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Nossos filhos são nossos?

Assim que nascem, tentamos sempre ter em mente que ‘devemos criá-los para o mundo’.  Mas é claro que não temos ideia do que isso representa, afinal, são anos de total dependência deles em relação a nós.

Mas, conforme o tempo passa, e eles alcançam a idade que tínhamos há pouco tempo atrás – o tempo voa! -, começamos a perceber que eles, de fato, não nos pertencem.

E isso é maravilhoso!

Maravilhoso pelo fato de olharmos indivíduos que estão se tornando independentes, que têm suas opiniões formadas sobre determinados assuntos, que têm seus gostos particulares, e que, no meio disso tudo, tem um pouco de você, do que você ensinou e um pouco da direção que você mostrou.

Não é fácil saber que se vão, mas com o amor que sentimos como pais, ficamos felizes em ver que estão caminhando, aprendendo e experimentando a vida, essa vida que muito sabemos sobre.

E é aí que entra nossa verdadeira função:  deixá-los viver!

Não mais a nossa vida, mas a vida deles!

Não adianta querer sermos superprotetores, isso não é legal! Não temos o direito de interferir na vida de ninguém, muito menos na dos nossos filhos! Todos nós temos o direito de viver para aprender e escolher o que é bom para nós e isso diz respeito unicamente a um indivíduo particular. Podemos viver uma mesma situação que outro e cada um aprenderá de uma forma diferente.

Por isso, é primordial termos em mente que temos o tempo de passar nossas lições, tentar mostrar o caminho mais simples e satisfatório, mas, depois desse tempo, nosso dever é deixá-los viver tudo isso.

Não estou dizendo que devemos abandoná-los, mas sim, permitir que se vão e fazer com que saibam que estaremos sempre aqui, para o que der e vier, mas que, a partir de agora, eles terão que decidir ‘sozinhos’.

Só poderemos nos orgulhar das atitudes que eles escolheram tomar por si sós, e que, de uma certa forma, foi baseada no que lhes foi ensinado enquanto estavam conosco para aprender.

Isso! Esse é o ciclo da vida!

Um dia fizemos nossas escolhas, tivemos nossas dores e remorsos, assim como nossas decisões acertadas e alegrias. Nos tornamos pais, mestres de nossos filhos. Tentamos evitar ao máximo que sofram, baseado em nossas experiências.

E, então, eles crescem e assim terão seus próprios remorsos e dores, acertos e alegrias vindas de suas próprias escolhas, que um dia serão a base de ensinamento aos seus filhos. Com isso, vemos a importância de cada um viver suas escolhas e serem livres para fazê-las.

Hoje, meu mais velho começou a dar sinais de que o tempo está passando rápido demais, e que, tão logo estarei não mais como treinadora do seu jogo na vida, mas como torcedora numa arquibancada um tanto quanto distante. Comemorando vitórias, das quais, muitas não mais participarei, mas estarei radiante em cada uma delas, daqui, do meu lugar.

Uma semana abençoada e até a próxima coluna!

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Rubia Wakizaka

Rúbia Mara Andrade Felisberto Wakizaka é guaçuana e há três anos mora em Lake Mary [Flórida]. É casada com o empreendedor Fabio Wakizaka e mãe de dois filhos, Ichiro e Kenzo. Fala inglês fluente, é artesã e culinarista. Nos Estados Unidos, trabalha na área digital como bloguer e youtuber, trazendo experiências do setor de craft, abrangendo técnicas de costura, bordado e crochê, por meio do seu canal ‘Faça-Você-Mesmo’.

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2 thoughts on “Nossos filhos são nossos?”

  1. Oi,Rubita!
    Linda matéria como sempre arrasando!
    O lugar mais seguro que seu filho pode estar é ao seu lado.Mas ele não foi feito para permanecer aí.
    Ele precisa preparar seu próprio lugar,sentir seguro feliz e certo de que,em outro tempo, deverá ser assim para seu filho também.
    Sempre te seguindo!
    Bjs!

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