uma brincadeira ou tarefa competitiva ilustram para o mundo um dos mais belos ensinamentos: o valor da união, da solidariedade e da cooperação, ações que fazem deste mundo um lugar mais bonito, onde para ser feliz é preciso que o outro seja feliz também.

Ubuntu é uma história que exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade e, ao mesmo tempo, é um conceito moral, uma filosofia que se opõe ao individualismo tão presente em nossa sociedade.

Quando proponho pensarmos sobre os valores presentes nas brincadeiras, não considero que devemos discutir se são valores absolutos ou relativos, gerais ou particulares, pois minha proposta é resgatarmos os valores indispensáveis à condição humana, sem pretensão de definir certo ou errado e, sim, refletir sobre a necessidade de destacarmos aqueles que são essenciais para a construção de um mundo mais fraterno, que só é possível, por meio do respeito, da solidariedade, da compreensão e do amor.

Brincadeiras e jogos acontecem e devem continuar acontecendo nos diferentes meios sociais em que as crianças e adolescentes estão inseridos. No entanto, o contexto familiar também é um espaço privilegiado para brincar e explorar aprendizados importantes para a vida toda.

Faço um convite aos pais para que nesse período de férias, reservem espaço na agenda dos inúmeros compromissos e se disponham a brincar com seus filhos e familiares.

Winnicott [1975] ressalta que o brincar é um espaço lúdico que permitirá a pessoa, desenvolver seu potencial criativo, uma forma de viver que não se limita somente as fronteiras da infância, mas também, na vida adulta.

Minha experiência, como psicóloga infantil, traz inúmeros exemplos que através do brincar e, talvez apenas no brincar, é que a liberdade de criação se expande. É no lúdico que a criança, e mesmo o adolescente, apresenta sutilezas que a linguagem convencional não é capaz de transmitir. A forma de expressão da criança se faz com as brincadeiras, jogos, fantoches, argila, papeis, tintas…

Assim, brincar com as crianças é uma oportunidade de construir relações mais colaborativas, de liberar a criatividade, é um momento de troca, parceria e uma oportunidade onde todos podem se beneficiar da relação um com os outros.

Considero que não devemos desvalorizar os novos modelos, ressaltando os velhos, afinal, aprendemos muito com eles também. Mas é preciso apresentar novas possibilidades, através de convites para outras formas de convivência, resgatando o que tivemos de bom.

Sugiram algumas brincadeiras e jogos, mas não se esqueçam de que o convite ao brincar deve levar em consideração a liberdade de expressão de cada um dos envolvidos.

Tenho certeza que brincadeiras e jogos como: amarelinha, mamãe da rua, queimada, esconde-esconde, pula corda, mamãe polenta, Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Uno, Dominó, entre muitos outros, podem ser uma oportunidade divertida de encontro entre pais, filhos e familiares, assim como, aprender a jogar Minecrat, Clash Royale, entre outros.

Desejo a todos que as férias escolares seja a possibilidade de momentos mais divertidos junto às pessoas que mais amamos.

*Ubuntu significa:

“Eu sou porque nós somos” ou em outras palavras “Eu só existo porque nós existimos”.

WINNICOTT, D.W. O brincar e realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

Adriana Pereira Rosa Silva – Psicóloga Clínica, terapeuta infantil e familiar. É pós-graduada Psicopedagogia [Puccamp] e em Terapia Familiar e de Casal [Puc/SP].  Ministra palestras e cursos para pais e educadores.

Sobre Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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