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O poder do diálogo

Há dezoito anos trabalhando como psicóloga, sempre penso sobre o significado e a importância de um bom diálogo nos relacionamentos e percebo cada vez mais a relevância desse conceito para a construção da vida social, familiar e individual do ser humano.

Atualmente trabalhando com casais e famílias, noto o quanto, na maioria das vezes, as pessoas não conversam e fica evidente o quanto essa ausência provoca inúmeras perdas e danos.

Acredito que o diálogo é uma conversação estabelecida onde se pretende transmitir ou partilhar ideias, pensamentos, sentimentos, valores, entre muitos outros aspectos essenciais ao desenvolvimento psicológico, emocional e cognitivo do ser humano. É um recurso valioso que pode levar a diferentes entendimentos, porém, exige esforço para escutar, refletir, compreender e falar.

É importante termos consciência de que num diálogo não somos os únicos que precisamos ser ouvidos, porque o outro tem a mesma necessidade, e se não houver espaço emocional para ouvir, a conversa se torna disfuncional e nada é resolvido.

Vejo essa disfuncionalidade muito presente em casais que buscam a Psicoterapia, pois percebem que a forma como conversam não os ajuda e, consequentemente, há um desgaste ainda maior na relação.

Segundo Marilene Grandesso [2010], psicóloga especialista em Terapia Familiar, essa dificuldade da comunicação entre parceiros resulta em constantes desencontros e frustrações das expectativas de compreensão e solução de um problema.

Penso que o grande desafio para um bom diálogo é a empatia, onde um se coloca no lugar do outro e, desta forma, pode absorver opiniões diferentes. Afinal, cada pessoa tem uma história de vida e isso é determinante na construção de seus pensamentos, sentimentos e opiniões. Sendo assim, é possível, acolher as diferenças e pensar sobre elas, favorecendo e aumentando possibilidades de entendimento.

É muito importante buscarmos equilíbrio e esclarecimento, porque muitas vezes o que nos faz perder o controle no momento de uma conversa, são nossas emoções como: a raiva, o medo, a frustração e a culpa. Quanto maior a consciência destes sentimentos, maior possibilidade de buscar recursos para lidar com eles e assim nos sentirmos seguros para uma conversa tranquila, assertiva e agregadora.

Essas questões as quais me refiro como a empatia e a reflexão sobre as emoções favorecem todo tipo de relação: entre pais e filhos, companheiros de trabalho, amigos… Por mais difícil que seja a situação devemos sempre conversar e expor o que pensamos e, acima de tudo, conscientes de que também precisamos ouvir o outro.

Acredito no poder do diálogo!

Sem ele, não há um relacionamento saudável. Ele esclarece situações e sentimentos. Quantas vezes em uma boa conversa conseguimos compreender e definir expectativas e interesses e, isto se dá, porque quando falamos e ouvimos o outro, também dialogamos com nossos pensamentos e concepções.

Espero que com esse artigo, possa ter sensibilizado vocês a pensarem principalmente sobre a forma de dialogar. Afinal, nos comunicamos o tempo todo por meio da fala, de expressões e comportamentos.

Gostaria que ao terminar essa leitura pudessem refletir:

* De que forma estou me comunicando?
* Essa maneira é eficaz para mim e para as pessoas com quem me relaciono?
* Tenho sido um bom ouvinte ao conversar?
* Tenho sido empático?

Desejo que ao responder minhas indagações o leitor reflita e amplie suas possibilidades de se comunicar, tendo assim, mais satisfação e sucesso na arte de conviver!

Bibliografia:

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio: o dicionário da Língua Portuguesa. 8. ed. Curitiba: Positivo, 2010.
GRANDESSO, Marilene. O casal e a Comunicação em crise. 01/12/2010.

 

Disponível em: https://terapiadefamilia.wordpress.com/2010/12/01/o-casal-e-a-comunicacao-em-crise/amp/

 

 Flávia A. Lima – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual.  É coordenadora de grupo de apoio para religiosos. Ministra palestras e cursos para pais e educadores. Formada pelo Programa Internacional em Práticas Colaborativas e Dialógicas/Houston Gabeston Institute [Texas] e Taos Institute [Novo México].

 

 

Foto: Otávio Bueno

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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