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Quando dois se tornam uma equipe

Nos dois últimos artigos minhas colegas Adriana Pereira Rosa e Silva e Ana Lúcia da Costa Rafael refletiram sobre o papel da família como a primeira equipe em nossas vidas, e a importância do bom funcionamento da mesma para a construção de indivíduos maduros, saudáveis, colaborativos e felizes.

Certamente, algumas famílias ajudam mais e outras menos para que seus membros cresçam como pessoas funcionais, entretanto, o ‘bom andamento’ dessa equipe não acontece por acaso, ela vai se estruturando a partir do casal que se constitui e a forma como se organiza e desenvolve.

‘Ser casal’ é para muitos um processo complexo e cheio de nuances. Esse momento envolve um misto de alegria e dor, porém, possibilita muito aprendizado. Isto vale para todos os modelos de casais que temos atualmente: os tradicionais e os não tradicionais.

Lembrando que um casal quando se apaixona e decide seguir junto, traz consigo uma história individual vinculada a sua família de origem que marca diretamente os comportamentos, as escolhas e os sentimentos de cada um. Então, podemos compreender que essa nova equipe, composta a partir de um casal, terá que estabelecer regras influenciadas por outras, mas terão que ter suas próprias regras, valores e modelo.

Entendo que o casal é o resultado de um processo de construção e, para tal, precisa de ingredientes como tempo, organização, persistência, muito diálogo, cumplicidade,

Acredito também na necessidade de regras claras: com limites, direitos e deveres. Quando esses fatores são negociados, combinados e acertados trará para todos a ‘sensação’ de cuidado, orientação e afeto. É como se cada um estivesse fazendo a sua parte para garantir o melhor funcionamento dessa equipe de duas pessoas que precisam funcionar bem para cuidar e receber novos membros.

Isto vale também para as tarefas do dia a dia, desde as mais simples as mais complexas. Um casal deve ter cooperação na manutenção da vida familiar onde todos têm funções e responsabilidades.

É preciso ter abertura e equilíbrio para novas possibilidades. Felizmente hoje, as tarefas não são mais definidas por gênero como antigamente e essa é uma grande conquista. Atualmente temos homens cozinhando e cuidando de afazeres domésticos e mulheres se dedicando a tarefas que antes eram definidas como masculinas e ambos se dedicando com prazer e maestria.

Isto é maravilhoso quando pensamos em trabalho em equipe! Casais funcionando muitíssimo bem, cada um com suas capacidades, competências e possibilidades.

Penso que todas essas questões mencionadas estão diretamente ligadas à arte de conviver e de se relacionar. Sem dúvida, o amor, a admiração e o prazer em estar junto com o parceiro são ingredientes que sustentam a relação, revela afinidades e interesses em comum, assim como, em uma equipe.

Sendo assim, termino este artigo refletindo sobre um processo que começa com duas pessoas que precisam estar dispostas a enfrentar todas as dores e delícias de ser casal e família, entendendo que ‘faz parte do jogo’ os desafios e dificuldades assim como superações e vitórias.

 

Bibliografia:

Anton, Iara L. Camarata. A escolha do cônjuge: um entendimento sistêmico e psicodinâmico. 2 ed.  Ver. ampl.-Porto Alegre: Artimed, 2012.  Rosset, Solange Maria. Temas de casal. -Belo Horizonte: Ed. Artesã, 2017

 Flávia A. Lima – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual.  É coordenadora de grupo de apoio para religiosos. Ministra palestras e cursos para pais e educadores. Formada pelo Programa Internacional em Práticas Colaborativas e Dialógicas/Houston Gabeston Institute [Texas] e Taos Institute [Novo México].

 

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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