Terça-feira , 12 Dezembro 2017
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Jovens mogimirianos ganham a vida no exterior

Deixar para trás casa, família, amigos, emprego e a cidade na qual nasceu para tentar a vida em um país diferente pode parecer arriscado. Mas, dois jovens mogimirianos, Tadeu Bronzatto Morari e Mariana Gambardella Masoti, mostram que tudo é questão de perseverança e aprendizado.

Reino Unido

Foto TadeuO designer gráfico Tadeu Bronzatto Morari, 30, mora em Dublin, Irlanda, desde janeiro de 2014. Foi para o país sem plano definido, com o desejo de trabalhar e estudar, como ele mesmo explica.

“Decidi vir em novembro de 2013, e em janeiro de 2014 já estava aqui”.

Ele, que nunca havia morado fora do Brasil, relata que estava cansado das dificuldades financeiras, que implicavam uma rotina de trabalhar para ‘comprar o pão e pagar as contas’.

Inicialmente, Morari começou sua vida profissional em Dublin trabalhando numa lanchonete, fritando batatas e hambúrgueres em uma feira de comida na cidade quatro vezes por semana.

“Essa mesma feira acontece na área de alimentação da maioria dos festivais de música aqui e tive a chance de ver shows muito bons trabalhando, incluindo Beck e Bryan Adams!”, relata entusiasmado.

Após dez meses na cidade, Morari conseguiu com a ajuda de amigos brasileiros que já moravam no local, um emprego na área de design. Entretanto, hoje ele atua em uma empresa de eventos, promoções e projetos que são voltados, principalmente, para a área de educação. “Não poderia estar mais satisfeito”.

Alpes

Já a contadora financeira Mariana Gambardella Masotti, 27, é uma veterana quando o assunto é morar em outro país. Ela está em Lucerna, Suíça, desde maio do ano passado, mas já passou por Estados Unidos, Holanda, Itália e Portugal.

Para Mariana, morar fora do país era um sonho de criança, que se realizou quando foi cursar o High School – equivalente ao ensino médio -, nos Estados Unidos. Quando retornou ao Brasil, iniciou a faculdade, mas logo trancou a matrícula para, novamente fazer as malas e partir, desta vez para a Holanda.

“Era um programa de intercâmbio chamado Au Pair, morava com uma família, estudava e tomava conta das crianças de 9 e 12 anos”.

Porém, teve que retornar ao Brasil para concluir o ensino superior, e depois partiu novamente, para a Itália, onde fez mestrado em Administração de Hotéis e Turismo.

Na sequência, conseguiu um estágio em Portugal no departamento financeiro do Hotel Ritz Carlton. “Fiquei ali por um ano e meio. Depois decidi sair da empresa, voltei a trabalhar no Brasil, mas a readaptação não foi como eu esperava, e assim que recebi uma proposta para vir à Suíça trabalhar no departamento financeiro da empresa EF [Education First], aceitei”, relata.

Antes de se mudar para a Suíça, Mariana ficou no Brasil de fevereiro a maio de 2015, e conta que “o trânsito, a insegurança, o salário baixo e o alto custo de vida me fizeram buscar algo no exterior novamente”.

‘Cheguei, e agora?’

A adaptação a um novo país, nova cultura e criar um novo círculo de amigos nunca é fácil, mas não é impossível. Para Tadeu Morari acabou sendo mais simples, já que ele conhecia algumas pessoas que estavam morando em Dublin, inclusive um primo seu, com quem morou nos primeiros meses.

“Os primeiros dias você passa numa euforia sem fim com o enorme número de novidades e coisas diferentes”.

Mariana diz que a adaptação em um país diferente representa sempre um ‘desafio enriquecedor’, que compreende desde fazer novos amigos, ser aceita em grupos até a responsabilidade de morar sozinho ou ficar doente e não ter ninguém da família ‘para te mimar’.

Ela conta que nada como o ‘jeitinho brasileiro’, aliado ao comportamento adequado no país em que está residindo para facilitar as coisas.

Entre as principais diferenças culturais entre o Brasil e a Irlanda, Morari cita as relações profissionais. “Sinto uma preocupação maior no que diz respeito a horas de trabalho e bem estar; onde trabalho hoje, fazer hora extra é algo extremamente raro, quando que no Brasil é uma coisa vangloriada em muitos setores. A sua vida não é o seu trabalho”.

A mogimiriana fala que o primeiro impacto de diferenças culturais foi durante uma aula – ela cursa alemão atualmente -.

“Cochilei na sala de aula e todo mundo ficou espantado!”, brinca. “Aqui as pessoas levam tudo muito a sério”.

De maneira geral, ela relata que na Europa o brasileiro é muito bem recebido devido ao espírito alegre e festeiro, mas que isso acaba gerando uma estereotipização.

“É frustrante e estressante ter que provar quem você é, explicar que às vezes trabalhamos em dois ou três empregos para pagar as contas quando fazem piadinhas sobre sul-americanos que não gostam de trabalhar. Mas depois que você passa pelo teste, as pessoas que você conquistou são para sempre!”.

Sobre Letícia Guimarães

Graduada em Comunicação Social com Especialização em Jornalismo pela Unip [Universidade Paulista], Letícia Guimarães dos Santos, 28, é Editora-Adjunta da O Pólo, sendo responsável pelas reportagens da cidade de Mogi Mirim. Fez carreira de sucesso em coberturas da editoria de polícia. Estagiou como assessora de imprensa em agência de comunicação em Campinas, trabalhou em jornais da região da Baixa Mogiana e atuou como correspondente para o jornal O Estado de São Paulo.

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