Sábado , 18 Novembro 2017
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O outro lado

Durante este mês, a campanha ‘Outubro Rosa’ continuará por todos os lugares. A sua função é nos lembrar da importância do autoexame para prevenção e combate ao câncer de mama. Desde o início do mês venho escrevendo sobre esse assunto. Esse será o meu último artigo sobre o tema.

O câncer de mama é uma doença que pode acontecer com qualquer pessoa, em qualquer época da vida. Por isso, cedo o espaço dessa coluna para o depoimento de uma pessoa que viveu a doença, se curou e, hoje, compartilha sua história para alertar e ajudar outras pessoas.

Com vocês, Vanessa Carvalho.

Descobri o câncer de mama aos 28 anos fazendo o autoexame. Na época, eu morava sozinha em Campinas. Percebi um nódulo no seio direito e como não consegui  consulta imediata em nenhuma clínica fui ao hospital mais próximo. Chegando lá, o médico plantonista se recusou a fazer uma mamografia alegando que o hospital não liberaria por eu ser menor de 45 anos e, que, no meu caso poderia ser uma íngua, um nódulo de gordura, pois é muito raro nessa idade ser um câncer. Me receitou anti-inflamatório para tomar por uma semana. Fui contra o diagnóstico dele e no dia seguinte já procurei um Mastologista e foi essa atitude que me salvou.

Fui ao Centro Clínico Campinas do Dr.José Carlos Campos Torres. Lá, fizemos um ultrassom onde constatou nódulo suspeito e na mesma semana já fizemos uma pulsão para biopsia. Quinze dias se passaram e veio o resultado: câncer de mama – grau 3, o mais alto grau. As células não têm características normais e tendem a crescer e se espalhar de forma mais agressiva e desordenada.

Nesse momento fiquei paralisada, anestesiada. Não chorei…..

Me lembro apenas de ouvir a voz da Dra. Carolina Machado como um anjo, me explicar os próximos passos e me acalmar. Graças a Deus eu procurei uma clínica que tem a competência e o preparo necessário para trabalhar com essa doença, porque esse apoio e profissionalismo são extremamente importantes ao paciente. O modo como dar o diagnóstico, o modo e o carinho como o paciente fragilizado é tratado faz total diferença no seu tratamento.

A minha maior preocupação foi como dar a notícia aos meus pais e como eles reagiriam. Eu não queria que eles sofressem por mim, eu tinha que ser forte e apoiá-los. Fiz a cirurgia no dia 28 de maio de 2008 e foi um sucesso.

Como a doença foi descoberta no início, não precisou tirar toda a mama. Tirei apenas o quadrante. Não que isso fosse fazer alguma diferença para mim, pois se tivesse que tirar as duas mamas eu tiraria numa boa. O importante naquele momento era a minha vida e a minha saúde. Recuperada da cirurgia, iniciamos a quimioterapia. Fiz seis sessões a cada 21 dias.

Após a primeira sessão de quimioterapia meu cabelo começou a cair. Decidi não esperar e logo já raspei a cabeça. Tive o apoio do meu marido Alex Compri – meu namorado na época -, e decidimos raspar juntos. Tentamos fazer desse dia não um dia triste, mas levar com muito bom humor e leveza, já que não tinha outro jeito.

Minha cabelereira fechou o salão para nós e minhas primas de São Paulo também estavam conosco. Fizemos moicano, tiramos fotos, rimos, choramos, eu raspei a cabeça dele e ele raspou a minha!

Em minha opinião, o pior não é ‘o ficar careca’, é se olhar no espelho e lembrar que está doente, em tratamento.

Os meses que se sucederam não foram fáceis, pois as reações da quimioterapia são diferentes de mulher para mulher. Algumas nem sentem nada. Mas no meu caso eu achei que fosse ‘virar do avesso’ de dor. Não vomitei, mas sentia dores constantes nos ossos, no corpo todo e mal estar por três dias consecutivos.

Para me ajudar, eu tinha em mente que era menos uma! Sempre contava menos uma quimioterapia! Após as sessões de quimioterapia iniciamos a radio. Fiz 33 sessões diárias e depois outras cinco. Foi bem mais tranquilo, não tem muitos efeitos colaterais, senti apenas um pouco de cansaço.

Devido ao tipo de câncer, tive que terminar o tratamento tomando uma injeção de zoladex na barriga por dois anos. Esse medicamento induz uma menopausa precoce como prevenção. Graças a Deus, após esse período, conseguimos reverter essa menopausa e voltei a ovular normalmente. Fiz acompanhamento a cada três meses durante esses dois anos com exames diversos. Depois o acompanhamento foi se espaçando a cada seis meses e após cinco anos, sendo realizado, uma vez ao ano.

O câncer de mama é mais comum do que imaginamos, por isso, ressalto a importância do autoexame, a importância dos exames preventivos e da mamografia. Não se enganem achando que isso nunca vai acontecer com você. Pode acontecer com qualquer um.

A minha visão do mundo, da vida, mudou demais após esse período. Aprendi muita coisa com tudo isso. Aprendi a amar as pessoas como se não houvesse o amanhã. Aprendi a viver intensamente todos os dias, um dia de cada vez….

Hoje, sou uma pessoa muito melhor, muito mais forte. Eu venci essa batalha! Em nenhum momento eu me revoltei.

Se chorei? Sim, muitas vezes! Mas me revoltar nunca! Eu tinha a certeza que era só uma fase, que ia passar e tentava passar da melhor maneira possível seguindo todas as orientações dos médicos. Se eu estava naquela situação não era à toa, nada é por acaso… Tudo tem o seu motivo.

A crença em algo ‘Superior’, em Deus, ajuda muito. Não importa a sua religião, mas se apegar em DEUS te traz conforto, leveza e a certeza que tudo irá dar certo no futuro. Sim, no futuro, porque eu nunca achei que essa doença me venceria!

Tempestades sempre virão na nossa vida, à diferença é como você vai lidar com ela!”.

 

Espero que esse depoimento tenha te ajudado de alguma maneira. Outubro continua e a campanha também.

Informe-se, cuide-se e lembre-se: você não está sozinha.

Um beijo e até semana que vem.

Sobre Fabi Matos

Fabiana Nunes de Matos Bueno é graduada em Educação Física e trabalha como personal trainner ministrando aulas de pilates e funcional em seu estúdio.

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