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Pelo mundo: Kátia Hocking conta como está enfrentando o coronavírus nos Estados Unidos

O Polo conversou com guaçuanos que moram nos países mais afetados pelo coronavírus do que o Brasil e, a partir de hoje, começa uma série de entrevistas com esses conterrâneos

O Brasil dobrou o número de casos de coronavírus em uma semana e o total de mortos pela doença chegou a 1.736 nesta quarta-feira, 15 de abril. Segundo o Ministério da Saúde, em todo o país há 28.320 casos confirmados de Covid-19.

Pelo mundo, a Covid-19 já ultrapassou a marca de 2 milhões de infectados e soma quase 129 mil mortos. Em países importantes, como por exemplo, Estados Unidos, Espanha, Itália, França, Alemanha e do Reino Unido [Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales], o novo coronavírus já se tornou uma pandemia.

O Polo conversou com guaçuanos que moram em diversos países com índices maiores de infectados pelo coronavírus do que o Brasil. E a primeira entrevistada é Katia Hocking, 44, que mora há mais de 20 anos nos Estados Unidos, nação em que o doença infectou mais de 615 mil pessoas e matou outras 26.221, tornando-se o maior em número de mortes causadas pela Covid-19 no mundo. Assim, o governo decretou que 97% dos americanos têm que ficar em casa, mas nem todos estão obedecendo.

“O governo americano poderia ter se prevenido no começo
e, talvez hoje, não estaríamos perdendo tantas vidas”

América

Foto: Arquivo Pessoal

Sarasota [Flórida] é a cidade que Katia Hocking escolheu para viver. Casada com o americano Tommy Hocking, 44, e mãe de duas adolescentes: Julia Hocking, 16, e Emily Hocking, 14, a família está em isolamento social há quase dois meses.

 

Tommy Hocking se graduou na área de Política, Ciências e Sociologia, mas não exerceu a profissão. O casal é sócio da rede de franquia Splash Sun & Fun que fica a 5 minutos da praia de Siesta Key, considerada a número 1 dos Estados Unidos

Foto: Arquivo Pessoal

“Nós dois fazemos parceria com a Splash, que é uma loja de praia do tipo que vende de tudo para turismo, souvenires, biquínis, cadeiras de praia, pranchas de surf, entre outras coisas. Eu estava para começar um curso de corretores, mas foi cancelado”.

Mesmo antes da pandemia se alastrar pelos Estados Unidos, a família se prevenido já entrou em quarentena. “Decidimos fechar a Splash duas semanas antes do ‘lock down’ por motivos de segurança dos funcionários e, claro, nossos também”.

A Splash é uma loja turística, com ponto comercial bem localizado e sempre recebe pessoas de todos os estados, principalmente, de Nova York. “Pelo fato da situação nova iorquina estar bem pior que a nossa aqui no começo, nos alertou para que tomássemos a decisão correta de fechar até tudo melhorar”.

Com o isolamento social, conta que a família sai de casa somente para fazer as compras essenciais e que suas filhas estão fazendo aula virtual na parte da manhã.

“Moramos em um condômino que tem quadras de tênis, piscina e academia e está tudo fechado. Por isso, saímos também para andar de bicicleta e levar o cachorro para dar uma voltinha. Eu faço minha corrida a tardezinha e, assim, a gente passa o nosso dia”.

Dentro do condomínio, os vizinhos colocaram cestinhas de livros e quebra cabeças e se as pessoas quiserem pegar, podem. “Achei essa iniciativa super legal”.

Foto: Arquivo Pessoal

Kátia Hocking acredita que agora está sendo mais difícil pois a situação chegou num ponto em que as pessoas não veem a hora de tudo acabar. “Os supermercados continuam abertos, mas com horários específicos como os horários diferentes para os idosos entrarem no caso de muita necessidade. Eles também estão fazendo entregas nas casas para pessoas que não querem sair de casa”.

Contágio
Diz que graças a Deus não perdeu nenhum familiar ou amigos para a Covid-19, mas que tem uma amiga enfermeira que há umas duas semanas vem tendo os sintomas do novo coronavírus. “Infelizmente o governo não estava tendo mais máscaras, luvas ou o que seria necessário e ela tinha que ir ver os pacientes sem proteção. Fez o teste, mas ainda não sabe o resultado”.

Economia
O novo coronavírus ‘infectou’ até a maior economia do mundo. Kátia Hocking fala que “está afetando tudo como restaurantes, lojas e shoppings centers. Tudo fechado desde o final de março. No estado da Flórida, as pessoas estão procurando pelo ‘unemployment’ – o governo paga um salário de acordo com o que cada trabalhador ganha –, mas como a maioria das pessoas estão desesperadas e pedindo ao mesmo tempo está havendo um crashing [falha] pela internet e ninguém está conseguindo”.

Na sua empresa, ela e o marido pagaram todos os funcionários até a segunda semana de quando a loja foi fechada. “Agora, eles estão tendo que fazer a mesma solicitação para o governo. Muito triste. A gasolina abaixou tremendamente. Hoje, um galão está custando U$ 1,85 e antes custava tipo U$3,45 um galão que equivale a 3,785 litros”.

Em relação as medidas decretadas anteriormente por Donald Trump, comenta que não somente o presidente, mas também o governo, já sabiam que tudo isso desde novembro de 2019 e não tomaram as devidas precauções.

“Não proibiram as viagens, não cuidaram dos equipamentos médicos que hoje estão em falta e nossos médicos, enfermeiros não estão tendo para poderem trabalhar. Ele queria abrir o país na Páscoa e depois viu que seria um erro. Ele está mais preocupado com a economia do que salvar vidas”.

Foto: Arquivo Pessoal

“No começo, Donald Trump ainda falou que
em caso de falta de máscaras, os profissionais de saúde
poderiam usar badanas. Incrível né!”

 

 

Comenta ainda que “definitivamente, na verdade os estados estão fechando por conta própria. Nunca foi feito um fechamento mandatório pelo presidente. Se tivéssemos começado há uns meses atrás não estaríamos nesta situação. Ainda temos o estado de Iowa, em que os restaurantes estão abertos”.

Para o futuro, as estimativas do povo americano sobre a retomada da economia é que “sem a vacina e a cura, acreditamos que demorará uns dois anos”.

A guaçuana acrescenta no final que mesmo em meio a todas essas notícias ruins que nós seres humanos, estamos tendo mais tempo com nossas famílias, tendo mais conversas com nossos filhos e apreciando cada momento com eles.

“Hoje sair para andar de bicicleta com as meninas me faz tão feliz, coisas que já havíamos esquecido de fazer há muito tempo. No corre-corre do dia a dia, acabamos nos esquecendo da importância das coisas simples da vida”.

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Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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