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O extraterrestre cego

Um forte clarão e um estrondo são percebidos num terreno baldio no meio da grande metrópole. Curiosos se achegam para ver a grande esfera de metal que caíra do céu causando um forte impacto.

Uma porta se abre naquele misterioso objeto e as pessoas se espantam em ver aquele ser estranho, baixinho, esverdeado, na sua cabeça notavam-se os ouvidos a boca e o nariz, mas não existiam os olhos. O ser se aproxima das pessoas, quando os soldados chegam para intervir junto ao visitante misterioso.

Um ufólogo também chega apressado para conferir e tentou contato:

– Ó ser extraterreno, estamos em paz, identifique-se, por favor.

O homenzinho esverdeado estende as grandes mãos e diz algumas palavras:

– Eu também estou em missão de paz, viajei milhões de anos-luz para estudar suas formas de vida que é um mistério para o povo de nosso planeta.

Após alguns contatos e conversas entre o ufólogo e o extraterrestre, constatou-se que realmente se tratava de uma missão de paz. E que o ET viera de um distante planeta onde reinava a paz e a felicidade, e que os habitantes desse planeta eram dotados de uma inteligência acima da capacidade humana, mas todos eram completamente cegos, não tinham olhos, mas possuíam uma sensibilidade incrível.

O ufólogo e o extraterrestre decidem andar pela grande metrópole para que o visitante conhecesse melhor o nosso planeta.

No primeiro instante o ET sentiu um forte mau cheiro e perguntou o que era aquele fedor. O ufólogo lhe responde que aquilo era a fumaça, ou monóxido de carbono, que era lançado ao ar pelos automóveis, pelas indústrias e pelas queimadas que destruíam toda a natureza.

Andaram mais um pouco e ouviram alguns tiros perto de uma favela. O extraterrestre pergunta o que é, e o ufólogo responde que eram traficantes que estavam trocando tiros com a polícia ou com outros traficantes, pelo tráfico de drogas.

Depois um mendigo pede alguma esmola para o visitante. Pergunta ele do que se trata e o ufólogo responde que aquilo é consequência do desemprego e da miséria.

Passaram perto de uma loja de eletrodomésticos e uma televisão que estava ligada transmitia a notícia de que os conflitos continuavam pelo mundo. O extraterrestre pergunta o que significava aquilo e o ufólogo responde que se tratava de guerras que eram travadas simplesmente para mostrar a todos qual era a mais forte das nações, desse modo milhões de pessoas eram mortas pela arrogância e imbecilidade dos chefes desses países. Sem contar os conflitos étnicos, pura demonstração de falta de respeito à vida e ao próximo, causando a fome e a pobreza em vários países.

Muitas outras coisas e acontecimentos foram captados pela sensibilidade do extraterrestre.

Depois de alguns dias o ET voltou para seu distante planeta.

O grande soberano do planeta extraterrestre curioso pelas descobertas de seu enviado pede para que contasse as novidades e ele somente responde:

– Existe apenas uma diferença entre o nosso planeta e o planeta Terra:

“No nosso planeta não existe a visão, no deles não existe coração”.

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Rodrigo Alves de Carvalho

Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Escreveu para jornais de Jacutinga, Itapira, SP; Mogi Mirim, SP; Pouso Alegre, MG; Ouro Fino, MG; Espirito Santo do Pinhal, SP; Campinas, SP e Belo Horizonte, MG.

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