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Networking: O que é?

Edgard Pitta diz que as melhores oportunidades profissionais e de negócios são em interações sociais

“O networking é o relacionamento com contatos profissionais, que não apenas ou necessariamente amigos, com o objetivo de explorar interesses em comum”, diz Edgard Pitta de Almeida, 48, Mestre em Administração de Empresas pela PUC-SP [Pontifícia Universidade Católica de São Paulo], com pesquisa sobre carreira na maturidade.

Edgard Pitta atuou por cinco anos em consultoria tributária e mais de 15 anos no mercado financeiro em posições executivas no Brasil e no exterior, com passagens por grandes bancos internacionais como BankBoston e ABN Amro Bank. No momento, é consultor de carreira e negócios, especializado em desenvolvimento de carreira e proprietário da empresa Alfa Centauri Carreira e Desenvolvimento, no ramo há nove anos.

Origem
Sendo uma forma de cultivar relações profissionais em diversos ambientes e utilizá-las para alguma finalidade, o networking é uma rede que sempre existiu, mas de forma informal e casual. Quando vivíamos em cidades menores e vida mais simples, não precisávamos marcar para encontrarmos as pessoas, essas situações aconteciam naturalmente.

“Hoje, se não marcarmos um happy hour ou almoço, não encontramos nem com a nossa própria família, quantos mais com amigos e contatos”.

Já o networking como técnica surgiu nos Estados Unidos no século XX, juntamente com o crescimento das grandes cidades, sendo ainda, um conceito muito estranho para a cultura latina, que é baseada em vínculos familiares e de amizade, que importamos até o termo do inglês.

“Não existe em português uma palavra que traduza esse tipo de relacionamento entre contatos que não são apoiados no afeto mas no desenvolvimento de interesses mútuos”.

Em qualquer lugar do mundo, as pessoas preferem contratar e fazer negócios com conhecidos ou amigos e no Brasil não é diferente. O principal objetivo do networking é estabelecer laços pessoais com objetivos profissionais e de negócios. Estima-se que de 60% a 70% das vagas de trabalho são preenchidas por meio de indicação.

“Então, quem tiver a maior rede de relacionamentos está melhor posicionado num momento de recolocação profissional”.

O que é diferente no Brasil e na América Latina é a dificuldade em entender um relacionamento alicerçado na troca de interesses, mas que não obrigatoriamente afetivo. Nos países de cultura latina de modo geral, só nos aproximamos de pessoas que temos interesse em tornarmo-nos amigos.

“O que não é necessariamente o caso com um contato profissional, visto que o que nos une são os interesses em comum”.

Ganha-ganha
O networking só é verdadeiro quando tratar-se de uma relação ganha-ganha, uma relação de reciprocidade, de não exploração, que ofereça algo ao outro que julgamos ser do interesse dele, e com isso, estabelecemos uma relação de reciprocidade.

“Se não for assim, não é networking, é puro interesse”.

Edgard Pitta ressalta que a melhor hora para fazer networking é “quando não precisamos dele, porque assim vamos estabelecendo ‘créditos’ com os nossos contatos que podem ser ‘resgatados’ se ou quando precisarmos”.

“Em networking, a ‘empresa’ não existe. O que existe são pessoas que representam esta empresa. E pessoas preferem fazer negócios com outras pessoas conhecidas”

Vida social
Todas as pessoas que conhecemos são contatos em potencial, assim como, contatos podem tornar-se amigos. Podemos fazer networking em qualquer lugar em que pudermos trocar duas palavras com outras pessoas.

As melhores oportunidades de contato são em interações reais como reuniões sociais, festas, férias e até em espera em aeroportos, porque a aproximação fica mais natural.

“Mas lembre-se, o principal objetivo é oferecer algo ao outro e não o contrário”.

Com as atribulações da vida moderna, podemos passar muito tempo sem encontrarmos pessoalmente com os nossos contatos. “Se esquecemos de alguém também seremos facilmente esquecidos”.

Por outro lado, temos ferramentas digitais diferentes para lembrar e sermos lembrados. O LinkedIn, por exemplo, tem uma seção em que aponta uma série de oportunidades para nutrir a relação com seus contatos: aniversário, aniversário de empresa, promoções e mudanças de emprego.

“Essas são oportunidades para mandar uma pequena nota de lembrança e consequentemente sermos lembrados”.

Como exemplo, Edgard Pitta cita um networking eficiente e de sucesso que aconteceu recentemente quando marcou um almoço com um contato que não via há meses e que durante o encontro, contou-lhe sobre alguns projetos que estava desenvolvendo.

“Descobrimos que ele estava precisando de um parceiro profissional exatamente com a minha experiência. Mais um negócio fechado como resultado de um almoço casual”.

Networking x Carreira da Maturidade
O mercado é volúvel e rapidamente muda. E nele, encontram-se jovens, adultos e os de idade madura, pois o mesmo está muito competitivo para todos de um modo geral, mas os profissionais maduros são ainda mais prejudicados pelo preconceito etário, isto é, uma série de estereótipos negativos, como por exemplo, de que são menos flexíveis, menos atualizados que os mais jovens e menos interessados em aprender.

No entanto, o profissional maduro tem duas grandes vantagens perante os mais jovens: contam com repertório profissional e rede de relacionamento muito maiores.

‘Retome o contato com as pessoas, nutra sua rede e explore todo o potencial escondido que está adormecido”.

O grande desafio do profissional maduro é combater o preconceito etário e expor sua relevância; mostrar que não só está atualizado com as novas tecnologias, que sabe trabalhar nos novos arranjos profissionais e que sua experiência é um diferencial frente aos mais jovens.

“O mundo do trabalho vem passando por uma transformação radical nos últimos anos e muitas profissões desapareceram ou transformaram-se”.

Entretanto, o mundo não se faz sozinho, tem que ser construído todos os dias e quem faz isso são as pessoas por meio do seu trabalho.

“Entenda sua história profissional, aproprie-se das suas competências, atualize-se com as novas tecnologias – elas são novas para todos! -, e mostre o seu valor”.

Edgard Pitta de Almeida
MBA em Gestão Internacional pela Thunderbird School of Global Management, Arizona-EUA; pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV-SP e advogado (UCSal-BA).
Autor do livro “Desafios e Oportunidades de Carreira na Maturidade – Um estudo com profissionais brasileiros” e do capítulo “Perfil Comportamental e Sucesso em Vendas”, no livro “Coaching e Análise de Perfil”.

Foto: Divulgação

 

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Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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