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Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Campo

Nossa Senhora da Conceição do Campo. Esse é o registro da primeira nomenclatura que Mogi Guaçu recebeu, devido a sua origem com o povoamento de mineradores de ouro da Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Jundiaí, entre 1650 e 1655 – século XVII.

Para entender o porquê do nome, é necessário conhecer um pouco da história dos colonizadores do Brasil.

“Os portugueses têm uma devoção enorme pela Virgem Maria. Tanto que, Nossa Senhora da Imaculada Conceição é a Padroeira e Rainha de Portugal. Me contaram que colonizadores lusitanos passaram pelo local e fizeram a coroação de Nossa Senhora na primeira capela que teve nesta região do estado de São Paulo”, conta o pároco da Igreja Matriz, João Paulo Ferreira Ielo.

Relógio da Torre da Igreja
Relógio da Torre da Igreja

Os mineradores vindos da Freguesia de Jundiaí abriram a mata com facões e vieram parar em um lugar chamado Cachoeira de Cima, tornando-se ali um local de fácil acesso para transpor o grande rio que cortava ao meio as duas margens. Então, formaram um povoado, erguendo rústicos casebres e uma pequena capela.

Ferreira Ielo comenta que “Nossa Senhora está grudada e encrustada no coração do cristão e, portanto, a Virgem Maria está incorporada a história de Mogi Guaçu”.

Por volta de 1710/1720, fundou-se um novo vilarejo distante cerca de 5km da Cachoeira de Cima rio abaixo, a margem direita do mesmo rio, que passou a se chamar Nossa Senhora da Conceição do Campo.

Em 1732, o povoado tomou novo foro e passou a chamar-se Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Campo.

Naquele período, a Igreja Católica fazia parte do governo e, por isso, administrava esta região. “Como Nossa Senhora já era padroeira do munícipio, o mesmo levou seu nome. Mais tarde, a denominação do nosso município passou a ser apenas Conceição do Campo e a seguir recebeu o nome de Mogi Guaçu”, explica o padre.

Matriz

A construção da primeira igreja de Mogi Guaçu, Nossa Senhora da Imaculada Conceição, teve início em 1710, projetada e arquitetada com o mesmo tamanho que possui até hoje. Calcula-se que a obra tenha sido concluída entre 1715 e 1720.

Segundo o pároco, a Matriz de Mogi Guaçu é única paróquia com construção disforme, porque tem as paredes com medidas atípicas, corredores laterais e central com elevações sutis e a melhor acústica do estado de São Paulo.

Sino com defeito da Igreja, confeccionado no século XVII
Sino com defeito da Igreja, confeccionado no século XVII

Segundo ele, dois fatores devem ser destacados. “No sentido da porta de entrada para o altar, o lado esquerdo da igreja é menor, em relação ao direito. Temos a melhor acústica estadual, tanto que a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo realiza todas as suas apresentações em nossas dependências”. E, que “é um primor a acústica. A pregação é do alto. Em subida. Isso é muito lindo”.

Conta que nunca as águas das enchentes alagaram a Matriz. “Nem mesmo com a enchente de 1700, quando aqui era uma pequena igreja, as águas do rio Mogi Guaçu a invadiram”.

Diz que na parede frontal há as torres antiguíssimas e seguras. Que o sino da igreja é único com defeito do mundo, confeccionado em bronze e com sonoridade pitoresca.

“Ao concluírem a sua fundição e removerem-no, uma parte da sua estrutura não saiu junto. Porém, quando os cristãos o ouvem, sabem que seu som é inigualável”.

 

*Com colaboração do historiador Augusto César Bueno Legaspe

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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Um comentário

  1. angela Maria Franco de Camargo Freitas

    Gostei da reportagem. Como faço para ter acesso a esse jornal. Sou professora (aposentada) de História.

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