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Filhos, família e tecnologia. O que devo saber?

… Meu filho passa horas em frente ao computador!

… Minha filha não larga o celular.

… Até meu bebê se acalma quando coloco um filme no tablet para ele!

… Se deixar não comem mais, não tomam banho, brincar então, só se for com jogos online.

Essas são queixas comuns quando o assunto é filhos e tecnologia, motivo de preocupação entre familiares, professores e profissionais que atuam diretamente com crianças e adolescentes, portanto, considero importante expor alguns pontos para refletirmos sobre o tema.

Sabemos que a internet e diferentes recursos tecnológicos surgiram com o desenvolvimento da vida contemporânea e a própria globalização, assim como, a televisão, o rádio e os jornais vieram para ficar, as novas tecnologias também.  Mitos, verdades, medos e dúvidas também surgiram com o a chegada da TV, por que seria diferente com a chegada desses novos instrumentos?

O que sabemos é que sem esses novos recursos não teríamos o mundo, como conhecemos hoje, no que diz respeito às relações humanas. A necessidade da interatividade fez com que esses novos meios se tornassem ferramentas indispensáveis na vida atual, seja no trabalho, na família, na relação com os amigos, no lazer. Ou seja, se tornaram indispensáveis para as novas gerações, crianças e jovens denominados ‘NATIVOS DIGITAIS’ ou ‘GERAÇÃO REDE’.

Os ‘Nativos Digitais’ pertencem a uma geração que precisa constantemente de mais informações, de estar em contato com seus pares, de trocar experiências e de fazer várias atividades ao mesmo tempo, sendo assim, necessitam de maior interação e conhecimento, necessidades presentes nos instrumentos tecnológicos. Uma geração que reconhece sua identidade impactada por essa nova realidade.

São crianças e jovens nascidas e crescidas num contexto online e, que, desconhecem um mundo onde não haja internet, por exemplo.  Desta forma, a comunicação mediada por um meio tecnológico e tão habitual como foi a comunicação por telefone nos anos anteriores, sendo assim estar conectados é algo natural, onde se dá também a construção de sua identidade.

Alcântara [2013] em seu livro ‘Cumplicidade Virtual’ destaca que o uso dessas novas ferramentas é sinônimo de facilidade de tempo e espaço nas interações e o objetivo é unir-se as pessoas, compartilhar sobre suas necessidades individuais, coletivas e/ou profissionais, trocar opiniões, manifestar desejos, se fazerem pertencentes e se divertirem.

Mas então onde está o problema? O que mudou?  Estamos protegidos pela tela do computador? Devemos utilizar um discurso culpabilizante das redes pelas ações mal intencionadas como: pedofilia, fraudes, cyberbulling? É possível que o excesso de tempo gasto nestes recursos cause dependência?

Estudos sobre o tema destacam que a idéia de que a internet é de todos, portanto, um lugar público onde tudo é possível traz a ilusão de que não existem regras, quando na verdade elas devem ser as mesmas da vida não virtual.

As pessoas devem carregar consigo os mesmos comportamentos dentro e fora das redes. É preciso compreender que a internet e as novas tecnologias são ferramentas para que as pessoas mantenham contato umas com as outras e não devem ser compreendidas como causadoras de comportamento.

Dias [2015] em seu artigo: ‘Parentalidade e adolescência na era tecnológica’ traz importantes contribuições para que possamos refletir sobre as novas formas de sociabilidade e mesmo com todos os avanços tecnológicos e a modernização, o indivíduo sempre precisará do outro para ter sua formação valorativa.

A família e outras instituições como a escola, sempre serão eixos norteadores nos relacionamentos que as crianças e jovens vão estabelecer com seus pares. Apesar de estarmos num cenário onde a geração mais nova ensina a geração mais velha a lidar com esses recursos, não significa que o modelo de autoridade mudou.

A família ainda é, e sempre será responsável por cuidar dessas crianças e jovens, transmitindo valores como: respeito, verdade, honestidade, amizade. Assim também diferenciando os conceitos do que deve ser público e privado, estabelecer limites e proporcionar momentos significativos perto dessas crianças e jovens, seja num ambiente off ou online.

Problemas como crimes na rede e dependência tecnológica, são assuntos importantes a serem discutidos e situações reais que merecem nosso cuidado a atenção. Sendo assim, todos os envolvidos no processo de educação dessas crianças e jovens devem estar atentos e cuidando da proteção dos mesmos, mas não basta apenas vigiar, é preciso se aproximar, se aprimorar, assumir uma postura de interessado, curioso e, assim, se inserir, sem medo, neste novo contexto.

Essas são apenas algumas colocações de um tema amplo, importante e indispensável quando o assunto é educação dos filhos.

Meu objetivo neste artigo é levar o leitor a refletir sobre o tema e ser apenas um disparador de novos conhecimentos, ideias e questionamentos.

Alcântara, Candice. Cumplicidade Virtual.  São Paulo: Casa do Psicólogo – 2013.

Macedo, RMS de (Org.) Expandindo Horizontes da Terapia Familiar.  1ed. Curitiba, PR: CRV, 2015.

*Esse artigo é um dos resultados da Monografia do Curso de Especialização em Terapia Familiar e de Casal/PUCSP da psicóloga Adriana Pereira Rosa Silva e da palestra ‘Filhos, família e tecnologia. O que devo saber?’ ministrada pelas psicólogas Adriana Pereira Rosa Silva e Ana Lúcia da Costa Rafael em 15/09/2016. 

Adriana Pereira Rosa Silva – Psicóloga Clínica, terapeuta infantil e familiar. É pós-graduada Psicopedagogia [Puccamp] e em Terapia Familiar e de Casal [Puc/SP].  Ministra palestras e cursos para pais e educadores.

Sobre Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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