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Saúde Mental e Qualidade de Vida

Com a ‘Campanha do Janeiro Branco’, muito se fala sobre a importância dos cuidados com a Saúde Mental. O tema é de relevância mundial e os números de portadores com algum tipo de transtorno mental são altos e preocupantes. Mas é importante lembrar que existe tratamento para esses casos, com ajuda profissional e equipes de apoio. Também a busca por uma melhor qualidade de vida faz com que esses pacientes possam se recuperar e retomar suas atividades.

Mas o que é Saúde Mental?

Acredita-se que essa expressão tem relação direta com a ausência de doença mental, mas o conceito é mais amplo e está ligado as reações às exigências da vida, como lidamos com as crises, nos relacionamos e nossa capacidade de superação e resiliência.

Saúde Mental, segundo o site da Secretaria da Saúde [2017] é:

*Estar bem consigo mesmo e com os outros;
 *Aceitar as exigências da vida;
 *Saber lidar com as boas emoções e também com aquelas desagradáveis, mas que  fazem parte da vida;
*Reconhecer seus limites e buscar ajuda quando necessário.

É evidente que temos dificuldades maiores ao longo da vida e podemos apresentar sinais de sofrimento psíquico, mas isso não significa sinal de doença, podendo este ser um momento de maior dificuldade e tristeza, por exemplo, quando há o término de um relacionamento, crise financeira, perda de um emprego, entre outros.

O adoecimento faz parte do humano, e com a doença mental não é diferente, ela aparece quando por alguma razão não lidamos bem com alguma situação e nos tornamos ‘disfuncionais’, ou seja, quando apresentamos dificuldades para executar tarefas que até então eram rotineiras, além de desinteresse por situações que antes traziam prazer e alegria.

Segundo a OMS [Organização Mundial da Saúde] – 2019, o transtorno de maior prevalência no mundo é a depressão e acomete mais as mulheres. No Brasil estima-se que de 20 a 25% da população teve ou terá depressão e, até o presente momento, é a doença mais incapacitante; depois vem a ansiedade que afeta 9,3% da população brasileira, que ocupa o primeiro lugar mundialmente da lista de ansiosos.

Os estudos ainda revelam que a saúde mental e qualidade de vida estão diretamente relacionados. Segundo a Organização Mundial da Saúde para um indivíduo ter saúde mental é fundamental um ambiente que ofereça qualidade de vida, respeitando e protegendo os direitos básicos.

Segundo especialistas, a vida pós-moderna pode favorecer o adoecimento, afinal temos na atualidade, uma vida mais estressante, competitiva e violenta, além de um estilo de vida pouco saudável, com poucas horas de sono, alimentação ruim e sedentarismo.

A psicóloga e coordenadora de Saúde Mental de Mogi Guaçu, Alexandra Fernandes Azevedo Venturi, comenta que fatores externos e atributos individuais causam impacto na Saúde Mental. No entanto, é dos aspectos individuais que podemos cuidar para melhorar a nossa qualidade de vida.

Quando falamos em qualidade de vida precisamos compreender que alguns cuidados precisam ser tomados como: dormir pelo menos 6 horas por noite, manter uma alimentação saudável, evitar álcool, cigarro e drogas, praticar exercícios físicos, ter atividades prazerosas, vida social, gerenciar problemas e emoções.

É importante compreender que existe a necessidade de mudar hábitos, entender nossa capacidade interna de lidar com problemas e adversidades e buscar ajuda pode ser um passo importante para uma vida mais saudável e feliz.

Alexandra Venturi traz uma reflexão importante e dados necessários para ampliar os conceitos e cuidados com a Saúde Mental:  o que fazer se nós ou um de nossos familiares for acometido pelo sofrimento psíquico?

Primeiramente, é necessário reconhecer que estamos passando por um problema. Para isso, precisamos nos observar e ouvir o que as pessoas, de nosso convívio, têm a nos dizer.

Conforme já mencionado, quando o transtorno mental acomete nossa saúde nos deparamos com dificuldades que afetam nossa vida pessoal e profissional. As emoções ficam mais exacerbadas, as relações interpessoais conturbadas, ocorre alteração na qualidade do sono e da alimentação, passamos por reações físicas como alteração no batimento cardíaco, sudorese, entre outros sintomas.

Devido ao próprio sintoma do transtorno, a pessoa demora a perceber que está precisando de cuidados. Nesse momento família e amigos são importantes para ajudá-la a buscar os serviços de saúde para receber os cuidados e a atenção necessária.

É importante entender que os transtornos mentais são:

* Não são fruto da imaginação;
* Não se trata de escolha;
* Algumas doenças mentais têm cura, outras possuem tratamentos específicos;
* Pessoas com problemas mentais são tão inteligentes quanto as que não têm;
*Pessoas com problemas mentais não são preguiçosas.

Há tratamentos eficientes para os transtornos mentais e maneiras de aliviar os sofrimentos causados por eles. Porém, é importante ressaltar que em alguns casos o tratamento será prolongado e em outros casos a problemática será crônica, devido à gravidade do transtorno.

No cuidado ao sofrimento psíquico, aos transtornos mentais, é necessário atendimento com médico psiquiatra e acompanhamento psicológico na maioria dos casos. Importante incluir atividade física, atividades culturais entre outras de interesse da pessoa acometida. Nos casos mais graves é necessário acompanhamento sistemático com equipe multidisciplinar.

A atenção à Saúde Mental está para além da doença. Ou seja, o foco dos tratamentos está voltado para a pessoa integralmente, trabalhando inclusive os seus aspectos saudáveis, intensificando as atividades que lhe faz bem.

Mesmo nos casos mais graves, é possível controlar e reduzir os sintomas por meio de medidas de reabilitação e tratamentos específicos. A recuperação é mais efetiva e rápida quanto mais precocemente o tratamento for iniciado.

Os tratamentos nessa área buscam promover saúde e cuidados para que a pessoa tenha qualidade de vida, mesmo que seu problema seja crônico. Procura trabalhar a reabilitação psicossocial, indo para além da remissão dos sintomas.

O importante é olhar mais para si, cuidar mais da saúde geral, estar próximo a pessoas que te fazem feliz e saber que diante de situações difíceis, não se está sozinho.

Bibliografia:
https://dad.saude.gov.br/publicaçoes.php.
http://emais.estadao.com.br>
https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/saude-mental

Flávia A. Lima – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual.  É coordenadora de grupo de apoio para religiosos. Ministra palestras e cursos para pais e educadores. Formada pelo Programa Internacional em Práticas Colaborativas e Dialógicas/Houston Gabeston Institute [Texas] e Taos Institute [Novo México].

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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