Quinta-feira , 20 Julho 2017
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Geração esquecida: Atlético Guaçuano luta para não ‘desaparecer’ da história

Elenco do Atlético Guaçuano de 1992

Agonizante, descartado e, hoje, tornou-se apenas uma vaga lembrança do que foi no passado. É assim a história atual do CAG [Clube Atlético Guaçuano], única agremiação profissional de futebol de Mogi Guaçu. O Atlético Guaçuano está inativo e com todas as suas atividades paralisadas.

Com 88 anos de fundação, o time conquistou títulos importantes para a cidade, que embora de menor expressão, devem merecer todo o respeito da população. O CAG foi Campeão Amador Regional [1958] e da 2ª Divisão da FPF [Federação Paulista de Futebol] da Série Petronilho de Brito [1975]. Conquistou o Vice Campeonato Paulista 3ª Divisão, atual Série A3 [1992], e ainda, o 3º lugar da 4ª Divisão [2011] e o 3º lugar 3ª Divisão 2012.

Para não deixar que uma página de Mogi Guaçu se perca de vez na história, Samir Gimenes e o GAM [Grupo de Apoio ao Mandi], organizaram um jogo comemorativo do acesso do Atlético Guaçuano para a 2ª Divisão em 1992, que acontece no próximo domingo, 09 de abril, às 10h, no estádio Alexandre Augusto Camacho.

“A finalidade do jogo de domingo é comemorar os 25 anos deste acesso à divisão intermediária, o que equivale hoje a Série A2 do futebol paulista. Queremos homenagear os jogadores, comissão técnica e dirigente da época e resgatar a paixão que todo guaçuano nutre por seu clube e não deixá-lo agonizante como está”, explica Samir.

A ideia surgiu quando Samir Gimenes criou uma página no Facebook – Torcedores do Mandi -, para que o time não caísse de vez no esquecimento e tomou mais força ainda quando a ele se juntou ao GAM, um grupo de torcedores fanáticos pelo Mandi e que vivem na luta para não deixá-lo morrer.

No jogo de domingo, o clube não terá um rival. Serão duas equipes compostas por atletas que atuaram pelo alviverde nestes 25 anos.

“Uma será formada com os ex-jogadores de 1992 e a outra com jogadores que atuaram em diversas épocas pelo Mandi”.

Dessa forma, além de homenagear a equipe de 1992, os torcedores também estarão homenageando os demais jogadores que fizeram história em Mogi Guaçu. “Aliás, aproveitamos aqui para pedir desculpas aos ex-jogadores que não puderam ser convidados, devido ao limite que precisamos impor”, esclarece.

1º tempo

Como em uma partida decisiva de futebol, o objetivo de Samir Gimenes e do GAM é atrair a atenção para a importância e necessidade de resgatar o Atlético Guaçuano  de onde se encontra hoje: no ‘fundo do poço’. Samir diz que a falta de interesse da sociedade, parceiros e patrocinadores têm contribuído para que a situação do Mandi esteja assim.

“Procuramos conciliar o jogo com a data de aniversário de Mogi Guaçu. Queríamos dar um presente, tanto a nossa cidade quanto à população, oferecendo uma espécie de volta do Mandi”, conta ele.

O valor do ingresso será 1 kg de alimento não perecível, exceto sal. Toda a arrecadação dos alimentos será doada para a Feag [Federação das Entidades Assistenciais de Mogi Guaçu].

Samir estima que o público presente no domingo seja em torno de 2 mil pessoas. “É difícil falar um número porque o Mandi está inativo há três anos. Mas nossa expectativa é muito grande e a aceitação tem sido muito boa”.

2º tempo

Para realizar o jogo, os organizadores tiveram muitos custos como a confecção de camisas idênticas às que foram usadas em 1992, custearam a vinda dos jogadores que moram em cidades distantes, incluindo a hospedagem e alimentação.

“Estamos bancando todo o material utilizado nos reparos do Camacho, que estava sem condições de uso, além de toda infraestrutura que um evento deste porte requer”.

Para custear o jogo, o GAM ‘correu atrás’ de patrocinadores, que prontamente ofereceram ajuda. “Foram cerca de 30 patrocinadores. Assim, vendemos cerca de 450 camisetas alusivas ao evento, que por sinal tivemos que parar de vender, pois não tínhamos condições de atender a grande demanda”.

Prorrogação

Por meio da realização do jogo comemorativo, os torcedores esperam conseguir ‘reacender’ a paixão dos guaçuanos pelo time, assim como, despertar o interesse de parceiros e patrocinadores em ter novamente uma equipe disputando os principais campeonatos da FPF.

“É óbvio que Mogi Guaçu tem todas as condições de ter um time entre os melhores do estado de São Paulo”.

Samir Gimenes afirma que para o Mandi voltar aos tempos áureos, há a necessidade de montar-se uma diretoria séria, competente e que tenha por objetivo apenas o bem do Atlético Guaçuano.

“Precisa-se também desvincular a diretoria do clube da administração municipal, mesmo porque, a administração municipal deve cuidar da educação, da saúde e do transporte da cidade e não de um time de futebol. À prefeitura cabe manter o Camacho que a ela pertence, em condições e atendendo às exigências legais da FPF”, desabafa.

Samir faz questão de observar que nos dois meses de trabalho para a realização do evento que “notamos o quanto o povo guaçuano gosta do seu time, o quanto são apaixonados pelo Mandi. Por onde andávamos as perguntas eram: ‘Vai voltar?’.  ‘Quando?’. Isso nos deu muita força e mais vontade de lutar pelo clube que tanto amamos”.

Samir relembra que em 1992, o Mandi conquistou o tão sonhado acesso. E, o que faltou para o Atlético Guaçuano permanecer na elite e não ser hoje um dos grandes clubes do interior de São Paulo?

“Acredito ser coisas do futebol mesmo. Mas um dos principais problemas enfrentados pelo clube é o nosso caldeirão, o Estádio Municipal Alexandre Augusto Camacho, que apesar de toda a história, todo carisma que possui, não tem capacidade e nem estrutura para disputar divisões maiores da FPF. O Camacho precisa de uma reforma geral. Este é o nosso calcanhar de Aquiles”.

Outro fato destacado por ele foi o fatídico jogo contra o Marilia em 2012. “Foi histórico. Praticamente 10 mil torcedores lotaram o estádio e o acesso não veio. De lá para cá, uma sucessão de problemas aconteceram como: falta de capacidade do Camacho, de condições de segurança e de instalações adequadas. Tivemos que mandar jogos com os portões fechados ou em outras cidades. Com isso, o Atlético Guaçuano foi morrendo, pouco a pouco”.

Há cerca de cinco anos, o Mandi enfrentava equipes do nível de Capivariano, Red Bull e São Bento de Sorocaba, clubes que hoje estão na 1ª Divisão do futebol paulista. “Goleamos o Capivariano por 5 a 0 dentro de Capivari em 2012. Um jogo histórico para nós e neste mesmo ano eles subiram para a Série A2 e estão onde estão hoje. Mas isso só nos trás um alento de que se eles conseguiram, nós também podemos conseguir”.

Pênaltis

Samir Gimenes agradece os integrantes do GAM. “Mais  que um grupo, tornaram-se uma família e amigos que estão sempre prontos para ajudar uns aos outros. Deixaram o sossego de seus lares, para lutar por uma causa. A demonstração de carinho pelo Mandi, a competência de cada um, a credibilidade destas pessoas honestas e trabalhadoras, nos faz crer que a volta do Clube Atlético Guaçuano é possível”.

Para encerrar, Samir convida a todos cujo interesse maior seja o bem do Atlético Guaçuano que se junte na corrente em busca de um recomeço: #voltamandi.

 

Fotos: Arquivo Pessoal

 

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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