ColunistasComportamento

Identidade de Gênero: O que é preciso saber?

Escrever sobre o tema Gênero sempre foi um desejo, porém um grande desafio, afinal, sempre que ouço pessoas falando sobre o assunto percebo muita desinformação e preconceito, fatores que podem favorecer inclusive o desinteresse pelo tema.

Tenho clareza de que esse assunto é muito amplo e que não será esgotado em apenas um artigo. No entanto, já me sentirei satisfeita se conseguir que o leitor entenda diferenças entre conceitos importantes e se sensibilize para a realidade de uma parcela da população que sofre com preconceitos, discriminação, violência e negligência por ser ‘diferente’. Assim, precisamos de mais conhecimento e compreensão.

Mas o que é Identidade de Gênero? Ideologia de Gênero? Orientação Sexual?

Identidade de Gênero é diferente de sexo, que também difere de orientação sexual; isto mesmo, apesar da grande maioria das pessoas acreditarem que todos esses conceitos se referem as mesmas questões.

Sexo é de fato o sexo biológico de um ser humano e são todos os elementos da nossa fisiologia como: cromossomos, órgãos sexuais, glândulas, hormônios sexuais, ou seja, tudo que distingue macho e fêmea. Falamos então de feminino e masculino.

A orientação sexual e não opção sexual, pois não é algo que escolhemos, diz respeito ao interesse afetivo, amoroso e sexual de cada um. Conhecemos como homossexuais, àqueles que possuem interesse por pessoas do mesmo sexo, e heterossexuais os que possuem interesse por pessoas do sexo oposto. Particularmente prefiro homoafetivos e heteroafetivos, porque se refere a uma denominação muito mais emocional do que sexual.

Gênero é a construção social do sexo, ou seja, enquanto o sexo é biológico, o gênero é cultural! Nesse caso, não importa a biologia mas a percepção e a forma como o indivíduo se expressa socialmente.

E o que são transgêneros?

Transgêneros são pessoas que não se identificam com seu sexo biológico e, existe ainda, os cisgêneros  que são aqueles que se identificam com o sexo biológico.

Segundo Alexandre Saadeh, coordenador do ambulatório de gênero do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, os transgêneros são menos de 1% da população e estão presentes em ‘todas as culturas’ e ao longo de toda a história.

A WPATH [Associação Mundial Profissional para a Saúde Transgênero], afirma que a não-conformidade de gênero ou variabilidade de gênero refere-se ao grau em que a identidade, o papel ou a expressão de gênero difere das normas culturais prescritas para pessoas de um determinado sexo.

Mas transgênero é uma doença?

Não é uma doença. Segundo a OMS [Organização Mundial da Saúde], quem se identifica como transgênero não possui nenhuma doença ou distúrbio mental e, essa definição, é recente. Anteriormente essa questão aparecia como ‘distúrbio de identidade de gênero’, agora muda para ‘incongruência de gênero’ e integra as questões relacionadas a saúde sexual.

Em maio de 2010, a WPHTA emitiu uma declaração favorecendo a despatologização da variabilidade de gênero em todo o mundo, afinal, o estigma em relação ao tema leva ao preconceito e a discriminação, além de contribuir para várias formas de abuso e negligência para essa população.

É muito importante ressaltar que nesses casos existem avaliações e acompanhamentos disponíveis em ambulatórios especializados, que auxiliam em tratamentos hormonais adequados, apoio psicológico e em cirurgias, se necessário.

Como disse no início deste artigo, a informação e o esclarecimento são as ferramentas contra o preconceito, afinal reconhecer e respeitar as diferenças é extremamente importante para construir uma sociedade mais tolerante e diversa, onde possa prevalecer os direitos e o amor.

Atualmente, encontramos vários documentários esclarecedores na internet. Gostaria de deixar a sugestão de um filme que particularmente gosto muito: ‘Meu nome é Ray’.

Desta forma, antes de qualquer julgamento se informe a respeito do assunto, valorize e respeite o ser humano e as diferentes formas de amor sem ódio ou preconceito.

Bibliografia:
Como ser transgênero foi de “aberração” e “doença” a questão de identidade. https://www.bbc.com/portuguese/geral-44651428
Normas de Atenção à saúde de pessoas trans e variabilidade de gênero.https//www.wapath.org> cms > Documents.

Flávia A. Lima – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual.  É coordenadora de grupo de apoio para religiosos. Ministra palestras e cursos para pais e educadores. Formada pelo Programa Internacional em Práticas Colaborativas e Dialógicas/Houston Gabeston Institute [Texas] e Taos Institute [Novo México].

Tags
Mostrar mais

Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Close