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O pé de meia

“Querido Papai Noel – Meu nome é Tommy e tenho 12 anos. Moro numa casa pequenina numa cidadezinha na América do Norte junto com meus três irmãos mais novos, meu pai e mamãe. Somos muito, muito, muito pobres e gostaria apenas e se não der muito trabalho para o senhor ganhar alguns pares de meias para nossa família, pois nessa época de inverno, não temos calefação em casa e à noite nossos pés congelam devido ao frio que castiga nossa casa. Ficaria muito feliz se atendesse meu pedido já que me portei muito bem esse ano. Sinceros agradecimentos. Ass: Tommy”.

Era final do século XIX e na noite da véspera de Natal, Papai Noel saiu todo apressado em seu trenó do Polo Norte. Quando sobrevoava a cidade onde Tommy morava percebeu que o frio aumentara e seu pé esquerdo estava ficando gelado. Constatou que sua meia estava furada. Lembrou-se que havia vários pares de meias dentro do saco de presentes e apanhou um pé qualquer para vestir enquanto acabava a entrega dos presentes.

Pela manhã, Tommy teve uma grande alegria quando encontrou debaixo de sua árvore de Natal, ou melhor, alguns galhos secos enfeitados com tiras de jornais, os presentes deixados pelo Papai Noel. Eram os pares de meias que todos de sua casa ganharam do bom velhinho.

Tommy estava contente e ao mesmo tempo surpreso em ver que ganhara apenas um pé de meia e tentava imaginar como Papai Noel sabia de sua paralisia na perna esquerda.

Tommy desde criança andava de muletas e sua perna paralisada não havia desenvolvido, era um membro praticamente morto que Tommy arrastava por onde andava.

Na outra noite todos estavam dormindo com os pés quentinhos graças às meias presenteadas de Natal. Quando batidas na porta acordam Tommy que vai atender. Para seu espanto era Papai Noel em pessoa:

– Oh, oh, oh pequeno Tommy! Acabei esquecendo a outra parte de seu presente… me desculpe!

E entregou a Tommy o outro pé de meia, já usado por ele mesmo e até com um pouquinho de chulé. Foi o próprio Papai Noel quem vestiu a meia no pé paralisado de Tommy e logo depois como num passe de mágica desapareceu no meio da nevasca.

Parecia que tudo fora um sonho quando Tommy acordou naquela manhã, mas ao perceber seus dois pés vestidos com meias seu coraçãozinho disparou. E mais que isso, percebeu que seus dois pés podiam se movimentar, andar, correr e pular… Tommy chorou de alegria juntamente com sua família… era o melhor presente de todos… era o melhor Natal de todos.

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Rodrigo Alves de Carvalho

Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Escreveu para jornais de Jacutinga, Itapira, SP; Mogi Mirim, SP; Pouso Alegre, MG; Ouro Fino, MG; Espirito Santo do Pinhal, SP; Campinas, SP e Belo Horizonte, MG.

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1 thought on “O pé de meia”

  1. Gosto muito dos textos produzidos por Rúbia Rubita, me fazem refletir muito! Me levam ao sentimentos mais diversos e as reflexões mais profundas sobre como ser simples é feliz! Obrigada a revista por me proporcionar essas emoções!

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