Sábado , 19 Agosto 2017
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Óleo de coco: mocinho ou bandido?

Ele é considerado uma das opções mais saudáveis na cozinha. Há quem ama e quem detesta. É o ‘queridinho’ de quem está fazendo dieta e nos últimos meses houve muita polêmica e especulações sobre o consumo exagerado desse produto.

Hoje o assunto da minha coluna é: óleo de coco.

Para comentar sobre o assunto, entrevistei três nutricionistas:

Aline Fabiana Coelho, que atua na área clínica e é formada há três anos pela FAJ [Faculdade de Jaguariúna]. Também é Pós Graduada em Nutrição Clínica pela FMU [Faculdades Metropolitanas Unidas] e, atualmente, está se especializando em Bioquímica, Fisiologia, Treinamento e Nutrição Desportiva pela Unicamp [Universidade Estadual de Campinas].

Karina Lopes, que atua na área de Nutrição Clínica e Estética e como personal cook e é formada há três anos pela IESF [Colégio Integrado São Francisco]. É Especialista em Gastronomia Funcional.

Renata Rossi, que atua na área de Nutrição Clínica e Esportiva Funcional e é formada há oito anos pela Puccamp [Pontifícia Universidade Católica de Campinas] e Pós Graduada em Nutrição Clínica e Nutrição Esportiva pela Unicamp.

Quais os benefícios do óleo de coco?

Para Aline: “nos últimos anos os estudos científicos mostram que seu uso está associado à redução do colesterol, triglicerídeos e LDL [colesterol ruim], prevenção de doenças cardiovasculares, melhora da circulação sanguínea, emagrecimento, antienvelhecimento, como também otimização do sistema imune”.

Renata complementa que: melhora a sua função cerebral [atualmente existem vários estudos em andamentos sobre a suplementação de óleo de coco e a manutenção ou melhora dos sintomas de Alzheimer]. Acelera o metabolismo, favorecendo assim a queima de gordura. Melhora o sistema digestivo e intestinal [como a síndrome do intestino irritável, constipação intestinal e indigestão]. Hidrata a pele, cabelos e unhas [quando usado de maneira tópica]”.

Já para Karina: o óleo de coco é rico em antioxidantes como o ácido fenólico, tem ação contra o envelhecimento e função estimulante do sistema imunológico pela alta concentração de ácido láurico”.

Ele aumenta o colesterol?

Aline cita que em um estudo publicado no Jornal Científico da Oxford University em 2016, no Reino Unido que: “foram avaliados 21 trabalhos científicos, sendo oito ensaios clínicos e 13 estudos observacionais e afirmam que, devido às grandes diferenças de hábitos alimentares e estilo de vida, as conclusões não podem ser aplicadas. Ou seja, ainda não há evidências que comprovem que o óleo de coco aumenta o colesterol”.

Renata diz que: na verdade ele é rico em vitaminas lipossolúveis [A,D,E e K], que controlam os níveis de colesterol total, pois a sua ingestão ajuda a aumentar o HDL [colesterol Bom] e reduzem o LDL [colesterol ruim],

por isso, o óleo de coco tem efeito antinflamatório e antitrombótico e pode ser utilizado por pacientes com colesterol alto.

Embora o óleo de coco seja uma gordura saturada, vários estudos descobriram que a ingestão de óleo de coco virgem não tem efeitos adversos sobre o coração. Pelo contrário, parece reduzir o risco de níveis elevados de colesterol e de ataque cardíaco.

Estudos anteriores feitos sobre o óleo de coco relatou que em quem causou o colesterol elevado, foram feitas utilizando o óleo de coco parcialmente hidrogenado e não o óleo de coco virgem e os estudos foram feitos em animais, não seres humanos”.

Karina complementa a informação dizendo que: “o consumo de óleo de coco foi avaliado em ratos e mostrou que, apesar do alto teor de gordura saturada, o óleo de coco parece ter efeitos benéficos para a saúde cardiovascular, desde que consumido em doses moderadas. Entretanto, os autores concluem que ainda são necessários mais estudos para indicação efetiva deste suplemento”.

Quanto à diminuição da circunferência abdominal. Ele realmente diminui?

Para Aline sim: “alguns estudos já mostraram essas evidências. Em um desses estudos, feito pela UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro], os pacientes possuíam doença arterial coronariana e após aderirem ao tratamento nutricional, associado ao consumo de óleo de coco extra virgem, obtiveram redução do perímetro da cintura e houve aumento das concentrações de HDL – C, uma variável que quando aumentada está fortemente relacionada à prevenção de doença isquêmica cardíaca”.

Renata também concorda com a afirmação e diz que: “de acordo com estudos em mulheres que tomaram o óleo de coco virgem a cada dia tiveram uma redução significativa na gordura abdominal.

Mesmo que o óleo de coco seja um tipo de gordura, pode realmente otimizar  a perder peso, pois contém ácidos graxos de cadeia média, em vez de ácidos graxos de cadeia longa, como alguns outros óleos comumente usados. O corpo utiliza o óleo de coco para fornecimento de a energia rápida e não armazena este tipo de gordura.

Desta forma, ele ajuda a aumentar o metabolismo e consequentemente a diminuir a circunferência abdominal”.

Já Karina diz que: “em relação à perda de peso e redução de medidas, os estudos com suplementos a base de óleo de coco são extremamente escassos e de baixo grau de evidência”.

Sei que as dúvidas são inúmeras. Por isso, volto aqui no dia 22 de maio para esclarecer mais algumas dúvidas e trazer, junto com as nutricionistas, algumas receitas para complementar sua dieta. Não perca!

Sobre Fabi Matos

Fabiana Nunes de Matos Bueno é graduada em Educação Física e trabalha como personal trainner ministrando aulas de pilates e funcional em seu estúdio.

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Um comentário

  1. Adorei o artigo. Excelente explicação.

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