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O que é perdoar para você?

Há algum tempo venho me interessando pelo tema perdão, afinal, na minha experiência de atendimento clínico, tenho observado várias pessoas em sofrimento psíquico por não conseguirem perdoar.

Identifiquei que este tema não é mais exclusividade da religião, embora muitas pessoas espiritualizem este ato, está comprovado pelos estudos de Neurociência da UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro], que o ato de perdoar promove alívio do estresse, reduz a pressão arterial e fortalece o sistema imunológico. Além disso, faz bem a saúde física, psíquica e espiritual e, por este motivo, considero o assunto de extrema relevância.

De acordo com dicionário Aurélio, perdoar é conceder perdão, absolver da pena e/ou isentar da dívida.

Perdoar é um processo que não é mágico ou instantâneo, mas é mental ou espiritual  e tem como objetivo cessar o sentimento de ressentimento ou raiva contra outra pessoa ou contra si mesmo, decorrente de uma ofensa percebida, diferenças, erros ou fracassos.

Para Groisman [2013], existem dois tipos de perdão interpessoal [entre duas pessoas], sendo um de modo unilateral quando a vítima não deseja se reconciliar ou vir a manter um relacionamento com o agressor; e o outro de modo bilateral, quando existe o arrependimento do transgressor e a vítima deseja manter ou retomar a convivência com mesmo.

Diversas pessoas desconhecem o que é de fato perdoar, porque acreditam que perdoar é aceitar tudo, não cogitam a importância de se protegerem e não conseguem dar limites, para evitar situações de abuso por exemplo.

O psiquiatra Fabio Dasmasceno[2012], relata que o princípio do perdão não invalida o princípio do limite, e das consequências, ele acrescenta que ambos caminham juntos e ressalta que o próprio Jesus, mesmo sendo humilde e manso de coração, estava totalmente disponível a perdoar, porém, não poupava as pessoas das consequências e dos limites.

É muito comum confundirmos a ideia do perdão com o passar a mão na cabeça do agressor e, às vezes, há dificuldade em perdoar porque achamos que se perdoarmos não vamos colocar limites para o outro, não haverá consequências e a justiça não será feita, mas, não é necessariamente assim.

Precisamos entender que o perdoar não é esquecer e que não teremos amnésia. No entanto, é uma atitude de livre arbítrio, uma escolha ou decisão pessoal para deixar o passado e seguir no presente de modo mais leve e sem ressentimento. Pois,sentir de novo as emoções negativas, não nos trará nenhum benefício, ao contrário, alimentará os sentimentos de vingança e raiva que certamente fazem muito mal a saúde de quem sente.

Damasceno [2012],ressalta os efeitos terapêuticos do perdão e reafirma que é uma escolha, que não depende da emoção e não depende dos nossos sentimentos, pois, se formos esperar sentir vontade para perdoar ou pedir perdão, podemos morrer e não o faremos. Assim, depende da necessidade de tomarmos atitudes, entendendo o perdão como um processo.

Contudo, precisamos compreender que somos humanos e o sentir faz parte da humanidade. Quando somos ofendidos, desrespeitados, sentimos muita raiva, às vezes ódio e, por isso, não espere sentir vontade de perdoar quem te ofendeu, te traiu e/ou violentou, mas, por você, por sua saúde, decida perdoar, mesmo sem ter que conviver com a pessoa que lhe causou ressentimento.

Gostaria que você querido leitor refletisse sobre isso: O que é necessário para ter uma vida emocionalmente saudável e equilibrada?Será preciso perdoar alguém?

Que neste novo ano, você escolha perdoar, deixar o passado e tudo que tem te atrapalhado para seguir sua caminhada de modo mais leve, se cuidando, se respeitando, mas também, dando limites quando necessário.

Um forte abraço.

 

Referências
DAMASCENO, F. Psicologia do perdão.IFC Editora, 12 Edição.Vinhedo, 2012. GROISMAN, M. A arte de perdoar. Núcleo Pesquisas. Rio de Janeiro, 2013. https://dicionariodoaurelio.com/perdoar, acesso em 21/12/2018.https://somostodosum.com.br/perdao-segundo-a-neurocientista-suzana-h-houzel-da-ufrj-11330.html, acesso em 22/12/2018.

Patrícia Galo Firmino – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual. Pós-Graduanda em Terapia Familiar e de Casal pela UNIFESP, Especialista em Aconselhamento Cristão e é pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior. Ministra palestras e cursos para pais, educadores e profissionais.

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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