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Guaçuana estuda a biodiversidade de aves no médio Rio Tapajós

Foto: Leandro Moraes

Marina Franco de Almeida Maximiano, 27, desde criança se interessava por animais dos mais variados tipos. Por isso, escolher a carreira profissional que deveria seguir não foi ‘complicado’. Decidiu pela área de Biologia e em 2008, mudou-se para Sorocaba [SP] para cursar Ciências Biológicas na Ufscar [Universidade Federal de São Carlos].

“No segundo semestre do curso comecei a trabalhar com as aves, momento que descobri o meu verdadeiro amor dentro da Biologia. A partir dali, eu tenho trabalhado em diversas áreas como: ecologia, comportamento, biogeografia, diversidade, entre outras, mas sempre com aves”, explica.

Ao concluir a graduação, Marina Maximiano teve a oportunidade de participar de uma consultoria ambiental no estado do Pará, na região do médio Rio Tapajós, que é um dos grandes afluentes do Rio Amazonas. Nesta consultoria, o trabalho envolveu o levantamento de espécies e fez parte do EIA [Estudo de Impacto Ambiental] do AHE [Aproveitamento Hidrelétrico] – São Luiz do Tapajós, que é apenas uma das diversas hidrelétricas planejadas para aquela região.

“Foi o meu primeiro contato com a Amazônia, o sonho de todos os biólogos. E é claro que fiquei apaixonada pela exuberância da fauna, flora e diferentes culturas que encontrei”, conta.

Focada na carreira, a guaçuana mudou-se em 2013 para Manaus [AM] e trabalha desenvolvendo expedições e pesquisas na região amazônica.

Entre os anos de 2014 e 2015, teve experiências importantíssimas para a vida profissional e pessoal, como o trabalho com educação ambiental no Musa [Museu da Amazônia].

“É um museu vivo, bem diferente do que estamos acostumados, localizado ao norte da cidade de Manaus e inserido na Reserva Florestal Adolpho Ducke, um ‘pedacinho’ de floresta de 100 km². Lá eu passava horas e horas em uma torre de observação de 42 m, acima da copa das árvores, onde é possível ver de um lado a grandiosa cidade de Manaus e do outro a imensidão verde da Reserva”.

Mestrado

Desde 2015, realiza o seu mestrado em Ecologia no Inpa [Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia], sendo orientada pelos doutores Camila Ribas Fernando d’Horta. Em seu projeto, a bióloga busca entender como estão distribuídas as aves do médio Rio Tapajós [PA], a partir dos dados coletados no EIA do AHE, trabalho que participou anteriormente, comparando diferenças entre:

*os tipos florestais: florestas de terra firme e inundáveis;

*as margens dos rios Tapajós – cujas distâncias podem chegar a 5 km -, e Jamanxim – um dos grandes afluentes do Tapajós -;

*períodos do ciclo hidrológico dos rios [da seca à cheia].

“O trabalho de campo foi dividido em seis expedições no período de agosto de 2012 a novembro de 2013”.

Marina Maximiano faz parte do grupo de pesquisa Ebba [Evolução e Biogeografia da Biota Amazônica].

“Esse grupo busca entender os padrões e processos responsáveis pela diversidade amazônica, utilizando abordagens integrativas como: genética, ecológica, morfológica e bioacústica. Apesar de sabermos que a região amazônica é muito diversa, ainda sabemos muito pouco sobre os motivos que geraram essa biodiversidade, e é essencial conhecermos mais para poder preservá-la”, comenta.

A pesquisa de Marina Maximiano é importante para entender como as espécies de aves estão distribuídas no espaço e no tempo, pois isso permite identificar quais serão potencialmente afetadas com a construção de uma hidrelétrica, auxiliando dessa forma na tomada de decisões quanto aos impactos ambientais desses grandes empreendimentos na Amazônia.

“Além disso, na área foram registradas cerca de 600 espécies, sendo que destas, 24 são consideradas ameaçadas de extinção pela IUCN [União Internacional para Conservação da Natureza], como a Ararajuba (Guaruba guarouba), espécie símbolo do Brasil.

Ao término do mestrado na Amazônia, a guaçuana pretende continuar na carreira científica realizando um doutorado em outro país.

Hobbie

Além dos estudos, Marina tem como hobbie a fotografia. “Desde a minha primeira viagem à Amazônia fiquei louca para poder registrar cada pedacinho do que via principalmente as aves. E não demorou muito para que eu comprasse minha primeira câmera e começasse a registrar lugares por onde passei e espécies que encontrei.

Finalizando diz: “agradeço a oportunidade de poder divulgar a minha história e o meu trabalho. Espero que isso ajude a incentivar outras pessoas a seguirem a carreira científica na Amazônia, uma região que é carente em recursos humanos e ainda possui muitos mistérios a serem desvendados”.

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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