ColunistasCulturaVariedades

Quando eu crescer, quero ser…

A criançada brinca no parquinho como se o dia nunca fosse acabar.

E correm… E, como correm essas crianças! Tão pequenas com seus pulmõezinhos tão pequenos e nunca se cansam.

Encontra-se com outras crianças, misturam-se, não importa a raça ou classe social.

“É criança?”.

Então pode juntar-se para brincar e brincar e brincar sem parar.

E a tal bola? Esse objeto redondo que enfeitiça e hipnotiza a criançada. A bola é perseguida, chutada, jogada e amada. Quanto amor uma criança pode ter por uma bola? É claro que nem toda criança gosta de bola, principalmente meninas, mas se tiver uma bola por perto, nem que seja apenas para apanhá-la, apalpá-la, apertá-la contra o peito, a criança não resistirá. É um amor incondicional.

E tem criança de todo tipo: as arteiras que comandam as brincadeiras e se impõem, não tem medo de nada e geralmente aprontam estripulias. Já os quietinhos somente acompanham, esperam sua vez para brincar e a qualquer sinal de confusão ficam preocupadas e até se entregam por isso.

E por último, os birrentos. Esses não querem saber, se forem contrariados põem a boca no mundo e choram como ninguém, ou melhor, fazem isso por querer, só para desarmar outras crianças e até mesmo e na maioria das vezes, os adultos. Os birrentos são os que dão mais trabalho.

No parquinho há crianças de todo tipo… E brincam, brincam e brincam sem parar.

A bola cruza o céu e uma tropa de meninos corre em disparada como num arrastão de alegria.

Como é bom ser criança! No meu caso, como foi bom ser criança. E na verdade a gente acaba voltando à infância quando estamos perto da criançada brincando e sorrindo. Isso é bom. Faz-nos recordar a melhor época de nossa vida.

Eu e meu sobrinho de sete anos todo suado e sujo de areia de tanto brincar estávamos indo embora do parquinho naquela tarde e ele me disse todo alegre:

– Tio… quando eu crescer, vou querer ser jogador de futebol!

Achei a escolha boa, se bem que um tanto comum para um menino de sete anos. Depois pensei um pouco na conjectura de voltar à minha infância e sair de um parquinho de mãos dadas com meu tio e se fosse para escolher meu próprio futuro iria dizer:

– Tio… quando eu crescer, vou querer ser criança.

Tags
Mostrar mais

Rodrigo Alves de Carvalho

Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Escreveu para jornais de Jacutinga, Itapira, SP; Mogi Mirim, SP; Pouso Alegre, MG; Ouro Fino, MG; Espirito Santo do Pinhal, SP; Campinas, SP e Belo Horizonte, MG.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Verifique também

Close
Close