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Novas descobertas para a ciência

Foto: Otávio Bueno

O guaçuano Leonardo José da Silva, 34, participou da 33ª Operação Antártica [Operantar XXXIII], que aconteceu entre os meses de outubro de 2014 e fevereiro de 2015.

“As expedições são compostas por quatro fases, com duração média de um mês cada. Estive presente durante a segunda fase, compreendida pelos meses de novembro e dezembro de 2014”, explica ele.

De outubro a fevereiro, o sol não se põe na Antártica e a temperatura pode variar entre -20 e 4 °C.

“Neste intervalo de tempo ocorre o degelo parcial das calotas polares periféricas e, consequentemente, a fase de maior atividade biológica do Continente, como por exemplo, o brotamento de espécies vegetais endêmicas, a nidificação de aves migratórias, a reprodução e alimentação da macrofauna e intensa atividade microbiana”.

Leonardo Silva é Biólogo formado em 2010 pela Unipinhal [Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal]; obteve o título de Mestre Ciências, em 2014 pela USP [Universidade de São Paulo] e cursa Doutorado [2014/2018], pelo Departamento de Ciências do Solo [Programa de Microbiologia Agrícola pela Esalq/USP [Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”].

Na Antártica

A logística da expedição ao Continente gelado é de responsabilidade da Marinha do Brasil, devendo cada grupo de pesquisa adequar-se às respectivas exigências e atribuições. A travessia foi realizada a bordo do navio de pesquisa Almirante Maximiano H 41 – Marinha do Brasil, a partir da cidade de Punta Arenas [Chile].

“Estive acompanhado de um grupo de pesquisa multidisciplinar, composto por biólogos, biólogos marinhos, microbiologistas, oceanógrafos, geólogos e engenheiros”.

Esta integração é determinante à consolidação de redes de pesquisas e ao entendimento das interações ecológicas.

“O grupo de pesquisa que integro chama-se MycoAntar, e é coordenado pelo professor doutor Luiz Henrique Rosa UFMG [Universidade Federal de Minas Gerais]”.

“Nosso grupo concentra atividades à busca por novas moléculas bioativas, a partir de micro-organismos. Realizamos amostragens em diferentes ecossistemas, como água, solo, geleiras, rochas, sedimento marinho, biofilmes, animais e plantas”, explica Leonardo.

O conhecimento gerado pelo projeto de pesquisa trará contribuições à ciência básica nacional, já que informações relacionadas ao potencial biotecnológico do Continente e métodos de prospecção em ambientes extremos são ainda incipientes ao país.

“Em relação à ciência aplicada, em que um produto – linhagem microbiana, molécula bioativa ou processo -, venha a se tornar comercializável, a supervisão do doutor Itamar Soares de Melo faz-se de extrema importância. Ele é referência nas áreas de bioprospecção de recursos microbianos e genética de micro-organismos no Brasil”.

Pesquisas

No Brasil, o biólogo atua no Laboratório de Microbiologia Ambiental – Embrapa Meio Ambiente, Jaguariúna, sob supervisão do pesquisador Itamar Soares de Melo.

“O laboratório possui duas linhas de pesquisa consolidadas: Ecologia Microbiana e Bioprospecção de Moléculas Bioativas de Interesse Biotecnológico em Ambientes Extremos”, conta.

Dentro da rotina diária, a equipe concilia à condução dos experimentos, as análises dos dados gerados, a prestação de contas e relatórios de progresso às agências de fomento, a publicação dos resultados em periódicos científicos e constante atualização sobre o tema em desenvolvimento.

“As atividades de meu doutoramento concentram-se no isolamento de actinobactérias [grupo bacteriano proeminente à síntese de complexos metabólicos bioativos] na busca de moléculas com propriedades antitumorais. Para isso, o projeto conta com diversas parcerias de universidades como: Esalq/USP, Ffclrp/USP, Cpqba/Unicamp e Icb/UFMG”.

O biólogo finaliza agradecendo o apoio da Marinha do Brasil, ao CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] e a TV UFMG.

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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