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Reinvenção na crise: que tal experimentar a oração?

Diante da pandemia da Covid-19, fomos colocados num contexto desafiador e nos deparamos com um inimigo invisível. Um isolamento se fez necessário, estão sendo requeridas novas habilidades, novos recursos externos e internos. Muito se fala sobre a importância de nos reinventarmos, de buscarmos novas estratégias para superarmos e aprendermos a lidar com esse contexto.

Concordo e penso ser de fato o caminho, mas como sair do discurso para a prática?

É necessário entender que superação implica em um processo de adaptação bem-sucedida. Para adaptar-se é necessário aceitar a nova realidade e perceber os recursos disponíveis que até então não eram necessários e agir.

Aprecio uma frase de Viktor Frankl que diz:
Quando a situação for boa, desfrute-a. Quando a situação for ruim, transforme-a.
Quando a situação não puder ser transformada, transforme-se.”

Essa frase contextualiza bem o momento atual de pandemia e pensando em se transformar, quais são os recursos que as pessoas têm usado diante da crise?

Algumas praticam atividades físicas, prezam por uma alimentação saudável, usam técnicas de relaxamento, fazem uso da arte para organizar e expressar suas emoções, outras, buscam psicoterapia e/ou tratamento medicamentoso, ou ainda, se envolvem em atividades solidárias e há também as que buscam refúgio exercitando sua religiosidade, colocando sua fé em prática.

Neste artigo, gostaria de refletir sobre o recurso da espiritualidade, da importância da fé e mais precisamente da prática da oração em momentos de crise. Um momento como esse nos leva inevitavelmente a entrar em contato com nossa fragilidade e impotência.

Essa condição pode nos fazer ir para além de nós, para um encontro com Deus que se expressa no amor e na solidariedade ao próximo. Viktor Frankl no livro ‘Em busca de sentido’ conta sobre pessoas que viveram em situações extremas nos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial. Ele identificou que pessoas que possuíam um ‘porquê’ suportavam os horrores dessa experiência com mais força e determinação.

Claudia Bruscagin [2004], psicóloga e terapeuta familiar destaca que “para as famílias religiosas, que acreditam em Deus ou que outro ser superior existe, as convicções espirituais dão aos valores um poder a mais para influenciar a vida”.

Deste modo, os indivíduos que exercitam sua espiritualidade acreditam, tem a certeza que tudo vai dar certo e isto é fé. A palavra fé é definida no dicionário Aurélio como uma convicção intensa e persistente em algo abstrato que para a pessoa que acredita se torna verdade, uma crença. Sendo assim, esses mesmos indivíduos que possuem fé, oram fundamentados nesta certeza, bem como em suas crenças e valores.

Mas o que é orar? Que diferença pode fazer nos momentos de angústia e incerteza?

Orar significa ter uma ação com o objetivo de resolver uma dificuldade, apresentando-a a um ser superior, a divindade. É uma ação relacional que inclui o sagrado e, de acordo, com estudiosos desse tema é o centro da vida religiosa e da espiritualidade.

Está comprovado por meio dos estudos da neurociência que atividade envolvendo a prática da oração atua em uma região do cérebro, no sistema límbico e quando um indivíduo ora, ele libera substâncias importantes que trazem condições mentais de mansidão, alegria, um senso de pertencimento, melhora autoestima e bem-estar.

Diante dessas informações e em tempos de tanta incerteza, angústia e isolamento que tal fazer uso de algo que só tem a nos acrescentar e que nada vai nos fazer de mal?

Sugiro que inclua em sua rotina nesse momento, a experiência de conectar-se a Deus, expressar suas questões e mesmo separar um tempo para unir-se a outros com a finalidade de conectar-se em um propósito do bem.

Se você prestar atenção vai perceber que muitos especialistas têm recomendado tal prática para contribuir para a saúde mental.

Encontrei neste verso bíblico do livro de Filipenses no capítulo 4, versículos 6 e 7, um apoio/direção em relação à oração:

“Não se preocupem com nada, mas em todas as orações peçam a Deus o que vocês precisam e orem sempre com o coração agradecido. E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês…”.

Te encorajo a experimentar.

Um forte abraço!

 

Foto: Otávio Bueno

Patrícia Galo Firmino – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual. Pós-Graduanda em Terapia Familiar e de Casal pela UNIFESP, Especialista em Aconselhamento Cristão e Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior. Ministra palestras e cursos para pais, educadores e profissionais.

Referências
ALVES, R Superação – Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=ukGq3ygOjDk&t=3400s. Acesso em 13/03/2020. CERVENY, C Família e. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004. MARTIAN, S Bíblia da mulher que ora. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.

 

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Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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