ColunistasComportamento

Há vida depois dos 50 anos?

Numa época não tão distante, pessoas com mais de 50 anos eram aquelas que brevemente seriam consideradas idosas e aposentadas e, então, a vida seria permeada de cuidados com os netos, um pacato envelhecimento, não havia muito o que fazer com todas as doenças que fatalmente surgiriam, bem como na vida afetiva, a qual era por vezes mantida para não ficar só, ou seja, sem grandes pretensões.

Na prática clínica, atendo pessoas com mais de 50 anos que almejam nova carreira, casais com mais de 60 buscando terapia de casal com objetivo de alinhar novamente o relacionamento, outros com desejo de novas aventuras que muitas vezes se transformam em belíssimos trabalhos sociais, viagens e, até mesmo, intercâmbio para aprender novas línguas ou conviver com outras culturas. Esses são alguns exemplos de mudanças de atitudes que não eram comuns.

A transformação também ocorre com as pessoas de menor poder aquisitivo, apesar de muitas vezes estarem estabelecidas ou aposentadas não se acomodam e buscam novas formas de se manter na ativa com o intuito de ter uma vida melhor ou ajudar os filhos e netos que ainda precisam de apoio.

A Gerontologia, ciência que estuda a velhice e o envelhecimento, se inseriu na sociedade no século XX, e hoje, temos profissionais especializados no assunto. É de conhecimento de todos que viveremos mais tempo e assim precisaremos nos preparar para isso, não só em busca de novas metas como as que citei acima, mas também emocionalmente, fisicamente e financeiramente.

Segundo o médico geriatra, Dr. Rafael Rondinelli Ceregatti:
“Para viver muito e viver bem, não é suficiente só cuidar da alimentação, fazer atividade física, evitar álcool e tabaco ou escolher um ambiente físico adequado. É preciso investir no nosso capital social, em relações sociais [não as virtuais, mas as verdadeiras], com família, amigos, colegas e vizinhos, além de investir em educação.
Com uma educação melhor, você aumenta as chances de conseguir um bom emprego e assim maior segurança financeira, ter mais conhecimento para cuidar melhor da sua saúde, ter seus direitos protegidos e viverá em um ambiente mais propício. Ou ainda, com uma boa rede social, situações difíceis que possamos enfrentar ao longo do curso da vida como doenças, desemprego ou a perda de um ente querido ficarão menos traumáticas. Com isso, superamos as dificuldades com mais facilidade e assim diminuímos o impacto negativo das mesmas na nossa saúde”.

Muitas pessoas ao serem questionadas sobre o autocuidado mencionam que irão morrer antes de necessitarem de ajuda, contudo, isso não é verdade. A maioria precisará de algum auxílio físico ou financeiro quando for mais velho.

Dr. Rafael diz também que:
Buscar um Envelhecimento Bem-Sucedido – e não antienvelhecimento –, é possível a partir de qualquer idade, e quanto mais cedo se começa, maiores os resultados! E isso não significa, nem de longe, que não valha a pena iniciar aos 60, 70 anos. Com ajuda de um bom profissional, é possível identificar tendências genéticas e intervir de forma precoce e individualizada com o intuito de diminuir a incidência de doenças, ou quando isso não é possível, minimizar seu impacto na qualidade de vida.
Mais do que estimular hábitos saudáveis, otimizá-los de acordo com as características individuais, como na escolha dos tipos e quantidades dos alimentos, suplementos, da atividade física e intelectual, do sono e eventualmente de medicamentos. É nisso que acredito!”.

Se no decorrer da vida não valorizarmos a importância de termos relacionamentos íntimos, amigos, cuidado com a saúde ou se vivermos sem novas metas e sonhos teremos um terreno fértil para a solidão e a doença física poderá vir acompanhada da depressão.

Na segunda metade da vida, de maneira geral, já lidamos com sonhos realizados ou não, perdas, frustrações e isso colabora para que a tristeza apareça com um comportamento de muita irritabilidade e pode ser visto como coisas de ‘idoso mal-humorado’ quando na maioria das vezes pode ser depressão mal diagnosticada e não tratada.

Penso que é importante se autoconhecer e a partir dos

 

50 anos estar mais livre para escolher novos caminhos, resgatar ou criar novas metas, realizar antigos ou novos sonhos. É hora de contemplar tudo que já realizou na vida e ao mesmo tempo questionar:

Gosta da sua rotina?  Fica satisfeito no final do dia?  Sente alegria com sua vida?

Sugiro que se teve dificuldade para responder essas questões, que você faça um diário de uma semana e escreva como se sente em cada momento do dia e em quais momentos se sentiu feliz.

Quais pessoas a sua volta são importantes e quais se importam com você?

Sugiro que faça uma relação daquelas que reconhecem o melhor em você ou que perto você se sinta bem.

Qual sonho tinha na juventude? Pode reavê-lo? Quer deixar guardado? Gostaria de realizar agora?

Tem a vida que gostaria de ter?  Por que? Pode mudar algo em sua vida? O que de fato lhe impede? São fatores externos ou você mesmo não se dedica a pensar e tomar atitudes?

Como imagina que estará daqui cinco, dez e 20 anos?

Pense, reflita e experimente fazer algo diferente. A vida passa muito rápido e não deixe de valorizar o que realmente importa. Não perca seu tempo fazendo apenas o que não gosta, acredite no seu potencial de mudança, busque ser feliz, se realize e esteja sempre rodeado de pessoas que de fato se importam com você.

“Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça”.
                                                                                        Cora Coralina

Ana Lúcia da Costa Rafael – Coordenadora, é Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual. Especialista em Psicologia Clínica pelo CRP/SP, pós-graduada pela PUC/SP em terapia familiar, casal e individual. Ministra palestras e cursos para pais, educadores e psicólogos. Articuladora da APTF [Associação Paulista de Terapia]. Formada pelo Programa Internacional em Práticas Colaborativas e Dialógicas/Houston Galbeston Institute [Texas] e Taos Institute [Novo México].

Tags
Mostrar mais

Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close