Quinta-feira , 19 Outubro 2017
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Ginástica artística: modalidade mais fascinante dos Jogos Olímpicos

Fotos: Otávio Bueno

A prática da ginástica vem da Grécia antiga como forma de preparação atlética; já a ginástica artística como esporte de competição surgiu apenas em 1811 na Alemanha, sendo incluída no programa da primeira Olimpíada em 1896

Entre as muitas competições que acontecerão na Rio 2016, uma destaca-se pela beleza e encanto que proporciona ao evento e o público. Trata-se da ginástica artística ou olímpica que é um conjunto de exercícios corporais sistematizados, aplicados com fins competitivos, em que se conjugam a força, a agilidade e a elasticidade de cada atleta, que com saltos e acrobacias, fascinam crianças, adultos e amantes ou não de esportes.

Para os brasileiros, a expectativa em relação à modalidade é muito grande, pois, o ginasta Arthur Zanetti, tentará um feito inédito: ser o primeiro atleta da história bicampeão olímpico da prova das argolas.

Como estamos a uma semana do início dos Jogos Olímpicos, a O Pólo entrevistou o árbitro internacional de ginástica Marco Aurélio Amadeu, 34, que é Bacharel em Educação Física e Mestre em Biodinâmica do Movimento Humano, ambas realizadas pela Escola de Educação Física e Esporte da USP [Universidade de São Paulo], para contar detalhes desta modalidade tão empolgante.

Marco Amadeu trabalha no Instituto de Ciências Biomédicas [USP]. “Desempenho a função de suporte em pesquisas científicas na área biomédica para professores e alunos de mestrado e doutorado”, diz ele.

IMG_4943Carreira

Ex-ginasta, iniciou a carreira esportiva com 10 anos. “Comecei como atleta em um projeto da prefeitura de Araçatuba, em 1992. Permaneci treinando e competindo por essa cidade até 2001, quando fui convidado a competir por Florianópolis. Fiquei um ano no Sul e depois me transferi para São Paulo após passar no vestibular da USP para Educação Física. Encerrei a carreira nos Jogos Abertos do Interior em Santos, 2010”.

Em sua primeira participação nos Jogos Olímpicos, Marco Amadeu será responsável por revisar as notas da banca de arbitragem antes da divulgação final.

“Só para se ter uma ideia, sempre que ocorre demora na confirmação de uma nota durante a competição, normalmente essa nota não passou nos critérios estabelecidos e, por isso, precisa ser revista pela banca de arbitragem”, explica.

A trajetória para se tornar Árbitro Internacional de Ginástica Artística Masculina da FIG [Federação Internacional de Ginástica] começou há sete anos quando se capacitou por meio de um curso de arbitragem da CBG [Confederação Brasileira de Ginástica].

“Consegui passar na prova para compor o quadro de árbitros nacionais. Nesse primeiro ciclo de quatro anos, atuei nos campeonatos regionais e fui avançando para competições de maior expressão como os Campeonatos Paulista e Brasileiro”.

No ano seguinte aos Jogos Olímpicos de Londres 2012, teve a oportunidade de participar do Curso Internacional de Arbitragem em Aracaju [SE]. Passou em 1º lugar e com outros 24 árbitros brasileiros chegou ao quadro da FIG.

Dentro desse mesmo período, integrou a delegação brasileira em competições como:

– Campeonato Sul Americano de 2013 – Santiago [Chile];

– Campeonato Pan Americano Juvenil de 2014 – Aracaju [Brasil];

– Etapa de São Paulo da Copa de Mundo de Ginástica de 2015;

– Etapa da Croácia da Copa do Mundo de Ginástica de 2016;

“Nesse ano, fui convidado para compor o Time Olímpico Nacional para o Evento Teste de Ginástica em abril e Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. É uma experiência muito interessante, principalmente, para um apaixonado pelo esporte como eu”.

De acordo com ele, é importante destacar que o árbitro da delegação auxilia na avaliação dos atletas durante toda a preparação para competições.

“Apontamos para a comissão técnica sobre possíveis falhas na montagem das séries ou execução dos elementos. Além disso, somos responsáveis por trazer informações a respeito do critério que está sendo utilizado nas competições, favorecendo na escolha da melhor estratégia”, comenta. cnica possara a comisscomiss preparaçnte para um apaixonado pelo esporteem.enil em Araar ao quadro de

Rio 2016

Marco Aurélio Amadeu explica que as notas dos ginastas que disputarão os próximos Jogos Olímpicos serão avaliadas em dois critérios.

O primeiro diz respeito ao grau de dificuldade apresentado pelo competidor. Para isso, dois árbitros observam a prova e somam o valor dos dez melhores elementos apresentados no masculino ou os oito melhores no feminino.

“Dessa soma e de mais alguns critérios de composição da série surge a nota de dificuldade. Atualmente, os melhores ginastas têm apresentado séries com nota de dificuldade entre 6,5 e 7,6”.

Já o segundo critério avaliará o nível de perfeição atingido pelo atleta. Cinco árbitros serão responsáveis por esse quesito, dando notas que vão de 0 a 10 pontos – nesse caso, a nota começa com 10 e à medida que o ginasta comete erros fazem-se os descontos -.

“Das cinco notas são excluídas a maior e a menor, fazendo-se a média das outras três. A nota final do ginasta é a soma da nota de dificuldade e da nota de execução. Uma ótima prova tem nota final acima de 15,000 pontos, podendo até superar os 16,000 pontos em alguns casos”, esclarece.

Esclarece ainda que “as regras para avaliação dos ginastas são atualizadas a cada ciclo olímpico, ou seja, o ano olímpico é o último de um ciclo. Por isso, os árbitros estão mais treinados em avaliar os erros cometidos, aumentando o nível de exigência sobre os atletas e, consequentemente, os descontos aplicados”.

Conta que neste último ciclo, o regulamento praticamente não mudou, por isso, os árbitros estão ‘super treinados’ em fazer seus descontos e os ginastas deverão ter muita dificuldade em manter suas notas altas.

Ouro

Em avaliação profissional, Marco Amadeu fez um prognóstico de como deve ficar o quadro de medalhas de ouro dos Jogos de Verão.

Torneio Masculino

Por Equipes: Japão, Grã-Bretanha e China são as equipes favoritas ao ouro e o Brasil luta para ficar entre as oito melhores.

Individual Geral: A medalha deve ficar com o hexacampeão mundial e atual campeão olímpico Kohei Uchimura [Japão], mas podem surpreender e levar à dourada, Oleg Vernaiev [Ucrânia] ou Manrique Larduet [Cuba].

Entre os brasileiros, Sergio Sasaki e Arthur Mariano devem fazer uma boa Olímpiada, podendo chegar forte entre os 10 melhores.

Por Aparelhos: Os grandes destaques nas competições por aparelho são o japonês Kenzo Shirai no solo e os ingleses no cavalo com alças. O brasileiro e campeão olímpico Arthur Zanetti brigará com os ginastas da Grécia e China.

Marco crê que a prova das argolas pela medalha de ouro seja a mais acirrada e disputada da Rio 2016.

Para ele, outro ginasta que deve dar o que falar é o atual campeão olímpico de barra fixa Epke Zonderland, conhecido como ‘o holandês voador’.

Além de Arthur Zanetti, ele cita Diego Hypólito na competição do solo, Sergio Sasaki no salto sobre o cavalo e Arthur Mariano na barra fixa têm chances de medalhar.

Torneio Feminino

Por Equipes: O ouro deve ficar com os Estados Unidos. As brasileiras competem para ficarem nos oito primeiros lugares.

Individual Geral: A norte-americana Simone Biles é a favoritíssima ao ouro olímpico.

Por Aparelhos: Segundo Amadeu, Simone Biles deve ser o grande nome das Olímpiadas. Entre as brasileiras, a pequena Flávia Saraiva pode ser o nosso maior destaque, pois tem apresentado ótimos resultados e a destaca para a trave de equilíbrio.

História

Sobre a expectativa de Arthur Zanetti entrar para a história olímpica como o primeiro ginasta a conquistar um bicampeonato nas argolas e dentro de casa, o árbitro diz estar bem confiante na vitória do brasileiro.

“Apesar de a disputa ser acirradíssima, ele vem evoluindo bastante e apresentando ótimos resultados no Brasil, mas não será fácil”.

IMG_4944Legado Olímpico

Em relação à herança esportiva que a Rio 2016 deixará, Marco Amadeu diz estar muito satisfeito com a evolução do Brasil nos esportes olímpicos e, principalmente, na ginástica artística.

“Tenho acompanhado a modalidade em todos os níveis e por todo o país e posso falar quanto ter trazido as Olimpíadas para o Brasil fortaleceu a prática esportiva”.

Para o árbitro, o esporte é uma das maiores ferramentas que dispomos para a inclusão social e é fundamental que grandes atletas apareçam para estimular a prática esportiva.

“Toda sociedade precisa ter seus heróis, grandes atletas cumprem muito bem essa função social, trazendo consigo valores imprescindíveis para o crescimento de um povo. Não podemos desperdiçar esse momento. Curtam as Olimpíadas em nosso país, não precisamos esquecer as nossas dificuldades para isso, porém, nossos atletas merecem esse respeito”, finaliza.

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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Um comentário

  1. Nestor Soares Publio

    Adorei a reportagem. Como primeiro arbitro em JO, Moscou 1980 e Supervisor Técnico do Clube Pinheiros, que teve a honra de levar o primeiro ginasta, concordo em gênero , numero e grau com esse excelente reportagem a respeito do esporte que praticamente representei em toda minha vida. Fiz o primeiro Curso de Mestrado em EF, na EEFE da USP em 1975, e sou autor do livro EVOLUÇÃO HISTORICA DA GINÁSTICA OLIMPICA, hoje bibliograrfia básica em quase todas as EEFs do pais. Embora a ginástica seja um dos esportes que estiveram presentes em todos os JO, desde 1896, ela foi iniciada depois da batalha de Yena, quando Napoleão invadiu a Prússia, e o professor Ludwig Jahn, começou treinamento físico com a mocidade prussiana, na floresta de Hasenheide, hoje Parque do Povo, para lutar contra o exercito invasor, utilizando em suas aulas o cavalo (o mais antigo dos aparelhos, desde a época dos sete reis, quando utilizavam um cavalo de pau para treinamento dos cavaleiros, para os Torneios ou Justas), criou a paralela para exercicos preliminares no cavalo, barra fixa, para substituir os galhos de arvores, etc.., juita escada de corda, saltos, lutas arremessos , desde 1811, TODAVIA AINDA NÃO EXISTIA A GINÁSTICA DE NOSSOS DIAS. Com a popularidade conseguida e a perseguição à ginastica pelo governo prussiano, diversos alemães emigraram para o mundo todo, difundido essa ginástica de Jahn, que se n]ao fosse por Napoleão, talvez nem existisse ainda nos dias de hoje. Não dá pra dizer, que se não fosse por Napoleão nossa ginástica n]ao existiria, e o prof. Jahn, continuaria, como professor de Teologia na Universidade em que dava suas aulas!!!!(esta tudo no meu livro, embora com as duas edições esgotadas. Estou pensando seriamente em reeditar meu livro, depois dos JO, para mostrar aos interessados, os frutos das sementes que foram plantadas na ginástica brasileira., e sem falsa modéstia, tive minha parte nessa evolução, com muito orgulho.

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